Pílula antibafômetro não evita multa

Um vídeo popular na internet nas últimas duas semanas mostra um grupo de jovens testando o medicamento Metadoxil, que supostamente permitiria ao usuário beber várias doses de bebida alcoólica e burlar o teste do bafômetro. O DIÁRIO foi a campo para testar se o Metadoxil seria capaz de eliminar o álcool do organismo rapidamente a ponto de driblar o teste e a conclusão é: ainda não foi inventado um medicamento com essa função.

Na internet, um dos jovens toma o comprimido, ingere bebida alcoólica e sopra o bafômetro, que indica zero álcool no sangue. Seus dois amigos, que beberam junto, mas não tomaram o remédio, sopram o aparelho, que aponta presença de álcool na corrente sanguínea.

Obter o remédio foi relativamente fácil. De dez farmácias visitadas, duas venderam o medicamento sem constrangimento algum e sem receita, apesar de se tratar de uma droga com tarja vermelha, ou seja, vendida apenas sob prescrição médica.

A popularidade do vídeo fez com que o Metadoxil desaparecesse das prateleiras. “Vendi todo o estoque durante o Carnaval, depois que disseram na internet sobre o tal efeito de enganar o bafômetro”, disse o farmacêutico funcionário de uma das farmácias visitadas pela reportagem. “Já fizemos o pedido, mas ainda não recebemos mais do laboratório”, diz o balconista de outra farmácia. Ambos preferiram não se identificar.

Na bula do Metadoxil não constam efeitos colaterais a não ser “transtorno gástrico e erupção cutânea”. Para fazer o teste, o DIÁRIO tentou se submeter ao bafômetro utilizado pela Polícia Militar nas blitze, mas a corporação não atendeu ao pedido. A opção foi utilizar o bafômetro descartável do programa Direção Segura, aparelho que foi distribuído nas ruas da capital e nas estradas pelo governo.

Médico alerta que usar o remédio não deixa sóbrio
Na opinião do hepatologista (especialista no fígado) Roberto José de Carvalho Filho, não existe evidência científica nenhuma que comprove a eficiência do Metadoxil para evitar que o bafômetro aponte alguma quantidade de álcool no sangue.

O medicamento, segundo o médico, que também é membro da SBH (Sociedade Brasileira de Hepatologia), tampouco consegue deixar uma pessoa sóbria mais rápido para que ela possa dirigir após beber.

“Há estudos que sugerem que o uso dessa substância faz com que a quantidade de álcool no organismo seja mais rapidamente reduzida”, afirma Carvalho Filho. “No entanto, não existe nenhuma evidência de que o Metadoxil seja capaz de driblar o bafômetro. O álcool não é processado com uma rapidez tão grande para isso.”

Ainda segundo o hepatologista, o fato de o medicamento ser capaz de acelerar a metabolização do álcool não quer dizer que reduza a chance de o motorista que bebeu causar um acidente. “Essa é uma atitude que deve ser extremamente desencorajada”, afirma.

O uso do medicamento sem a prescrição médica pode causar efeitos colaterais como náusea, dor de estômago, reações alérgicas e até taquicardia.

Queda nos acidentes durante Carnaval
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) registrou queda nas estatísticas do Carnaval nos 70 mil quilômetros de rodovias federais brasileiras. Entre a 0h de sexta-feira, dia 8, e 0h de Quarta-feira de Cinzas, dia 13, a PRF computou queda de 18% no número de mortes, de 19% no total de feridos e de 10% no número de ocorrências. Em seis dias de operação, foram 3.149 acidentes, com 157 mortes e 1.793 feridos. Em 2012, a PRF contabilizou 3.499 acidentes, com 192 mortes e 2.207 feridos.

Resultado mais expressivo na frota
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (foto), divulgou os números. Ele informou que, no cruzamento com a frota de veículos, outro índice para medir a violência nas rodovias, a queda é ainda mais expressiva: menos 24% mortes. Também há queda de 25% no total de feridos e de 17% no total de acidentes. A redução dos casos foi atribuída por Cardozo ao endurecimento da Lei Seca.

Terra

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