Tendência de queda de mortes no trânsito não se mantém no primeiro semestre do ano

O número de mortos no trânsito se mantém estável no Estado. Uma triste coincidência. São 1.001 mortes no primeiro semestre desde ano — exatamente igual ao mesmo período de 2011. Nem fiscalização mais acirrada, o cerco à embriaguez ao volante e campanhas para o respeito ao limite de velocidade são suficientes para estancar essa chaga. No último final de semana, foram 26 mortes — mais do que na Páscoa, quando 15 perderam a vida, e do que no Carnaval, com 18 óbitos.

O coronel Carlos Magno Schwantz Oliveira assumiu o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) há menos de um mês, saiu de férias e retornou à frente do órgão na segunda-feira. Foi recepcionado com um relatório que o deixou alarmado. Segundo ele, as circunstâncias das colisões fogem às expectativas:
— Tivemos um fim de semana de verão, com condições boas para um trânsito seguro. Quase todos os acidentes foram durante o dia e não na madrugada, como é de se esperar. É chocante.

Quando tragédias como essa saem da curva da “normalidade”, autoridades em trânsito penam em busca de explicações. Alessandro Barcellos, diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul e coordenador executivo do Comitê Estadual de Mobilização pelo Trânsito Seguro, se diz alarmado. Ele acredita que apenas investimento em tecnologia pode reverter o cenário. Barcellos cita a BR-116 — que teve 10 mortes no primeiro trimestre de 2011 e duas de janeiro a março deste ano — como exemplo.

— O que mata nas estradas é imperícia e excesso de velocidade. Será possível prevenir quando tivermos montado estradas monitoradas, como na França e no Chile. Ao avistarmos um carro cometendo uma imprudência, poderemos pará-lo mais adiante e autuá-lo. Para colocar esse plano em prática, teremos de reorganizar os recursos, mas é urgente e fundamental — disse Barcellos.

De imediato, pretende colocar em ação em setembro grupos da Brigada Militar especializados em trânsito agrupados em 16 comandos espalhados pelo Estado.

Maio e junho foram sangrentos no Estado
No início do ano, o Estado conseguiu uma façanha há tempos ausente: reduzir em 21% o número de óbitos. No quadrimestre, foram 3% a menos de mortes e uma queda de 6% em acidentes. Mas os meses que se seguiram foram sangrentos. Maio e junho somaram 343 mortes em 2012, contra 321 do ano passado – uma elevação de 6,8% no índice.

Para o chefe de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Marcos Martins Barbosa, o último fim de semana é o reflexo da falta de cuidado geral que o Estado dá para a questão.

— Neste foram 26. Jogamos com a sorte. No próximo pode ser 30. Não temos efetivos, nem recursos tecnológicos suficientes para impedir. O policiamento do final de semana é o mesmo de dias de semana. O condutor fica com essa sensação de impunidade, quando passa por uma estrada e não vê um policial sequer.

Barbosa salienta que o Estado tem todo o estudo e a condição de estancar o problema, mas não investe. A falta de efetivo tem sido uma reclamação costumeira. Apesar disso, comemora os números nas estradas federais, onde houve uma redução de 9,6% nas mortes. Barbosa conta que foi apenas com recursos para o pagamento de horas extras que conseguiu esticar o esforço de trabalho de sua equipe, driblando a falta de policiais para não descuidar da fiscalização.

Mas está longe do ideal. Para o próximo final de semana, por exemplo, não tem nada planejado. Reconhece que os esforços são apenas para os feriados.
— Não há como intensificar as barreiras em todos os finais de semana. O efetivo já trabalha mais do que as 40 horas semanais. Estamos estudando reduzir as escalas durante a semana para dar mais atenção ao sábado e domingo, mas isso depende de mudança na legislação.
Ideias para um trânsito mais seguro e consciente:

Condutores de veículos (26% das mortes)
– Controle de velocidade por meios eletrônicos, como radares e lombadas e videomonitoramento.
– Conhecer o veículo que está dirigindo e a estrada de destino. Caso não se sinta completamente seguro com o carro ou com a estrada, triplicar a atenção.
– A fiscalização não pode ser focada apenas na embriaguez. Testes de consumo de drogas, que se faz por meio da saliva, podem ser um aliado.
– É comum dirigir com o pensamento distante, mas a atenção nunca deve ser desviada do volante, das ruas e das placas de sinalização.
– Aumento de tecnologia de ponta, como painéis de mensagem variável alertando os condutores e rodovias inteligentes, com cabos e fios acoplados ao asfalto para o controle de velocidade.

Passageiros (22% das mortes)
– Devem comportar-se como copiloto, evitando conversas que possam distrair o condutor e orientando e chamando a atenção para um perigo em potencial.
– Precisam influenciar na boa postura do condutor, aconselhando com relação à ingestão de bebida alcoólica, por exemplo. Caso aquele que for conduzir o veículo ignorar os pedidos, o carona tem a obrigação de negar-se a acompanhá-lo.
– Alertar para a preservação do limite de velocidade também é tarefa de quem está de carona.

Motociclistas (25% das mortes)
– É comum a prática da direção perigosa desses motoristas. Costurar por entre os carros, passar o sinal vermelho, ultrapassar pela direita e não aguardar o sinal verde para avançar estão entre as atitudes mais comuns.
– Precisam de maturidade ao dirigir. Em muitos casos, abusam do excesso de velocidade e não é raro fazerem acrobacias enquanto pilotam.
– O respeito aos demais veículos é fundamental, já que são mais vulneráveis. Os equipamentos de segurança, como o capacete, jamais devem ser subestimados.
– A fiscalização deve ser ainda mais efetiva no caso das motos.

Pedestres (20% das mortes)
– Melhoria na iluminação em pontos de maior risco. Assim, o motorista consegue visualizar a pessoa na pista com maior antecedência.
– Construção de passarelas em trechos de maior número de acidentes.
– Ao fazer as travessias, o pedestre deve repetir o olhar para todos os lados e não cruzar as vias como se estivessem fugindo da própria morte. A faixa de segurança deve ser respeitada.
– A segurança do pedestre depende mais dele mesmo do que de quem dirige. Se ele sempre esperar o momento adequado de atravessar, dificilmente será atropelado.
– Evitar falar ao celular é uma atitude que deve ser adotada por todos aqueles que estão no trânsito, inclusive o pedestre.

Ciclistas (6% das mortes)
– O Estado tem de proporcionar ciclovia e ciclofaixas bem sinalizadas.
– Equipamentos de segurança no corpo e na bicicleta são indispensáveis.
– Andar junto ao meio-fio e manter 1m50cm de distância dos automóveis.
– Adotar sempre uma postura defensiva, posicionando-se como se o pior fosse acontecer.

Clicrbs

Compartilhe: