União vai investigar mortes por gripe A no Rio Grande do Sul

Preocupado com o avanço das mortes por gripe A no Estado, o Ministério da Saúde (MS) vai investigar os 29 óbitos já registrados no Rio Grande do Sul. A partir de sábado, três técnicos enviados de Brasília se juntam aos profissionais da Secretaria da Saúde para elaborar um Raio X das vítimas, trabalho que pode resultar em mudanças na estratégia de vacinação para 2013.

Veja mapa das mortes por gripe A desde 2009

O diagnóstico tenta entender a alta na mortandade, drama compartilhado com Santa Catarina e Paraná, onde o inverno maximiza os efeitos do vírus H1N1. Os técnicos, especializados em investigação de óbitos, chegam ao Estado sem previsão de retorno.

Levantarão dados como sexo e idade das vítimas, se elas foram vacinadas e, principalmente, se apresentavam doenças de risco e tiveram acesso ao tratamento (Tamiflu) em até 48 horas, como recomenda o MS.

— Os números de casos de gripe A não indicam nada fora dos padrões epidemiológicos de outros anos. O que está fugindo um pouco da média são os óbitos, o que nos preocupa e nos faz ter de investigar — justifica Sônia Brito, secretária-substituta de Vigilância em Saúde do ministério.

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Com base no relatório, que já vem sendo elaborado pelo Estado e não tem data para ser apresentado, as estratégias de combate ao vírus podem ser revistas. Como a vacina leva em média três semanas para imunizar as pessoas, a preocupação de momento é com o acesso ágil às doses do Tamiflu, distribuído de graça na rede pública de saúde.

O MS quer ter certeza se os mortos receberam o medicamento em dois dias, prazo considerado chave para sustar os efeitos da gripe A.

— Nessas mortes é provável que não houve o tratamento nas 48 horas — afirma o secretário Estadual da Saúde, Ciro Simoni, satisfeito pelo auxílio federal na investigação.

Estudo sinalizará mudanças na estratégia para 2013

O estudo também ajudará a sinalizar mudanças na estratégia de vacinação para 2013. Reforçar o número de doses e ampliar os grupos de risco estão na pauta para o próximo ano. Em 2010, quando o número de vacinas passou de 5 milhões no Estado, não houve óbitos entre os gaúchos. Em 2012, com pouco mais de 2,9 milhões de doses, os óbitos reapareceram e já somam 29 mortes.

— O grande objetivo de investigar casos graves e óbitos é buscar informações suficientes para mudar ou não as estratégias — explica Sônia Brito.

Entrevista

Médica sanitarista, a pernambucana Sônia Brito, 54 anos, responde interinamente pela Secretaria de Vigilância em Saúde, área do MS responsável pelo combate à gripe A. Em seu gabinete, em Brasília, recebeu Zero Hora. Confira trechos da entrevista:

Zero Hora — Em 2010 o Estado recebeu mais de 5 milhões de vacinas e não houve mortes. Se mais pessoas tivessem sido vacinadas, teríamos menos mortes neste ano?

Sônia Brito — Em 2010 vínhamos de uma pandemia. No Brasil e no mundo, desconhecíamos como se comportava a doença, era preciso usar todas as medidas possíveis. A partir do momento em que a OMS declara encerrada a pandemia, em agosto 2010, muda a orientação. Definimos os grupos de riscos e quantidades de vacinas com base na OMS, no histórico de comportamento ano a ano da doença e ouvindo um comitê técnico.

ZH — Mas a estratégia neste ano poderia ter incluído jovens adultos, que estão morrendo no RS?

Sônia — O comportamento da doença não foi de alarme em 2011, não havia evidência de que fosse preciso ampliar os grupos populacionais. Por isso vamos investigar. Nesse momento, o mais importante é dar acesso ao medicamento, que tem de sobra no país e precisa ser dado até 48 horas.

ZH — Os secretários de Saúde do sul do Brasil falam em vacinar mais e mais cedo em 2013. A senhora concorda?

Sônia — Oficialmente, não recebi o pedido. Todos os anos fazemos a análise técnica da campanha com a representação de Estados e municípios. Nesse momento seria precipitado dizer que vai mudar.

ZH — Mas é possível antecipar a vacinação no próximo ano?

Sônia — Não depende do Brasil, porque a OMS define a composição das vacinas em outubro, quando os laboratórios começam a trabalhá-las.

ZH — Por ter inverno rigoroso, o sul do Brasil tem cobertura diferenciada de vacinas?

Sônia — Na faixa de pessoas com morbidades, doenças que podem aumentar o risco, demos 500 mil doses para o Rio Grande do Sul, distribuídas conforme as características do Estado. Após, mandamos mais 300 mil para fechar a taxa de 80% nos grupos de risco. Por enquanto, não há previsão de enviar mais vacinas.

Saiba mais sobre gripe A
Principais sintomas da gripe A:
– Tosse e espirros
– Fortes dores no corpo, na cabeça e na garganta
– Febre alta,acima de 38°C
– Pode haver náuseas, vômitos e diarreia
– Falta de ar

Para prevenir a contaminação, é aconselhado:
– Higienizar as mãos com frequência, principalmente após tossir ou espirrar
– Utilizar lenço descartável para higiene nasal
– Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir
– Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca
– Não partilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal
– Evitar aperto de mãos, abraços e beijo social
– Reduzir contatos sociais desnecessários e evitar, dentro do possível, ambientes com aglomeração
– Ventilar os ambientes.

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