Obrigado pelo batismo

O Tempo do Natal se encerra na celebração do Batismo do Senhor. Jesus vai ao encontro de João Batista para ser batizado e após vê o céu aberto, o Espírito descer sobre ele e escutar uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer” (Mc 1,7-11). Logo após inicia sua missão que São Pedro assim resume: “Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele” (Atos dos Apóstolos 10, 34-38).

Celebrando e meditando o Batismo do Senhor e a sua missão somos conduzidos a celebrar e meditar sobre o nosso batismo e a missão de seguidores de Jesus. O batismo marcou o início da missão de Jesus, assim como marca o início da vida cristã. Que grande dádiva é o batismo. Se faz necessário dizer diariamente “obrigado” pelo grande dom recebido, e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade de viver conforme o dom da vida recebido.

A liturgia batismal conduz, através dos ritos, o batizando, os pais e padrinhos a vivenciarem este dia sagrado, dos quais destaco dois ritos. O ritual sacramental inicia com um diálogo. “O que pedes à Igreja de Deus? Ou o que desejas? Ou para que viestes? ” As respostas também podem ser variadas: “A fé; ou a graça de Cristo; ou a admissão na Igreja; ou a vida eterna”.

A resposta, em outras palavras, revela o desejo de uma vida boa, de qualidade, uma vida verdadeira, de felicidade, de paz. Também está manifesto o desejo da eternidade que é um futuro desconhecido, como o é o dia de amanhã. Os pais ao levarem a criança para o batismo ou o adulto que pede o batismo está reconhecendo a incapacidade de garantir esta vida desejada no tempo futuro e, por isso, dirigem-se ao Senhor para obter dele este dom.

Também surge a pergunta: Como este desejo vai se concretizar? A resposta vai em duas direções. O batizado é inserido na Igreja que dispõe de meios para acompanhá-lo toda a vida. Oferece irmãos e irmãs para estarem presentes nos dias de alegria e de festa, como nas noites escuras da vida, como consolo e luz. O auxílio constante dos sacramentos são meios eficazes das graças divinas. A segunda direção da resposta lembra-nos que a família de Deus é destinada para ser eterna, porque é comunhão com Jesus Cristo que venceu a morte e tem nas mãos as chaves da vida. O batismo insere na comunhão com Cristo e assim dá a vida, e a vida eterna.

Um segundo rito a ser destacado é outro diálogo composto de três “não” e três “sim”. O batismo sendo um dom, o dom da vida, mas para ser acolhido e ser vivido exige um não e um sim. Toda amizade verdadeira desenvolve-se dizendo “não” ao que é incompatível com ela e um “sim” que a confirme e a fortaleça. Diz-se “não” ao pecado, a tudo o que causa desunião e ao demônio. Dizer “não” a tudo o que conduz e causa a morte, a uma “anticultura” que se manifesta, por exemplo, na droga, na felicidade falsa da mentira, dos preconceitos, no desprezo ao próximo e pelos que sofrem, pela ilusão das falsas promessas de felicidade, enfim é dizer “não” a tudo que ilude e causa a morte.

A seguir são ditos três “sim”: ao Deus criador que dá sentido à criação e à vida; a Jesus Cristo que deu a vida por amor e mostra o caminho da vida; e um “sim” à comunhão com a Igreja, na qual o batizando está pedindo para fazer parte e dela receber todos os dias os cuidados. O sim também pode ser ligado aos mandamentos: sim à família (4º mandamento); à vida (5º); “sim” ao amor responsável (6º); “sim” à solidariedade, à responsabilidade social, à justiça (7º); “sim” à verdade (8º); “sim” ao respeito do próximo e do que lhe é próprio (9º e 10º). É esta a teologia da vida, da cultura da vida, que se torna concreta, praticável e bela na comunhão com Cristo que caminha conosco na companhia dos seus amigos, na grande família da Igreja.

Dom Rodolfo Luiz Weber – Arcebispo de Passo Fundo

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