PF monitora caso de repórter que deixou o País sob ameaças

O setor de inteligência da Polícia Federal em Curitiba monitora o caso que envolve ameaças registradas em dezembro contra o jornalista Mauri König, que coordenou a série de reportagens “Polícia Fora da Lei”, publicadas pelo jornal Gazeta do Povo em maio do ano passado, denunciando irregularidades nas polícias Militar e Civil do Estado. König, que está exilado em um País não revelado, disse em entrevista ao Terra que a secretaria de Segurança Pública foi “negligente e fez pouco caso das ameaças” e colocou em dúvida o trabalho desenvolvido da pela polícia estadual no caso.

Coordenados por um delegado da PF, policiais federais realizaram diligências na capital paranaense e recolheram informações para elaborar um relatório. O documento será encaminhado à ministra Maria do Rosário, que preside o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), órgão que tem por finalidade a promoção e a defesa dos Direitos Humanos. A ação da PF foi confirmada pela assessoria de imprensa do órgão. Detalhes da operação não foram revelados.

O monitoramento do caso foi solicitado pela própria ministra Maria do Rosário. De acordo com um delegado da PF, um relatório preliminar sobre o caso já foi encaminhado à Brasília. Se a SDH entender que é necessário, a Policia Federal poderá instaurar um inquérito para investigar o caso, em paralelo às investigações que estão em andamento no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

As ameaças

Em dezembro, jornalistas e a direção de redação da Gazeta do Povo receberam uma série de ameaças originadas em telefones públicos da capital. Foram três telefonemas, dois deles fazendo menção a um ataque contra repórteres do jornal. Em uma das ligações, o interlocutor se identificou como policial e disse que a casa de König seria metralhada por policiais do Rio de Janeiro. O jornalista já recebia ameaças desde maio, após a publicação das reportagens. Na época, um blog acessado constantemente por policiais civis, publicou comentários anônimos com ofensas e ameaças contra o jornalista que coordenou as reportagens, classificando-o como “inimigo público número 1 da Polícia Civil”.

A série “Polícia Fora da Lei” foi publicada pelo jornal a partir de maio de 2012, com denúncias de irregularidades na utilização dos recursos públicos e equipamentos destinados ao trabalho da polícia paranaense. Em maio, aGazeta do Povo publicou outra série denunciando irregularidades no uso de viaturas oficiais e na gestão do fundo rotativo da Polícia Civil.

Desde a publicação da reportagem, o celular e o telefone da casa do jornalista tocam a qualquer hora, mesmo nas madrugadas, com ameaças de morte. König, que é casado e tem três filhos, estpa agora isolado num país distante (que não foi divulgado), intercalando momentos de depressão e de incredulidade diante do caso. Ele aguarda a hora de retornar ao Brasil em segurança e continuar seu trabalho. “A saída do País foi decidida principalmente pela segurança da família”, disse ao Terra, por telefone.

Terra

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