PASSO FUNDO – Pesquisa busca melhoria na qualidade da panificação de trigo na região da Produção

Vinculada à Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, a pesquisa trabalha a melhoria por meio de estratégias de manejo de fertilização

Aumentar a quantidade de trigo da classe pão na região da Produção do Rio Grande do Sul é uma das preocupações dos professores da Universidade de Passo Fundo (UPF) que desenvolve a pesquisa “melhoria na qualidade de panificação de trigo da região da Produção em função de estratégias de manejo de fertilização”.

Com o apoio da Secretaria da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do governo do Rio Grande do Sul, por intermédio do Programa de Apoio aos Polos Tecnológicos, o projeto é desenvolvido pela UPF, por meio da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV). A proposta é estudar o manejo de fertilizantes com nitrogênio e enxofre no cultivo de trigo, visando ao aumento da produtividade e da qualidade da cadeia produtiva regional.

Coordenada pelo professor Dr. Luiz Carlos Gutkoski, a pesquisa está em andamento e pretende avaliar estratégias de manejo de fertilização de cobertura com nitrogênio e enxofre, visando ao aumento da qualidade de trigo classe pão. A ideia, segundo ele, é propor para os produtores a adoção de estratégias de manejo de fertilização capazes de garantir a oferta de trigo de acordo com a demanda do mercado. Para isso, são realizadas avaliações das práticas utilizadas, como a caracterização tecnológica de amostras de grãos de trigo obtidos nos experimentos e a capacitação de recursos humanos por meio da troca de experiências entre produtores e alunos.

Na prática
A produtividade e a qualidade do trigo estão associadas às interações das características genéticas, condições ambientais e manejo da cultura. Entre as práticas de manejo, a adubação nitrogenada tem sido uma das principais estratégias para otimizar a produção, visando a maiores rendimentos e a melhor qualidade tecnológica do grão.

De acordo com Gutkoski, o nitrogênio é um dos nutrientes mais absorvidos pelo trigo, além de ser considerado o segundo fator mais limitante da produção agrícola. “A liberação de nitrogênio pelo solo depende da quantidade e do tipo de matéria orgânica presente, bem como do seu grau de mineralização, o processo envolve a ação microbiana, que libera o nitrogênio na forma amonical (forma mais comum de absorção), que, no solo, passa pelo processo de oxidação e transforma-se para a forma nítrica. No entanto, o fornecimento de nitrogênio pela matéria orgânica não supre a exigência da cultura do trigo, tornando-se necessária uma complementação através da prática da adubação nitrogenada, realizado na semeadura e em cobertura”, explica.

Experimentos de campo foram realizados nas safras agrícolas de 2012/13, 2013/14 e 2014/15, visando estudar estratégias de manejo de fertilização para que a qualidade do grão esteja em acordo com a classificação comercial. Gutkoski lembra que a Instrução Normativa nº 38, divulgada pelo Governo Federal em 2010, alterou a classificação comercial do trigo no Brasil, passando a ser usado novos valores para a definição da classe com base nos ensaios de força do glúten, estabilidade e número de queda. “Considerando que o estado já apresentava dificuldade para que o trigo produzido se enquadrasse na classe pão, essa alteração aumentou ainda mais o grau de exigência, sendo necessárias adequações para que o trigo colhido integre essa classe, eis que é o mais procurado pela indústria moageira. O manejo correto da aplicação de nitrogênio se mostra como uma importante ferramenta para ser atingida esta meta”, pontua.

O projeto
Aprovado pela Secretaria de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Estado foi fundamental para viabilizar ações junto à cadeia do trigo, visando à instalação de experimentos de campo para avaliar o rendimento e a qualidade comercial de trigo cultivado em diferentes estratégias de manejo para atender aos novos parâmetros de qualidade da classe pão.

Para isso, experimentos foram realizados na Faculdade de Agronomia da UPF; na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC/Lages); na Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen, e na Biotrigo Genética, empresa parceira do projeto. As análises foram realizadas no Laboratório de Cereais do Centro de Pesquisa em Alimentação (Cepa) da UPF.

Assessoria de Imprensa da UPF
Foto: Gelsoli Casagrande

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