Produtores são multados por “manutenção” de soja guaxa em MT

Foram encontradas plantas tiqueras em 200 áreas fiscalizadas. Em pelo menos 200 áreas fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura (Mapa), foram encontradas plantas de soja guaxa (ou tiguera) em Mato Grosso. A informação foi confirmada ao Agrodebate pelo coordenador da Comissão de Defesa Vegetal da Superintendência Federal da Agricultura no estado (SFA-MT), Wanderlei Dias Guerra. A soja tiguera é a principal propagadora da ferrugem asiática, doença que compromete a produção de soja.

Estas plantas são aquelas que germinam de grãos que restam nas lavouras após a colheita ou dos que caem das carretas durante o transporte. A doença é causada por um fungo que se propaga facilmente com a ação dos ventos aliada ao clima quente e seco neste período do ano. Uma das medidas preventivas no combate à ferrugem é o vazio sanitário. Desde o dia 15 de julho até o próximo sábado (15) está proibido o plantio de soja. Em seguida, com a mesma finalidade de prevenção, entrará em vigor o vazio sanitário para o algodão em Mato Grosso.

Multas
O produtor que descuida da área e deixa surgir a planta no período de proibição pode ser penalizado. As multas podem chegar a 30 Unidades de Padrão Fiscal por hectare, o equivalente a R$ 1,3 mil em Mato Grosso.

Nessa semana um produtor de Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá, foi multado em 400 UPFs. “Encontramos plantas dentro de uma área de 200 hectares. O fato dele ter sido multado não exclui a obrigação de eliminar as plantas. Caso não tivesse feito isso, seria multado novamente”, informou o agrônomo do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) no município, Rodrigo Vicenzi.

A soja foi encontrada em meio a plantas de crotalária, uma leguminosa usada para o combate a pragas como nematóides (que provoca nanismo), ajuda na incorporação de nutrientes ao solo e até para a proteção contra incêndios nas propriedades. A recomendação para esses casos é verificar se há alguma soja guaxa antes do plantio da barreira. “O controle da soja em meio à crotalária não é muito fácil. São poucos os produtos que matariam a soja e não a vegetação de proteção. Mas ele deveria ter limpado a área antes da semeadura da crotalária”, explica o agrônomo.

Focos
Durante fiscalizações pelo estado, a equipe do Mapa registrou diversos focos da doença desde o início do vazio sanitário. Em algumas regiões os produtores limparam a área, mas devido às chuvas a soja guaxa voltou a aparecer. Wanderlei Guerra registrou essa situação em Sapezal, a 473 quilômetros de Cuiabá, e enviou fotos ao Agrodebate. “Felizmente as chuvas estão atrasadas por aqui e o plantio ainda não deve começar em 15 de setembro”, avaliou Guerra. Em uma outra situação flagrada pela equipe, plantas afetadas estavam crescendo na cidade. “Veja este caso em Sapezal, a planta de soja cheia de ferrugem e ainda por cima sendo irrigada”, relatou. Em Lucas do Rio Verde, a 360 quilômetros da capital, também houve registros na zona urbana.

Ferrugem
O Brasil registrou 265 ocorrências de ferrugem asiática na safra 2011/12 de soja. Em primeiro lugar aparece Goiás (108 focos), seguido de Mato Grosso (88) e Paraná (20). Os dados são do Consórcio Antiferrugem, que envolve a Associação de Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), juntamente com universidades e entidades privadas e públicas ligadas ao setor agropecuário.

Agrodebate..

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