Slim recomenda semana de três dias de trabalho

Sonho de muitos trabalhadores, uma semana de trabalho de três dias é a receita do bilionário Carlos Slim (controlador da Claro, Embratel e NET no Brasil), que alterna com Bill Gates o posto de homem mais rico do mundo, para a reduzir os índices de desemprego e, de quebra, permitir que as pessoas inovem mais, além de passar mais tempo com a família. Neste modelo, a jornada de trabalho seria de cerca de 11 horas por dia.

A proposta não é nova. Em junho de 2012, em uma conferência na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, o magnata das telecomunicações defendeu a jornada de três dias por semana, com “dez ou 11 horas, para ter livres os outro quatro dias e dedicá-los à família, a inovar, a cultivar-se o criar”. Desta vez, ele falou sobre a ideia em discurso no encontro anual da Fundação Círculo de Montevidéu, que aconteceu no Paraguai, no dia 18 de julho de 2014.

Na Telmex, gigante mexicana de telecomunicações de propriedade de Slim, os funcionários trabalham oito horas, de segunda a sexta-feira. Se a proposta fosse adotada na companhia, a jornada semanas ficaria sete horas menor. A questão é se a redução da jornada implicaria redução dos salários.

Questão de viabilidade

Para Gerardo Esquivel, economista do Colegío de México, a proposta de Slim “não tem lógica nenhuma”. Por sua vez, o professor e pesquisador Raúl Feliz Ortiz, do Centro de Pesquisa e Ensino Econômicos (Cide), acha “interessante” que Slim pensa sobre a questão da criatividade. “Merece ser estudada, mas não vejo viabilidade a curto prazo. A idéia de Slim é deixar mais tempo disponível para o ócio. Também seria preciso analisar isso do ponto de vista médico. Dá para manter a atenção por 11 horas seguidas? Não creio”, afirmou ao El País, lembrando que o sistema não está implantado em nenhum país.

Porém, já existem programas que combinam uma redução de horas trabalhadas com subsídios do Estado. Na Alemanha, por exemplo, o governo lançou um sistema chamado Kurzarbeit, pelo qual a jornada é reduzida em empresas que solicitam a mudança devido a problemas econômicos. O salário pago pela companhia aos trabalhadores diminui, e o Estado paga uma parte — mas não a totalidade — da diferença.

(O Globo)

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