Maria, mãe entre todos

Celebramos os setenta anos desta devoção mariana. Em tempos de pandemia, ainda não podemos caminhar e dizer um muito obrigado. Porém, como sabemos que ela é nossa “mãe”, podemos, por enquanto, ainda fazer em nossa casa. A Romaria ao Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Fátima, neste ano, tem como tema: “Maria, mãe entre todos”. A 70ª Romaria se realizará no dia 10 de outubro de 2021. A Romaria é nossa! É de todos nós, ninguém fica fora dela.

Querendo celebrar os setenta anos de devoção, procuramos ver a história. Desde a primeira, em 1952, muitas pessoas se reuniram. Estamos bem felizes com a história que está sendo escrita, por um pesquisador, na qual os relatos se tornam visíveis: as pessoas, os fatos, as fotos, o ambiente e os organizadores. Pe. Pedro Luiz Bottari, de 1948 até 1952, idealizou e reuniu muita gente para tornar concreto o “Monumento”. A construção de uma altura de 31 metros e uma imagem de seis metros. No dia da chegada, trazida de trem, a imagem da Virgem Maria veio de Portugal, presente do governo. No início, era somente o “Monumento”, que, aos poucos, foi se tornando maior, até os dias atuais.

“Com a instalação da Diocese, em 1973, ao assumir o primeiro bispo, Dom Paulo Moretto, a Romaria passou a ser mais organizada e planejada, tendo um foco mais evangelizador e pastoral. […] Dom Jacó Roberto Hilgert, segundo bispo da Diocese, deu um passo importante: transformou-a em Romaria Diocesana através da Carta Circular do dia 26 de setembro de 1978. É importante recordar o que escreveu naquela ocasião: ‘…com incontida alegria e justificada confiança, me dirijo a todos, para anunciar a 27ª Romaria de Nossa Senhora de Fátima e a Primeira em caráter diocesano…’ (Arquivo da Cúria Diocesana, Jubileu de Prata – 27ª Romaria de Fátima). A seguir, Dom Jacó diz o que significa este anúncio que ele está fazendo: ‘o anúncio significa: Preparação, Pregação, Oração, Penitência, Presença, Concelebração, Vivência’” (Diocese de Cruz Alta, 70ª Romaria Diocesana ao Santuário Nossa Senhora de Fátima, p.08). Então, desde 1978, nossa Romaria é diocesana. Todos os padres vem ao Santuário, junto com seu povo. Naquele dia, não se realizam outras programações na Diocese. A própria preparação é feita juntos, cada qual na sua família.

Como o salmista, rezamos: “Recordo saudoso o tempo em que ia com o povo. Peregrino e feliz caminhando para a casa de Deus, entre gritos, louvor e alegria da multidão jubilosa” (Sl 41,5). Com o tema da mãe de todos, está presente aquele sentido de que ninguém é excluído. Todos somos acolhidos. Toda a oração é bem vinda à “mãe”. Queremos ver em Maria o olhar benévolo de Deus, que quis que seu povo pudesse ver nela o olhar misericordioso de Deus que chega a nós. Na mãe, o Filho, nosso Redentor, vem a nós. Foi dito por Jesus a seu discípulo, na cruz, onde aparece claramente que ela é, sempre, nossa mãe. “Mulher, eis o teu filho! Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe’. A partir daquela hora, o discípulo a acolheu em sua casa’” (Jo 19, 26-27). De fato, não podemos ser cristãos sem a mãe. Maria, logo, foi acolhida com os apóstolos, “acolhida” com eles. Ela logo se fez uma com eles. A celebração dos setenta anos da nossa história de fé e devoção a Maria é ocasião para revermos nossa vida. Por isso, é tempo de um grande muito obrigado. A gratidão deve ser por causa de sua presença, normalmente anônima, na vida de tantos de nossa Diocese.

Enfim, nossa gratidão, a vocês os organizadores desta Romaria. Deus nos ajude, neste tempo de pandemia.

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta

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