“PT está descolado das grandes massas”, diz Tarso Genro

Governador afirmou que partido não previu problemas na saúde e no transporte

Durante uma pausa entre agendas da caravana de Interiorização do governo do Estado, que percorreu a Região Sul de terça a sexta-feira dessa semana, o governador Tarso Genro comentou a preparação do PT para as eleições do próximo ano. Para o governador, as manifestações que tomaram as ruas do país em junho mostraram que o partido, que disputará pela quarta vez o Palácio do Planalto, está descolado das grandes massas das regiões metropolitanas. “O PT não teve capacidade de previsão de problemas importantes na área da Saúde e do transporte coletivo que apareceram como vetores da manifestação.”

Para ele, é preciso que a sigla preste atenção muito maior nessas duas áreas e tenha capacidade de interferência sobre o governo, não sendo apenas um partido de apoio. “O PT tem que ter uma função mais propositiva, mais incidente sobre o governo para enfrentar questões do próximo ciclo do país. A vida das classes médias trabalhadoras nas regiões de alta concentração é muito sofrida, e o partido tem que estar na vanguarda desse movimento para propor políticas ao seu governo.”

Na opinião de Tarso, o PT foi excessivamente absorvido pelas funções de Estado. “Os nossos quadros mais experientes e maduros foram para funções de Estado, e isso debilitou a legenda na sociedade”, afirmou. Ao fazer o mea-culpa, o governador aponta que o PT deveria voltar a ser um partido de governo e, também, de movimento.

Saída do PSB

O governador também falou sobre a divisão da esquerda no Brasil, desenhada com a recente saída do PSB da base aliada de Dilma Rousseff (PT), articulação concretizada enquanto Tarso realizava a terceira caravana de Interiorização. “A esquerda, no país, em termos eleitorais, não teria mais do que 35% dos votos. O Rio Grande do Sul é uma exceção. Nós ganhamos a eleição praticamente só com partidos de esquerda.”

Para Tarso, o fato de a esquerda ter que disputar o centro político para governar requer concessões programáticas que, na sua concepção, cada partido encara de maneira diferente. “O Eduardo Campos (PSB), por exemplo, está supervalorizando a questão do choque de gestão, como se isso fosse essencial para governar o país”, disse.

Segundo o petista, a visão de seu partido é diferente: “Um choque de gestão, para nós (PT), é fortalecer as questões públicas do Estado e ter capacidade de investimento”. Ele admitiu, no entanto, que, em momentos decisivos, a esquerda precisa compor para manter a possibilidade de governos progressistas de centro-esquerda no país.

(Correio do Povo)

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