NÃO-ME-TOQUE – Cotrijal Pós-safra: o que pode alterar o preço da soja

O consultor Carlos Cogo (foto) orienta os agricultores a ficarem atentos a alguns fatores que têm influência no preço pago pela saca de soja. Por exemplo, se o dólar cair, as cotações também caem. Também pode colaborar para a oscilação negativa no preço algum evento internacional que leve a uma queda no preço futuro da Bolsa em Chicago, como a peste africana na China, que pode demandar um consumo menor pelos chineses e impactar nos preços do mercado interno brasileiro.

Por outro lado, pode contribuir para o aumento do valor da soja a subida do dólar (algumas consultorias já trabalham com dólar a R$ 5,80), aumento do prêmio no porto e fatores climáticos que impactem a safra norte-americana (algo que, hoje, parece improvável).

O produtor Markus Schmiedt, de Não-Me-Toque, faz com cuidado os cálculos para a próxima safra de verão, devido a alta no preço dos insumos. Ele defende o investimento no solo e, logo depois, em tecnologia de pulverização como essenciais para seguir com uma soja rentável.

“Meu receio é quanto a lavoura do ano que vem. Vou tentar guardar todo o dinheiro possível e imaginário porque não sei o que vai ser. Ao ficar dependendo de banco para tudo a gente pode acabar entrado numa ciranda que não é agradável. Como diz o chavão, seguro morreu de velho”, diz Schmiedt.

Insumos x preços dos grãos

Alta do dólar, do petróleo e dos fretes marítimos são algumas das razões que explicam o atual preço dos insumos, uma vez que o Brasil é importador destes produtos. O consultor Carlos Cogo (foto) projeta que os custos de produção da soja, para a próxima safra, vão subir, em reais, entre 18% e 20%.

“Mas este mesmo dólar que provoca isso também provoca uma alta no preço da soja. Então, resumindo, ano passado o produtor gastou em média 5,50 sc/ha para comprar um pacote de defensivo e, este ano, vai gastar entre 5,7 a 6 sc/ha. É um pouco mais, porém não é muito longe da média histórica porque a soja também subiu e a relação de troca segue relativamente boa”, considera Cogo.

O economista André Pessôa também demonstra otimismo. Ele explica que com o aumento do preço da soja toda a cadeia se beneficia e busca melhorar sua margem.

“O mais importante para os produtores é observar que os termos de troca permanecem em patamares favoráveis. E se conseguir obter uma boa produtividade, a rentabilidade ainda estará presente e bastante positiva para a safra 2021/2022”, aponta Pessôa.O gerente Comercial Insumos da Cotrijal, Diego Vinicius Wasmuth, também considera positiva a relação de troca mesmo com os insumos mais caros, uma vez que aumentou o poder de compra do produtor.

“Em alguns casos, como parcelamento de máquinas, o produtor precisa desembolsar apenas a metade da quantidade de sacas que precisava anteriormente”, afirma Wasmuth.

A recomendação agora, segundo Wasmuth, é para que o produtor vá travando seus custos de produção, uma vez que o mercado vive de ciclos e, como bem disse o produtor Markus Schmiedt, “o seguro morreu de velho”.

O superintendente Comercial da Cotrijal, Jairo Marcos Kohlrausch, reforça que o preço é uma das variáveis que não está na mão do produtor e que acertar sempre é impossível. “O negócio precisa ser planejado, olhando o todo da propriedade e sempre considerando que é preciso ‘olhar o copo cheio’: as travas a R$ 80,00 ou R$ 90,00, se olharmos do ponto de vista dos custos da época, foram bom negócio”, afirma.

Por Assessoria de Imprensa e Marketing da Cotrijal

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