Trigo: Argentina se tornou imbatível no comércio internacional

“A Argentina se tornou imbatível no comércio internacional, porque pode oferecer trigo a preços C&F até US$ 90,00 mais baixos do que os demais concorrentes (americanos, russos, ucranianos, franceses)”. A avaliação é do analista sênior da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco, que analisa os primeiros movimentos do país vizinho após o fim das “rentencões” (impostos sobre exportações).

“Pela primeira vez em três anos, a Argentina voltou a vencer sozinha uma licitação no Egito, na noite passada. Foram dois lotes de 60.000 tons cada, ambos vencidos pela LDC a US$ 192,30 C&F, para entrega entre 21-31 de janeiro. A composição do preço foi a seguinte: US$ 174,88 FOB mais US$ 15,40 de frete”, conta ele.

Segundo Pacheco, além do trigo da safra 2014/15 (que sobrou, não-exportado), há ainda o cereal da temporada 2015/16, que está sendo colhido e do qual se calcula que haja outras 2,5 milhões de toneladas disponíveis para exportação. “O total da disponibilidade argentina seria ao redor de 6,78 milhões de toneladas”, aponta.

“A Argentina poderá colocar trigo no Brasil a preços baixíssimos. Se for preciso reduzir mais para vencer eventuais concorrências, os exportadores argentinos podem baixar mais o preço”, projeta o especialista. O único poder de barganha que os importadores brasileiros têm seria a concorrência do trigo uruguaio (no RS) e do trigo paraguaio (no RS e no PR).

“Contudo, não cremos que o trigo argentino tire fatias destes mercados. A principal consequência é que não haverá mais aumento do preço do trigo nacional daqui para frente. Falamos de aumento significativo, naturalmente, daqueles que vale a pena esperar. Nem com dólar alto, nem com nada. Há trigo de sobra no Mercosul para atender aos moinhos brasileiros e a preços baratos. A concorrência agora é de quem vende por menos”, conclui.

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