FMI alerta sobre cenário mundial e reduz previsão de crescimento do Brasil

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas projeções para o crescimento econômico global no relatório Panorama Econômico Mundial, divulgado ontem (16/07/12). O órgão apontou a zona do euro como prioridade e disse ser necessário que os políticos europeus ajam com vigor e velocidade suficientes para combater a crise da dívida. Em economias emergentes como o Brasil, o ritmo de crescimento também diminuiu.

Para 2013, o FMI reduziu sua projeção de crescimento global de 4,1%, anunciada em abril, para 3,9%. Os números para a maioria das economias desenvolvidas e emergentes sofreram reduções para o próximo ano. Já a previsão de crescimento mundial para 2012 foi mantida em 3,5%, após um primeiro trimestre melhor do que o esperado.

Para a economia brasileira, foi previsto um incremento de 2,5% até dezembro – 0,6 ponto percentual a menos do que na estimativa divulgada em abril. Em 2013, o FMI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresça 4,6% – 0,5 ponto percentual a mais do que o previsto em abril -, estimulado principalmente por investimentos para a Copa do Mundo de 2014.

De acordo com o relatório macroeconômico do FMI, o cenário de mercados em desenvolvimento – principalmente Brasil, China e Índia – foi afetado em parte pelo ambiente externo. “Mas a demanda interna também desacelerou fortemente em resposta a limites da capacidade e uma política monetária restritiva no ano passado”, diz o documento.

Muitas economias emergentes também foram atingidas pelo aumento do risco percebido pelos investidores e da incerteza com relação ao crescimento, que levaram não apenas à queda do preço de ações, mas também à migração de capitais desses países e à depreciação das moedas locais.

“Em economias emergentes, os tomadores de decisão devem estar preparados para lidar com declínios comerciais e a alta volatilidade dos fluxos de capital”, alerta o FMI.

Enquanto o crescimento previsto para as economias avançadas – que incluem EUA, Japão, Canadá, Reino Unido e países da zona do euro como Alemanha e França – ficou em 1,4% para 2012 e 1,9% para 2013, a projeção para as economias emergentes foi de 5,6% e 5,9%, respectivamente.

Risco europeu

Para a zona do euro, abalada pela crise, o FMI prevê uma crescimento negativo de 0,3% neste ano e um leve incremento da economia de 0,7% para o ano que vem. Estima-se que a economia da forte Alemanha cresça 1% em 2012 e 1,4% em 2013, e a da arrasada Espanha, por outro lado, encolha 1,5% e 0,6% no biênio.

“O risco mais imediato é que a ação política atrasada ou insuficiente intensifique ainda mais a crise na zona do euro”, afirma o relatório divulgado ontem. O FMI elogiou as medidas adotadas na cúpula dos líderes europeus em junho, consideradas “passos na direção correta”, mas pediu mais integração fiscal e bancária.

O Fundo pediu a criação de um mecanismo pan-europeu de fiscalização dos bancos e um mecanismo para salvar bancos falidos. A instituição considera que o Banco Central Europeu (BCE) deve lançar novas medidas não convencionais para apoiar a economia, como o regresso à compra de dívida pública dos países em dificuldades. “Solucionar a crise na zona do euro é a maior prioridade”, afirma o FMI.

Ameaça dos EUA

Apesar dos alertas sobre a zona do euro, o FMI deixou claro que a Europa não representa o único fator de risco para o crescimento econômico global. Nos Estados Unidos, o que preocupa é o chamado “abismo fiscal”, com o fim de isenções fiscais e uma série de cortes de gastos previstos a partir de janeiro, que poderiam levar a ainda enfraquecida economia norte-americana de volta à recessão.

Enquanto mercados financeiros acreditam que o Congresso norte-americano e a Casa Branca encontrarão um modo de evitar uma catástrofe fiscal, o FMI alerta sobre o “potencial para uma reação adversa caso tal visão consensual comece a vacilar”.

“Evitar o abismo fiscal, elevando prontamente o teto da dívida e desenvolvendo um plano fiscal de médio prazo, é essencial”, recomendou o Fundo aos EUA. As projeções de crescimento econômico para o país ficaram em 2% em 2012 e 2,3% em 2013.

Deutsche Welle

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