OPINIÃO – Terminada a safra sul-americana, as atenções se voltam para as lavouras dos Estados Unidos

Postado em 27 abril 2013 08:18 por jeacontece
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Terminada a safra anual de grãos de verão na América do Sul, as atenções e influências nas cotações se voltam ao comportamento da evolução na semeadura e desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos da América.

O maior produtor mundial já coloca suas máquinas nas lavouras, a partir da segunda quinzena de abril e se estendendo até o mês de junho. O início se dá pelo cultivo do milho, que é a principal cultura do país, e prossegue com a soja, a qual tem uma janela maior de tempo para o plantio. Porém, no final de seu cultivo, caso as baixas temperaturas predominem o rendimento final dos grãos pode ser comprometido.

Mas antes mesmo, relatórios divulgados pelo principal órgão da agricultura nacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os quais informam projeções de áreas plantadas, demanda por sementes e perspectivas de cotações para a safra, já influenciam, e muito, a cotação final dessas commodities no resto do mundo.

Porém, o mercado fica de olho mesmo durante a semeadura e o desenvolvimento das lavouras no chamado “Corn Belt”, o cinturão produtor americano. A partir daí, entrará em cena, outra expressão conhecida que dita a volatilidade e a tensão durante esse período, o “Weather Market”, ou seja, o mercado de clima.

É ele quem dita as regras para o avanço ou pausa na evolução de plantio, o estresse hídrico ou o excesso de chuvas no desenvolvimento das culturas. Isso ocasiona um aumento ou uma diminuição na área projetada esperada. Consequentemente, influencia na produtividade final de cada cultura afetando as projeções de oferta e demanda mundial do ano comercial e os estoques finais. E é isso que dita os preços do mercado.

A estimativa para safra 2013 do maior produtor mundial indica a perspectiva de colheita de milho de até 390 milhões de toneladas em uma área de 39,37 milhões de hectares, cerca de 400 mil hectares a mais do que na temporada 2012. Já para a oleaginosa, a produção deve atingir 92 milhões de toneladas, cerca de 10 milhões acima do ano de 2012, em uma área de 31,2 milhões de hectares. Esses números já indicam o quão importante é uma boa evolução no desenvolvimento das culturas para a regularização dos estoques finais mundiais.

Semanalmente, o órgão do governo divulga um relatório de avanço do plantio. Esse dado sai toda a segunda-feira e cria grande expectativa e volatilidade nas cotações. Os últimos dados divulgados indicam atraso na semeadura do milho devido à continuidade das temperaturas baixas de um dos invernos mais rigorosos já enfrentados pelos norte-americanos.

A provável regularização dos estoques mundiais já nos começa a mostrar sinais de enfraquecimento nas cotações para o segundo semestre de 2013. Caso realmente se confirme safra norte-americana recorde, somado com o que foi colhido na América do Sul, a perspectiva é de que realmente vejamos preços mais baixos tanto para soja, milho e trigo.

A soja não demonstra sinais de se valorizar acima dos 12 dólares o bushel e já se indicam preços na casa dos 24 dólares no interior do estado do Rio Grande do Sul para temporada 2014. No caso do milho, a pressão pode ser ainda maior. Calcula-se que o bushel deva valer cerca de 5 dólares no final de 2013. Isso aliado com a safrinha brasileira, que deve ser de 42 milhões de toneladas, realmente deve derrubar os preços do grão, já que a paridade na exportação fica abaixo do nível desejado pelos produtores.

O cenário local do trigo indica aumento de área para 1 milhão de hectares. No ano de 2012 a área cultivada atingiu 976 mil hectares. A produção deve ser de cerca de 2,3 milhões de toneladas. A tendência é de que os preços se mantenham atraentes, uma vez que a Argentina irá reduzir suas exportações e o Paraná, outro importante estado produtor, produzirá menos do que na temporada passada.

Portanto, é de ficar de olho nos céus americanos e já ir projetando a próxima safra brasileira, já que pode ser uma boa oportunidade de aproveitar as intempéries climáticas que podem afetar os produtores daquele país aproveitando para se fixar algo que cubra, ao menos os custos da produção.

João Pedro Corazza
Gerente Comercial de Negócios de Commodities da Agroinvvesti

Postado em 27 abril 2013 08:18 por jeacontece
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