PASSO FUNDO – Câncer ginecológico em tempos de pandemia

O diagnóstico precoce e a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) são as principais formas de prevenção

Julho é o mês de conscientização do câncer ginecológico, que abrange o câncer do endométrio, câncer de ovário, câncer do colo do útero, câncer vaginal e câncer de vulva. Esse tipo de câncer mata cerca de 15 mil mulheres por ano no Brasil. Números que reforçam a importância dos exames preventivos, essenciais para a cura deste tipo de tumor e de todos os demais, mesmo em tempos de pandemia de coronavírus (Covid-19), a qual está impactando o diagnóstico precoce e tratamento do câncer a nível global.

No Rio Grande do Sul, conforme dados do DataSUS, quase mil mulheres morrem todos os anos em razão dos cânceres ginecológicos. Só na macrorregião Norte do Estado, são cerca de 100 mortes anualmente. Os cânceres ginecológicos mais incidentes nas mulheres são o de colo de útero com uma estimativa de 16.710 novos casos por ano, o de ovário com 6.650 e o de endométrio com 6.540. “O câncer ginecológico não apresenta muitos sintomas. Por serem assintomáticos, há a necessidade de fazer exame de rotina para alcançar o diagnóstico precoce, que permite, na maioria dos casos, tratamentos menos invasivos, sem necessidade de quimioterapia, por exemplo”, ressalta o oncologista do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dr. Alex Seidel.

Os profissionais da área oncológica salientam que, tomando todos os cuidados primordiais para evitar a Covid-19, a população não deve deixar de procurar orientação médica e, ao perceber algum sintoma, deve procurar atendimento. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) estima que houve uma redução de até 80% no número de exames de diagnóstico e tratamento oncológico. “Em razão da pandemia do coronavírus, muitos diagnósticos chegarão em estágio mais avançado, isso ocorre principalmente pelo cancelamento de consultas médicas e pela não realização de exames destinados ao diagnóstico oncológico. Isso vai impactar muito na chance de cura, na qualidade e expectativa de vida do paciente”, destaca Seidel.

Câncer de colo de útero
Dos cânceres ginecológicos, o de colo do útero é o mais incidente. Em relação a todos os demais tipos, é o terceiro tumor mais frequente na população feminina e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

A principal causa desse câncer é a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), com transmissão sexual, principalmente. A prevenção inclui exames de rotina e a vacina contra o HPV. “Existe uma forma de prevenção no âmbito do SUS, que são as vacinas para meninas e meninos, entre 9 e 14 anos, e elas têm uma eficácia muito maior quando estes jovens ainda não entraram em contato com o vírus. E também tem o exame preventivo Papanicolau, que vai identificar a presença do HPV no colo de útero. As mulheres devem fazer este exame todo ano. É importante manter a regularidade na consulta com o ginecologista”, salienta o oncologista.

Câncer de ovário
O câncer de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer do colo do útero. Não costuma apresentar sintomas na fase inicial, mas quando cresce, pode causar pressão, dor ou inchaço no abdômen, pelve, costas ou pernas; náusea, indigestão, gases, prisão de ventre ou diarreia e cansaço constante.

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os principais fatores de risco associados a esse câncer são: idade (carcinoma epitelial) e histórico familiar de cânceres de ovário e de mama (mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2). Outros fatores de risco também importantes são: reprodutivos e hormonais, menarca precoce, menopausa tardia, obesidade e tabagismo.

Câncer de endométrio
O câncer de endométrio é mais frequente em mulheres após a menopausa e o sinal mais comum é o sangramento vaginal fora do período menstrual. Engravidar, prática de atividade física e peso corporal saudável são alguns fatores de proteção contra este câncer. “Assim como o câncer de ovário, vaginal e de vulva, é importante fazer consultas com o ginecologista e exames, como o ultrassom vaginal, por exemplo”, observa Seidel.

Jornalista Natália Fávero – Assessoria de Imprensa CTCAN

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