Sementes de milho e arroz da Embrapa chegam ao Banco de Svalbard

As sementes de milho e arroz enviadas pelaEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa) para o Banco Global de Sementes de Svalbard – Global Crop Diversity Trust – no dia 4 de setembro de 2012 já chegaram ao seu destino e estão devidamente acomodadas a 20ºC abaixo de zero na caixa forte norueguesa, rodeadas pelo clima glacial do Ártico.

As baixas temperatura e umidade do Banco, situado na cidade de Longyearbyen, Noruega, garantem a baixa atividade metabólica das sementes, mantendo a sua viabilidade por um milênio ou mais, mesmo se houver falha no suprimento de energia elétrica. O envio das sementes brasileiras para o banco norueguês é mais uma ação da Embrapa em prol da segurança alimentar das gerações atuais e futuras.

A Empresa tem como uma de suas prioridades, desde a sua criação na década de 70, a conservação de sementes de importância para a agricultura e alimentação. Por isso, hoje conta com o maior banco de sementes do Brasil e da América Latina e um dos maiores do mundo, com mais de 120 mil amostras de cerca de 600 espécies.

A caixa forte brasileira é mantida na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF), e conserva as sementes a 20ºC abaixo de zero. Atualmente, o banco genético vegetal da Embrapa tem capacidade para conservar 240 mil amostras de sementes, mas já está em fase final de construção um novo prédio que vai praticamente quadruplicar essa capacidade de armazenamento, que passará a ser de 750 mil amostras de sementes.

Segundo o Chefe-Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Mauro Carneiro, “a participação da Embrapa nesta ação internacional sinaliza a sua preocupação com a segurança alimentar no Brasil e no mundo. O novo banco genético da Embrapa, em final de construção na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, será o nosso Svalbard para todas as sementes no Brasil”.

Coleções nucleares: reduzidas, mas representativas

Foram enviados à Svalbard 264 acessos (amostras de sementes representativas das espécies) de milho e 541 de arroz. Os acessos enviados representam coleções nucleares, ou core collections, como são conhecidas no meio científico. Essas coleções são compostas por um grupo limitado de acessos derivados de uma coleção vegetal, escolhidos para representar a variabilidade genética da coleção inteira. São coleções pequenas, mas estratégicas. Apesar do número reduzido de acessos, eles representam grande parte da variabilidade genética das espécies vegetais e normalmente não contém duplicatas.

As coleções enviadas à Noruega são provenientes dos Bancos Ativos de Germoplasma de Arroz e Milho, situados na Embrapa Arroz e Feijão e na Embrapa Milho e Sorgo, respectivamente. As amostras foram preparadas pelos curadores de arroz, Paulo Hideo, e de milho, Flávia Teixeira. Depois, foram encaminhadas à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, onde as sementes foram conferidas, desidratadas, documentadas e embaladas pelo analista e Curador de Cereais, Leonel Neto.

Tradicionalmente, as coleções nucleares são estabelecidas com tamanho em torno de 10% dos acessos de toda a coleção original e incluem aproximadamente 70% no acervo genético. No caso do milho, por exemplo, o banco genético da Embrapa Milho e Sorgo conta com cerca de quatro mil acessos e a coleção nuclear enviada a Svalbard contém 264 acessos, ou seja, aproximadamente 7%. Já em relação ao arroz, essa porcentagem é ainda menor, visto que dos aproximadamente 10 mil acessos que fazem parte do banco daEmbrapa Arroz e Feijão, estão sendo encaminhados 541 acessos, o que corresponde a 5%.

O envio de coleções nucleares é recomendado pelo Banco de Svalbard, como deixou claro o coordenador de operações, Ola T. Westengen, visto que garante a conservação das espécies e ocupa menos espaço no banco, que tem capacidade para quatro milhões e quinhentas mil amostras de sementes provenientes de todas as partes do mundo.

Além disso, como explica o Chefe-Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, “as coleções nucleares de milho e arroz encaminhadas, componentes básicos da alimentação mundial, são materiais caracterizados e representativos destes dois cultivos, garantindo a sua recuperação em caso de catástrofes”.

Arroz e milho: importância alimentar e cultivo secular no Brasil

A escolha das culturas de milho e arroz atende a uma das recomendações do Banco de Svalbard quanto à relevância para a segurança alimentar e agricultura sustentável. Além disso, são culturas que apesar de não serem originárias do Brasil, são cultivadas no país há séculos e, por isso, possuem características de rusticidade e adaptabilidade às condições nacionais.

A próxima cultura agrícola a ser encaminhada para o banco norueguês será o feijão, o que deve acontecer até o fim de 2012.

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

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