PASSO FUNDO – Pesquisa busca otimização dos cultivos de microalgas para a geração do bioetanol

A jovem pesquisadora Grazieli Rodigheri, 23 anos, acadêmica do nono nível do curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Passo Fundo (UPF), venceu o Prêmio Aluno Pesquisador 2016 durante a Semana do Conhecimento da Universidade de Passo Fundo (UPF) na área de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias. A acadêmica pesquisou sobre a “Produtividade máxima em células e acúmulo de carboidratos pela microalga Spirulina platensis cultivada sob influência de altura de fluido e concentração celular inicial”. Em resumo, a pesquisa busca contribuir na otimização dos cultivos de microalgas para a geração do biocombustível bioetanol.

O trabalho é de coautoria dos acadêmicos Gabriel Crivellaro Gonçalves, Luiz Carlos Holz, Alan Rempel, Francisco Gerhard Magro e Ana Cláudia Freitas Margarites e foi orientado pela professora da UPF Dra. Luciane Maria Colla.

A Spirulina platensis é uma espécie de microalga. As microalgas são micro-organismos fotossintéticos que podem converter a luz solar, água e gás carbônico em biomassa. A biomassa dessa microalga pode ser utilizada em diversos setores, como de alimentos e ambiental. “A Spirulina contém em suas células grande quantidade de proteínas, que podem utilizadas no desenvolvimento de alimentos e fármacos, mas, dependendo de como é cultivada, pode conter maiores quantidades de carboidratos, direcionando a sua aplicação para a produção de bioetanol”, explicou a aluna.

Os benefícios da microalga são muitos, principalmente na área ambiental, pois são consideradas fontes energéticas renováveis, não agredindo o meio ambiente. Além disso, elas podem ser cultivadas em efluentes, promovendo o tratamento destes devido à sua capacidade de assimilar nutrientes, como o fósforo e o nitrogênio.

A pesquisa da acadêmica foi focada na utilização da microalga Spirulina platensis para a produção de bioetanol. Para isso se tornar viável, é necessário combinar altas produtividades celulares com alto teor de carboidratos, o que pode ser alcançado por meio de algumas técnicas de cultivo, como variação de luz, temperatura, nutrientes e agitação. “O trabalho tem o objetivo de avaliar a influência de diferentes parâmetros, a altura de fluido no reator e a concentração celular inicial, fatores que podem afetar a taxa de recebimento de luz pela microalga no reator. A luz é muito importante para o crescimento da microalga por garantir a realização da fotossíntese”, ressaltou Grazieli.

O estudo é importante porque busca o estabelecimento dos cultivos dessa microalga em escala maior. Além disso, sua importância está em identificar os parâmetros de cultivo ideais para melhores resultados em produtividade máxima de células e carboidratos e, a partir disso, a produção do bioetanol. “A pesquisa busca contribuir na otimização dos cultivos de microalgas para a geração do bioetanol. Pois, se alcançadas altas produtividades celulares juntamente com alto teor de carboidratos, o rendimento de bioetanol também será maior, viabilizando a produção desse biocombustível pelas microalgas”, enfatizou a acadêmica.

Resultados positivos
A pesquisa constatou que tanto a altura de fluido quanto a concentração celular inicial influenciam na produtividade máxima em células e no acúmulo de carboidratos pela microalga. A menor altura (10 cm) proporcionou maior produtividade máxima em células pela microalga enquanto que, para o acúmulo de carboidratos, os melhores resultados foram encontrados na maior altura testada (20 cm). A maior concentração celular testada (0,20 g.L-1) apresentou os melhores resultados para ambas as variáveis respostas.

O prêmio
A pesquisa conquistou o primeiro lugar no Prêmio Aluno Pesquisador na área de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias da XXVI Mostra de Iniciação Científica (MIC), que ocorreu durante a Semana do Conhecimento da UPF, no início do mês de outubro. O evento também integrou a X Mostra de Extensão. Foram aproximadamente 900 trabalhos apresentados na área de pesquisa, extensão e pós-graduação, e 13 alunos foram premiados. “Vencer uma competição científica faz sentir que todo o esforço valeu a pena e eu, como jovem pesquisadora, fui estimulada a me dedicar ainda mais na pesquisa, para obtenção de resultados e reconhecimento. Além do reconhecimento pessoal, a conquista é importante para compartilhar com a comunidade o trabalho realizado e assim valorizar a pesquisa na área, buscando sempre melhorias e novos pesquisadores incentivados a fazerem pesquisa científica”, declarou a acadêmica.

(Assessoria de Imprensa Universidade de Passo Fundo)

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