O Divino Espírito Santo

Na Solenidade de Pentecostes, nossa Diocese de Cruz Alta tem o Divino Espírito Santo como padroeiro. Dia 18 de maio, data próxima da Solenidade, foi oficialmente designado como sendo a dedicação da nossa Catedral, festa litúrgica para todos nós diocesanos. Ele está na Catedral Diocesana, bem no alto, num vitral iluminado, sobre o altar e sobre o Pai e o Filho. Nele está o símbolo por excelência do Espírito Santo, a pomba e os sete dons dos sacramentos. Ele está lá, quase escondido, como costuma estar o Espírito Santo em nossa vida. Onde está Ele? Ele está sobre tudo no que vem de Deus. Ele é Deus. Ele diviniza. Esta solenidade litúrgica, com tantos elementos portugueses, traz consigo muitas festividades.

Mas, se Ele está escondido, como é tão importante? A vivência unicamente do cristianismo como um seguidor de Jesus, o Nazareno, e a não vivência da intimidade com o Pai e com os pobres, está bem presente hoje. Basta vermos o exemplo de Jesus Cristo. Na verdade, Jesus Cristo, o Filho de Deus, encontrava-se com seu Pai sempre. Algumas vezes sabemos do que dialogavam, como na oração do pai-nosso (cf. Mt 6,9-13) e na profunda oração do Filho ao Pai (cf. Jo 17). O seu modo de viver, tão profundamente humano e misericordioso, viu assim a todos os pobres. Ele, contudo, tinha uma absoluta confiança no Pai. Como diria São Paulo: “eu sei em quem eu confiei” (2Tm 1,12). No grande relato da sua paixão, vemos esta garantia, quase nos dando a impressão de uma fé profunda, que Ele sabia em quem havia confiado. De fato, Ele “abrindo o livro, encontrou o lugar onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres’” (Lc 4,17-18). O Espírito Santo está sobre todos nós, pois o recebemos no batismo, se quisermos, em nossa vida e no nosso agir.

Nós, cristãos católicos, fomos batizados no Espírito Santo. Sabemos que Ele nos conduz à vida comum com o Pai e o Filho. Nós somos um em Cristo. Ele está acima de todos nós, ou se quisermos, no nosso meio, no nosso interior. “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo10,10). Pentecostes é a festa litúrgica do Pai que nos quer todos consigo, no seu Filho Jesus Cristo. Ele o faz pelo seu Espírito. Do próprio pastor Jesus Cristo, nos é dito: “ninguém tira a minha vida, mas sou Eu que a ofereço livremente” (Jo 10,18). A vida, com tudo o que ela tem de mais precioso, só a encontramos quando alguém a doa por nós. Isto, aprendemos de Cristo e, no dom do Espírito Santo, que é uma doação de Deus por nós. Quanto mais alguém doa sua vida por outros, pelo bem dos outros, mais vida corre nele! Assim, as grandes pregações de Pedro, nos Atos dos Apóstolos, nos discursos sobre Jesus e a morte humilhante que teve, mas que Deus o constituiu Senhor e Cristo (cf. At 4,10-12). Ou a atitude dos apóstolos que, ao retornarem de Emaús para Jerusalém, anunciaram tudo o que tinham visto pelo caminho (cf. Lc 24,35). Eles estavam cheios do Espírito Santo para anunciarem com tanta alegria que “nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (At 4,12).

“Vós não recebestes um Espírito que vos escraviza e volta a encher-vos de medo; mas recebestes um Espírito que faz de vós filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai” (Rm 8,15). O Espírito nos revela o sentido divino das Escrituras. Ele nos move interiormente e nos diz “vai” para sermos missionários. Ele transfigura o pão e o vinho em corpo e sangue de Cristo. Ele nos envia aos mais pobres. O Espírito Santo está sobre nós!

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta

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