NÃO-ME-TOQUE – Produtores conhecem nova forma de manejar vacas leiteiras

Um novo sistema de confinamento chamado Compost Barn (estábulo com cama de compostagem), que tem por finalidade garantir um ambiente mais confortável para vacas em lactação, foi apresentado pelo Gerente Nacional Ruminantes Tectron – Nutrição e Saúde Animal, Marcos Rezende, durante palestra, na manhã de terça-feira (17), no Me Toque Palace Hotel, para cerca de 30 produtores da área de atuação da Cotrijal interessados em adotar a prática.

De acordo com o especialista, o sistema é composto basicamente por uma área de cama comum (área de descanso), que pode ser dos mais variados materiais, como serragem, casca de arroz e pó de serra, que visa melhorar o conforto e bem-estar dos animais e, consequentemente, melhorar os índices de produtividade do rebanho. Rezende explica que o diferencial deste sistema é a compostagem que ocorre ao longo do tempo entre o material da cama e a matéria orgânica dos dejetos dos animais.

“No Compost Barn, o aproveitamento da cama de dejeto é o principal facilitador. No sistema free-stall, o produtor vai gastar R$ 4 mil para alojar uma vaca e mais R$ 4 mil para tratar dejetos. Já no composto, esse dejeto vira adubo orgânico para ser reiterado à lavoura. Além de diminuir gastos com produtos químicos, aumenta a qualidade do solo e a produtividade. É isso que todos buscam. O produtor de leite tem que ser um excelente agricultor para produzir alimento para a vaca. É assim que tem que ser”, ressalta.

“É um sistema que estressa menos e isso reflete em produção. Produtores que saíram de vaca a pastejo para o Compost Barn tiveram um aumento de dois a três litros de leite”, garante o coordenador do Departamento Veterinário (Devet) da Cotrijal, Alan Issa Rahman. Mas, segundo ele, é preciso manejar bem a cama para ter um bom controle de mastite por exemplo. “O ideal é que a cama seja movimentada de duas a três vezes por dia em todo o seu perfil e o cuidado para que não molhe para evitar a proliferação de bactérias”, observa.

Luiz Carlos Reisdorfer, 58 anos, de Almirante Tamandaré do Sul, é um dos produtores de leite da região que estuda implantar a nova forma de confinamento na sua propriedade. Ele conta que desde que a filha se formou em veterinária a família vem buscando novas alternativas para tirar as vacas do sol e do barro.

“Estou há 18 anos na atividade e o maior problema sempre foi o barro, a falta de água no pasto e o sol quente. Por isso, o interesse”, justifica. Recentemente ele visitou propriedades em Fortaleza dos Valos (RS) e Chapecó (SC) que já adotam o sistema há oito meses, além de propriedade em São Paulo, onde a nova forma de manejo é realizada há três anos. Reisdorfer possui 80 vacas em lactação que produzem, em média, 2,3 mil litros/dia.

Atento às explicações do especialista estava também o produtor de Victor Graeff, Ilton Markmann, 42 anos. Há algum tempo ele pensa mudar a forma de confinamento do gado leiteiro. “Nessa atividade, o barro e a umidade dificultam bastante. Para quem trabalha com um número maior de vacas e quer crescer dentro da atividade pode ser a solução”, afirma ele, que está há 25 anos na atividade e avaliando o custo inicial do investimento. A família tem 53 vacas em lactação e uma produção de 500 mil litros de leite ao ano.

(Assessoria de Comunicação da Cotrijal)

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