NÃO-ME-TOQUE – Fórum da Soja lota auditório central

27º Fórum Nacional da Soja abordou o mercado internacional, qualidade das sementes e a produtividade da principal cultura no País

O segundo dia da 17ª Expodireto Cotrijal começou com um debate que teve a soja como elemento principal. Durante o 27º Fórum Nacional da Soja, que aconteceu no Auditório Central do Parque, os painelistas apresentaram informações relativas à produtividade, qualidade das sementes, mercado internacional, dentre outros tópicos.

O primeiro painelista foi o professor e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Paulo Dejalma Zimmer. O palestrante tratou da questão da qualidade das sementes, que incide diretamente na produtividade da lavoura. “Temos tecnologia, genética e profissionais capacitados. Mesmo assim ainda é possível aumentar esta produtividade média de 50 sacas por hectare. A semente é o insumo mais negligenciado dentro da cadeia produtiva”, disse.

Também segundo Zimmer, além da qualidade da semente, outros aspectos técnicos devem ser levados em consideração, especialmente no preparo do solo e na semeadura. “Durante o processo de plantio é necessário ater-se à época, condições do solo, regulagem da máquina e velocidade de semeadura. Estes aspectos acabam sempre tendo menos atenção do que deveriam. Devemos identificar os pontos a corrigir para construir uma produtividade mais alta”, avaliou.

Para o pesquisador, o conhecimento de manejo, programa de nutrição e proteção da planta são essenciais para uma boa produtividade. “Posicionar a semente no local correto e ter plantas de alto desempenho é bastante sério e terá grande impacto na produtividade. Os produtores devem buscar utilizar somente sementes de altíssima qualidade. Isto certamente trará um melhor resultado. Precisamos nos dar a oportunidade de colher mais”, finalizou.

CENÁRIO ECONÔMICO

O cenário econômico também foi abordado no 27º Fórum Nacional da Soja. De acordo com Pedro Lutz Ramos, gerente de análise econômica do Sicredi, o panorama da economia mundial não apresenta grandes mudanças, considerando que as principais economias da Europa, fortemente atingidas pela crise de 2010, têm previsão de crescimento modesto para este ano.

Ramos também demonstrou que a China, que vinha tendo crescimento de até 9% ao ano, passa por um momento de readaptação e deve registrar um crescimento mais moderado no país que mais importa commodities no mundo. “Este cenário não demonstra grandes mudanças na importação e exportação de produtos agrícolas, e, a não ser que haja alguma mudança muito repentina, o mercado deve permanecer estável, inclusive em função da recuperação de economias importantes como a dos Estados Unidos, por exemplo”, disse.

Ainda de acordo com Ramos, após o período de crise, seria necessário que os Estados Unidos, conhecidos pelo protecionismo às commodities produzidas, reduzissem os subsídios do governo aos produtores, uma vez que a situação está bastante estável. “Apesar da variação da taxa de câmbio e a possibilidade de mudanças políticas no Brasil, a previsão é de que em pouco tempo as coisas se acalmem e o mercado volte a fluir normalmente”, disse.

BOA SAFRA DE SOJA

Também palestrou aos participantes o sócio-diretor do Grupo Agroconsult, André Pessoa, que afirmou a tendência de uma boa safra no Brasil, porém não de maneira uniforme, considerando que algumas regiões devem se sobressair em relação a outras. A previsão é de que o País colha algo entre 100 milhões de toneladas do grão, ficando atrás dos Estados Unidos.

Já em relação ao milho, ainda de acordo com Pessoa, a Bolsa de Chicago, órgão que regula os valores das principais commodities, espera por uma pequena elevação no preço atual de US$ 3,70 para US$ 4,00 o bushel. A manutenção da atual taxa de câmbio também aponta para uma boa situação aos produtores brasileiros. “Com o câmbio ficando como está no Brasil, os produtores rurais poderão vivenciar um cenário positivo para o futuro próximo do mercado da soja e mesmo do milho. Todavia, isso acaba se tornando uma incógnita diante do atual cenário político brasileiro”, destacou Pessoa.

(Assessoria de Imprensa Expodireto Cotrijal)

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