O cooperativismo como diferencial

Em entrevista, presidente da Coprel destaca a sucessão familiar, a permanência do jovem no campo e a liderança da mulher como importantes para o futuro das cooperativas

Na década de 1920, a ACI (Aliança Cooperativa Internacional) definiu o primeiro sábado do mês de julho para a comemoração do Dia Internacional do Cooperativismo, e anualmente, propõe um tema que embasa os estudos, debates e comemorações relativas à data. Em 2014, o 05 de julho é o Dia Internacional do Cooperativismo, com o tema “Cooperativas conquistam desenvolvimento sustentável para todos”. Em razão da data, o presidente da Coprel Cooperativa de Energia, Jânio Vital Stefanello, fala sobre o assunto em entrevista, destacando os desafios da sucessão familiar e da permanência do jovem no interior.

ASSESSORIA COPREL: Aproveitando o tema definido pela ACI em relação Dia do Cooperativismo, por que as cooperativas conquistam desenvolvimento sustentável para todos?

STEFANELLO: As cooperativas conquistam o desenvolvimento sustentável porque contribuem para uma sociedade mais justa. O cooperativismo busca o equilíbrio entre a organização econômica, ou seja, a viabilidade financeira da instituição, e a inclusão social, que é a participação das pessoas que serão beneficiadas pelas atividades da cooperativa. O trabalho das cooperativas é voltado para que as pessoas e as comunidades tenham uma vida melhor.

ASSESSORIA COPREL: O que diferencia uma cooperativa de uma empresa?

STEFANELLO: O cooperativismo se diferencia de uma empresa principalmente pelo seu modelo de governança. No caso da Coprel, ficamos felizes em exercer um modelo de governança diferenciado. Cada município escolhe os seus líderes, e cada região escolhe os representantes que vão administrar a Coprel.  O modelo é provocador e estimula o surgimento de novas lideranças locais.

ASSESSORIA COPREL: Quais os desafios do cooperativismo para o presente e para o futuro?

STEFANELLO: Nossos maiores desafios são: a sucessão familiar, a permanência dos jovens do interior, a renovação do quadro social e o estímulo à maior participação das mulheres na liderança das cooperativas.

A sucessão familiar enfrenta uma série de questões culturais que afastam os filhos dos negócios da família. É necessário o diálogo entre a família, pois o filho não quer viver só de mesada. O jovem precisa e merece sentir-se parte do negócio, sentir-se “sócio” e não “empregado” dos pais. Para esse jovem permanecer no campo, ele precisa de tecnologia, precisa de internet. Este é um grande desafio do cooperativismo de infraestrutura e que está sendo assumido pela Coprel, com muito planejamento.
A renovação do quadro social está relacionada à sucessão familiar. Os jovens se sentem parte dos negócios da família ao assumirem responsabilidades, e uma dela é ser sócio de uma cooperativa, participar das reuniões, possuir bens em seu nome: uma ligação de energia, um bloco de produtor rural. É uma maneira consciente de se fazer a sucessão familiar e do quadro social.

Já a pequena participação feminina na liderança das cooperativas é um reflexo da nossa sociedade machista, que por sua configuração cultural, centraliza nos homens o poder de decisão sobre os negócios da família. A Coprel sente esses temas como grandes desafios do futuro e por isso estamos fazendo a nossa parte, levando tecnologia para o campo e planejando um modelo diferenciado de organização que contempla a inclusão de jovens e mulheres cooperantes nos conselhos da cooperativa. Trazer a mulher e o jovem para dentro da cooperativa vai nos ajudar a pensar mais na unidade familiar, e melhorar a visão de futuro da Coprel.

(Assessoria de Comunicação da Coprel)

Compartilhe: