Os textos da Escola João Ferrari que participaram da 3ª Olimpíada de Língua Portuguesa

PROGRESSO: A QUE PREÇO?
Os primeiros que ali chegaram encontraram um “mundo novo”, pois tudo tinha que ser feito. Havia boas terras que precisavam ser cultivadas; boa água, mas poços teriam que ser escavados.

Fixaram residência e as primeiras casas foram construídas. Começaram a preparar as terras e fazer suas plantações e a criar os animais. Como tudo aí era novo, um começo de uma nova vida, decidiram dar o nome para o local de Mundo Novo. E uma nova comunidade despontava.

No decorrer dos anos, novos moradores iam chegando e se estabelecendo. Havia comércio próspero, dois açougues, onde os donos trabalhavam em parceria: um abatia na terça-feira e o outro na sexta-feira. Assim, ambos tinham suas vendas garantidas e evitava atritos. Aí, todos se davam bem.

Havia também fábrica de rapadura e mandolate, engenho, moinho, ferraria, uma escola estadual rural na sede da vila e outras municipais que ficavam no estorno. Duas lojas, onde os moradores encontravam quase tudo o que necessitavam dois bares com bolão, que era diversão dos dias de chuva, sem falar no salão de baile que lotava nas noites de fandango.

Na Igreja Santa Terezinha muitos batizados e casamentos foram celebrados, primeiro pelo padre Paulo, que vinha de Sede Aurora e, depois, pelo padre Armando, que vinha de Campos Borges.

O time de futebol do Mundo Novo, diversão dos rapazes, recebia aos domingos os times das comunidades vizinhas ou, então, se deslocavam até as mesmas tudo pelo prazer de bater uma bolinha.

Mas não pense que, por terem suas necessidades supridas na própria comunidade, os moradores estavam isolados. Não. Havia uma linha de ônibus diária para Cruz Alta. Toda terça-feira, o ônibus que vinha do Salto do Jacuí passava pelo Mundo Novo e rumava para Espumoso. Duas vezes por semana, uma linha de ônibus saía da comunidade, passava por Quinze de Novembro, chegando até Ibirubá.

E a comunidade seguia sua rotina diária até que, de repente, sem que os moradores esperassem, chegaram os engenheiros do Estado dizendo que seria construída uma hidrelétrica no Rio Jacuí e as águas da barragem chegariam até a sede da comunidade. Os moradores teriam que deixar o local. Quem provasse que a sua propriedade ficava dentro dos limites da barragem receberia uma nova propriedade em outro local.

Os moradores, antes tranqüilos, tornaram-se apreensivos diante de um futuro incerto. Alguns não acreditaram que as águas da barragem chegariam mesmo. E se chegassem? Para onde iriam? Receberiam novas terras? As perguntas não se calavam nos pensamentos.

Os dias foram passando e as águas da barragem chegaram. O querido Mundo Novo, antes uma próspera comunidade, passou a ser um grande alagado. Seus moradores partiram em busca de um novo local para plantar seus sonhos e construir novamente seu mundo novo.

Espalharam-se por várias localidades. Muitos, antes vizinhos de todos os dias, não mais se reencontraram. Sonhos e projetos de vida ficaram para trás, em nome da expansão hidrelétrica do Estado. E eu pergunto: mas, a que preço?!

Josi Gonçalves de Castro – 1ª 1

 

POTENCIAL ENERGÉTICO DES(CAMINHO) PARA O PROGRESSO DE CAMPOS BROGES?
Campos Borges é um município gaúcho jovem, com apenas 24 anos de emancipação político-administrativa. Pertence ao COREDE (Conselho Regional de Desenvolvimento) Alto da Serra do Botucaraí.

Apesar de sua pouca idade, o município de 3.494 habitantes, segundo dados do IBGE/2010, destaca-se no mapa brasileiro pelas condições de clima e relevo favoráveis para a produção de energia elétrica.

Quando na década de 70, ainda distrito de Espumoso, foi uma das localidades afetadas pela construção da Barragem do Passo Real, um dos maiores empreendimentos tecnológicos da época.

A Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), responsável pela produção de energia no Estado do Rio Grande do Sul, percebeu um grande potencial no Rio Jacuí que abastecia essa comunidade.

O alagado desapropriou inúmeras famílias ribeirinhas que foram obrigadas a abandonar seus lares e emigrar para outros lugares, contando com a hospitalidade das pessoas dessas localidades que as acolheram.

Quatro décadas depois, a mesma empresa, agora conhecida como CEEE-GT (Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica), vislumbra no então município de Campos Borges uma possibilidade e ventos favoráveis para a instalação de uma usina eólica (energia limpa).

Com o apoio da Administração Municipal iniciaram-se, em 2011, as tentativas para implantação do parque eólico. A empresa estabelecia, no período de três anos, a instalação das torres para a coleta de dados. Isto possibilitaria medir a força dos ventos, cujo estudo prévio definia treze propriedades que abrangeria as localidades de Linha Paixão, Linha Costa, Vila Fogo e São José, numa área de 453,6 hectares, além de uma parte do município de Alto Alegre. Conforme os dados coletados seriam construídos aí os geradores.

Devido a dúvidas dos proprietários rurais, donos das terras onde supostamente ficariam as torres, a Estatal e a Prefeitura Municipal realizaram uma Audiência Pública a fim de responder a todas as dúvidas pendentes. De acordo com a CEEE-GT, os proprietários não perderiam as terras e ficariam com a participação no resultado da geração da energia que é vendida em leilões.

Apesar da empresa já possuir a assinatura do contrato com alguns produtores, outros foram radicalmente contra, alegando que seria praticamente impossível recuperar os prejuízos econômicos decorrentes da ocupação das terras pelos catalisadores.

Vale ressaltar que apenas alguns metros próximos às torres seriam interditados. O restante das terras ficaria a cargo do proprietário para usá-la da maneira que melhor lhe conviesse.

Na minha opinião, a construção da barragem do Passo Real trouxe reconhecimento, desenvolvimento e prestígio para nossa região, porém, afundou laços familiares junto com as águas que alagaram muitas terras.

Entretanto, em 2011, tivemos todas as possibilidades de trazer este prestígio para a nossa região, mas algumas pessoas escolheram viver na “cômoda” situação de monocultores de soja, deixando passar e ir embora junto com o vento o progresso que é o lema do nosso município.

Acredito, portanto, que as possibilidades de desenvolvimento sustentável ainda são raras, já que várias cidades almejam essa forma de produção de energia. No entanto, este pequeno lugarejo no noroeste do Rio Grande do Sul perdeu a oportunidade de gerar empregos, melhorar o potencial econômico, turístico e social da região.

Assim, Campos Borges, conhecida como a “Nascente do Progresso” e que tem no chimarrão a sua marca cultural tradicionalista, vê o “vento levar” a chance de ser um exemplo em geração de energia eólica.

Tassiele Toledo – 3ª 1

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