Quase metade da população do país tem excesso de peso, aponta IBGE

Causada pela combinação de fatores genéticos, alimentação inadequada e sedentarismo, a obesidade é uma doença crônica que pode ser tratada e controlada. Mas a realidade brasileira não confirma a teoria: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase metade da população tem excesso de peso. É um mal à beira do descontrole.

O cenário motivou o Ministério da Saúde a modificar a idade mínima para quem precisa de cirurgia bariátrica (ou redução de estômago) de 18 para 16 anos. A decisão foi tomada com base em estudos que apontam o aumento crescente da obesidade entre adolescentes, como a Pesquisa de Orçamento Familiar de 2009 (POF). Segundo ela, na faixa de 10 a 19 anos, 21,7% dos brasileiros apresentam excesso de peso. Em 1970, o índice era de 3,7%.

Estima-se, ainda, que cerca de 30% das crianças brasileiras estejam em sobrepeso ou obesas. Para reverter essa estatística, explica a nutricionista Fernanda Guidi Colossi, é preciso intervir em casa e na escola, já que a doença é genética ou adquirida por meio dos ambientes de convívio.

– Filhos de pais obesos tendem a repetir esse modelo – afirma Fernanda.

A ascensão econômica e os hábitos de consumo da classe C podem estar entre as causas do crescimento da obesidade no Brasil. Segundo o médico Airton Golbert, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, com maior poder aquisitivo, as pessoas têm mais liberdade para consumir. Mas isso não significa, necessariamente, comer melhor. Outra questão que preocupa a classe médica é a quantidade de comorbidades (doenças associadas). Entre elas, diabetes, hipertensão e apneia do sono são as mais recorrentes.

– Se a coisa continuar assim, não teremos médicos para tratar todo mundo a partir de 2040. O controle dos demais fatores de risco não vai dar conta – afirma Bruno Caramelli, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Há opções de tratamento clínicas e cirúrgicas. A cirurgia bariátrica é uma delas, cogitada após acompanhamento clínico por mais de dois anos, sem sucesso. Útil também como tratamento complementar, pode ajudar no combate ao diabetes. Esse é um dos fatores pelos quais sua procura disparou nos últimos anos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o número de operações deste tipo feitas no Brasil subiu de 16 mil, em 2003, para 60 mil, em 2010.

Daniela perdeu 60kg

Aos 32 anos, a fisioterapeuta e instrutora de pilates Daniela Ernesto resolveu dar um basta na situação que vivia quando subiu na balança e viu o ponteiro marcar 118kg. Depois de 15 anos tentando emagrecer, optou por fazer a cirurgia bariátrica para perder peso e mudar seu estilo de vida. Os planos para o futuro, a saúde e a profissão influíram na decisão.

Sabendo dos riscos que corria e alertada sobre as dificuldades do pós-operatório, Daniela passou por um preparo que envolvia consultas com cinco especialistas diferentes – psicólogo, nutricionista, cardiologista, endocrinologista e clínico geral. Três anos depois, com 60kg a menos, diz se sentir renovada:

– No inicio, eu continuava com pensamento de gordinha. Fazia comida demais, ficava preocupada se ia passar nas frestas e não sabia que número de roupa vestir. Mas me orgulho quando minhas alunas dizem “quero ficar igual a ti”.

A fisioterapeuta alerta sobre custos que nem sempre são informados. Segundo ela, além dos R$ 21 mil da cirurgia, R$ 400 mensais foram gastos durante sete meses para repor vitaminas e evitar a queda de cabelos, dentes ou cílios. Mas também há a opção via Sistema Único de Saúde (SUS).

Clicrbs

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