TCE vai inspecionar prefeitura de Jaquirana para investigar crime eleitoral

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai realizar uma inspeção na Prefeitura de Jaquirana, na Serra gaúcha, para apurar a suspeita de uso de recursos públicos para a prática de crime eleitoral. Interceptações telefônicas da Polícia Civil identificaram que votos eram trocados por dinheiro, rancho, eletrodomésticos e pneus.

Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Civil cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão na sede da administração municipal, na Secretaria da Fazenda, no comitê de campanha da coligação Unijaq – vencedora no pleito do início do mês -, em postos de combustíveis e nas casas dos supostos envolvidos. Três pessoas foram presas: Ivan Lauro Rauber, 40 anos, filho do prefeito reeleito Ivanor Rauber; o vereador reeleito pelo terceiro mandato Orestes Ângelo Andelieri, 55 anos; e o coordenador de campanha do prefeito, José Evandro Pereira dos Reis, 39 anos.

Ao menos 15 mil ligações foram interceptadas e revelaram o modo de ação do grupo. O titular da Delegacia de Polícia de Jaquirana, delegado Flademir Paulino de Andrade, conta que os suspeitos ofereciam todo tipo de vantagem em troca de votos. Entre elas principalmente dinheiro, combustível, madeira, transporte, serviços, passagens de ônibus, telhas, pneus, peças de veículos e até de avião.

Conforme o delegado, a quadrilha havia montado um verdadeiro esquema de corrupção eleitoral, com uma organização de funções bem definidas. Nas escutas foram constatados ainda indícios de desvio de dinheiro da prefeitura para uso na campanha do prefeito e dois vereadores eleitos foram flagrados comprando votos por meio de cabos eleitorais.

Os indiciados nos inquéritos ficarão sujeitos a penas que podem chegar a 25 anos: 12 anos por peculato, seis por transporte de eleitores, quatro por crime eleitoral e três por formação de quadrilha. Podem ainda ser ajuizadas ações eleitorais próprias para buscar a cassação de candidaturas ou de diplomações dos envolvidos. Os presos foram encaminhados ao Presídio Estadual de Vacaria, onde ficarão à disposição da Justiça Eleitoral.

Correio do Povo

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