Parceria busca genes para enfrentar mudanças climáticas

Grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa) vai atuar em conjunto para gerar tecnologias genéticas e biotecnológicas que podem contribuir para a geração de plantas capazes de suportar estresses causados pelo aumento de temperatura no planeta. Dois graus Celsius. Essa é a previsão de aumento de temperatura na Terra em 2050, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), que busca fornecer informações científicas sobre esse fenômeno. Pode parecer pouco, mas, caso se confirme, esse aquecimento deve trazer forte impacto à produção de alimentos.

É o que aponta o estudo Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção Agrícola no Brasil – clique aqui para acessar (arquivo PDF) – publicado em 2008 pela Embrapa e Unicamp.

“As plantas cultivadas hoje não estão totalmente adaptadas para temperaturas que cheguem até 2°C e podem ter problemas. A produção agrícola do Brasil pode sofrer se nada for feito”, afirma o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa Informática Agropecuária(Campinas/SP), um dos autores da pesquisa.

E, justamente para buscar soluções para esse problema, a Embrapa e a Unicamp assinaram convênio de cooperação no dia 20 de dezembro de 2012. A parceria inédita no Brasil visa gerar tecnologias genéticas e biotecnológicas para o desenvolvimento de plantas melhor adaptadas às mudanças climáticas.

“Temos que enfrentar a questão do estresse hídrico, térmico e nutricional causado pelo aquecimento global, que afeta diretamente as plantas. Ao mesmo tempo, temos que prover alimentos para uma população crescente. Esses problemas são maiores do que qualquer instituição, isoladamente, pode resolver. É por isso que buscamos a união de competências com a Unicamp, que tem larga tradição em pesquisas com esses temas”, afirmou o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, durante a cerimônia de assinatura do acordo.

Cientistas já estão atuando juntos

Um grupo de 15 pesquisadores já trabalha, utilizando os laboratórios das duas instituições na prospecção de genes que possam, no futuro, conferir a cultivares comerciais características de tolerância aos estresses ambientais que devem se agravar. Nos próximos anos, será construído, no Parque Científico da Unicamp, um laboratório denominado Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada a Mudanças Climáticas (Umip GenClima). Esta será a primeira unidade mista de pesquisa envolvendo a Embrapa e uma universidade brasileira.

Segundo o coordenador da Umip, o pesquisador Paulo Arruda, professor titular do Instituto de Biologia da Unicamp, num prazo de três a quatro anos esse projeto poderá congregar por volta de 70 cientistas, além de alunos de graduação e pós-graduação. “Vamos descobrir os genes que existem nos mais diversos organismos e que possam ser, de alguma forma, introduzidos em plantas para que elas tolerem os ambientes estressantes”, ressalta.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília/DF) e aEmbrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP) formarão, junto com a Unicamp, o comitê estratégico do projeto, mas os resultados das pesquisas de base irão contribuir com os programas de melhoramento genético de todas as Unidades da Embrapa.

A Empresa que, no passado, já comprovou a capacidade dos cientistas brasileiros em gerar plantas comerciais adaptadas a condições de produção adversas. “O que nós temos que fazer é exatamente o que já foi feito com a soja e outras culturas. Temos total condição e conhecimento tecnológico para fazê-lo”, afirma Eduardo Assad.

Embrapa

Compartilhe: