Raios matam cerca de 2 mil bovinos ao ano no Brasil

Relativamente comuns, os casos de gado morto por raios se proliferam no Brasil. Principalmente porque, quando há vento forte e trovoadas, os animais se aglomeram próximo às cercas ou debaixo de árvores, o que não deveria ser feito de acordo com especialistas. O comportamento do rebanho e a falta de prevenção agravam a situação, já que a descarga elétrica se espalha pelo chão por quilômetros e atinge várias cabeças de uma só vez. Embora não exista uma estatística oficial, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) estima que 2 mil cabeças sejam fulminadas por raios todos os anos no país. No Rio Grande do Sul, o período mais crítico ocorre entre os meses de outubro e março, pois as estatísticas mostram que o número de raios é maior no verão, época em que o calor favorece a formação das nuvens que geram as descargas elétricas.

Apesar do prejuízo, ainda são poucos os pecuaristas que estão atentos a formas de prevenção e a sistemas que abrandem os riscos e protejam o rebanho. “O pecuarista ainda não se ateve a pensar um pouco sobre o assunto”, reconhece Carlos Simm, presidente do Conselho Técnico Operacional da Pecuária de Corte do Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa). “Até mesmo para proteção do próprio campeiro que, diante de uma tempestade, até chegar em casa, está sujeito a intempéries”, acrescenta ele.

Nos últimos cinco anos, Simm estima ter perdido ao redor de 20 cabeças de gado. Segundo o pecuarista, um indicativo de que o animal foi vítima de um raio é quando ele engole a língua. Já o diretor da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Francisco Schardong, chegou a perder 14 animais de uma só vez. O episódio ocorreu há dez anos, em sua propriedade, em Itaara. “Os animais estavam todos agrupados perto do aramado”, recorda ele. “Isso acontece em toda empresa que é a céu aberto”, brinca Schardong.

A situação reforça a teoria dos estudiosos de que a prevenção não é uma prioridade nas propriedades rurais brasileiras. Deixar o campo na hora da tempestade e procurar se abrigar em local seguro, assim como não ficar em pontos altos e nem em cima do cavalo são algumas das poucas recomendações seguidas pelos pecuaristas no país.

Adaptações simples reduzem riscos

Algumas adaptações simples na propriedade rural podem diminuir os riscos causados pelos raios na atividade agropecuária e, consequentemente, os prejuízos em sua decorrência. Uma delas é a interrupção das cercas a cada 100 ou 200 metros. Basta cortar e aterrar o arame farpado, deixando uma distância de cerca de 10 a 20 centímetros entre uma madeira e outra. “Assim a cerca não fica contínua e o raio se propaga só até a próxima interrupção”, explica o pesquisador Osmar Pinto Junior, do Grupo de Eletricidade Estática (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Recolher o gado ao curral em dias de tempestade também ajuda na proteção dos animais. Outra dica é instalar um para-raios no local. No caso de rebanhos maiores, uma possibilidade é separar um espaço para os animais em uma área plana, sem árvores. Para proteger pessoas, a recomendação é procurar abrigo em locais seguros, como dentro de casa ou de um veículo fechado, e aterrar antenas parabólicas, comuns na zona rural, para evitar as descargas elétricas. Dados do Elat mostram que das 1,6 mil mortes por raios no Brasil entre 2000 e 2012, 61% foram em zonas rurais.

A Casa Rural oferece duas opções de seguro contra raios. Um deles protege semoventes, específico para animais de raça e identificados por meio de tatuagem. Segundo o gerente da Casa Rural, José Alcindo de Souza Ávila, é o mais indicado para episódios como estes, evitando que os pecuaristas tenham grande prejuízo caso um raio atinja animais de argola, de alto valor comercial. A cobertura varia de acordo com o estipulado na apólice, podendo chegar a 100%. A outra opção protege bens imóveis, como silos, galpões e residências também contra incêndio, explosão e vendaval.

Concentração de raios por km²/ano
Forquetinha: 16,13
São Pedro do Butiá: 16,07
Garruchos: 16,03
Santo Antônio das Missões: 16,01
Bossoroca: 15,75

(Correio do Povo)

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