Mais um pecado capital?

João Pedro Corazza

Gerente Comercial de Negócios de Commodities da Agroinvvesti
O artigo de hoje fica longe de ser considerado uma crítica, porém, serve de alerta para todos que produzem o alimento que ajuda a acabar com a fome do planeta. O agricultor, que além de enfrentar as mais diversas dificuldades para colocar o alimento na mesa, também precisa focar, junto com a produtividade, a obtenção de excelentes resultados financeiros da atividade. Resultados que garantirão sua manutenção no campo e a regularizarão dos estoques mundiais de grãos.

A volatilidade dos mercados e as excelentes médias de produtividade somadas ao ótimo momento vivido pelos preços mundiais dos grãos colocam o produtor em um certo patamar de conforto. Muita especulação é criada, várias informações são colocadas em jogo e a hora da venda do produto se transforma em um verdadeiro martírio.

Quem não ouviu falar que a saca de 60 kg de soja chegaria ao patamar dos R$ 100? E quem disse que não venderia milho abaixo dos R$ 30? Pois bem, a safra está chegando, a colheita do milho já iniciou e a pressão nos preços já se torna evidente.

O mais incrível é que as vendas não acontecem nos momentos de altas. A soja a R$ 85 parecia não ser atraente, perto do momento vivido pela demanda extremamente forte pela oleaginosa e pelas especulações de que subiria mais. Essas cotações a níveis recordes desencadeariam uma séria de preocupações, sendo que a mais evidente passaria pelo campo da inflação.

Hoje vivemos momentos opostos. A previsão é de safra recorde na América do Sul e de que novas áreas sejam destinadas a agricultura nos Estados Unidos. Com a regularização dos estoques não é de se assustar se os preços voltarem aos patamares de dois ou três anos atrás. O mercado caminha de acordo com a demanda e quanto mais oferta tiver a tendência é de menores preços.

Tudo bem que estamos passando por uma nova era na agricultura. Os tempos mudaram, os custos, as margens e os preços realmente são outros. Porém, a grande dúvida é o porquê não realizamos os lucros quando as cotações estão nos picos, maximizando nossos resultados?

Eu, particularmente me incluo em todo esse contexto por ser criado em uma família que é totalmente dependente da agricultura. Aquela pedida de querer sempre mais está no interior do ser humano. A vida se resume a evoluções constantes, ainda mais no mundo capitalista que é observado nos dias de hoje.

Esses preços elevados podem estar criando um novo pecado capital. Pecado esse que ainda não pode ser denominado, mas que pode trazer grandes prejuízos psicológicos, morais e materiais ao homem do campo. Ou um pecado que ensinará e mostrará o caminho para a descoberta da melhor hora de concretizar as vendas.

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