FDRH realiza 1º Encontro de Gestores de Políticas Públicas para LGBTs em parceria com a Unicruz

CRUZ ALTA – A Fundação para o desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH) / Rede Escola de Governo realizou, ao longo do dia, o 1º Encontro Estadual de Gestores e Gestoras de Políticas Públicas para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Simpatizantes (LGBTs). A atividade foi desenvolvida em parceria com a Universidade de Cruz Alta (Unicruz) e com a Coordenadoria Estadual de Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos.

O Diretor-Presidente da FDRH, Jorge Branco, salientou, durante a abertura do evento, o papel que a FDRH e a Rede Escola de Governo vêm assumindo para o Estado. “A FDRH está reconstruindo a capacidade do Estado de produzir politicas públicas. Para que efetivamente possamos promover igualdade e justiça, temos que investir na formação e capacitação dos servidores. Este é um programa descentralizado, com mais de 30 seminários sobre diversidade sexual e geracional em diversas cidades. Vamos atrás dos servidores nos mais diferentes cantos do Rio Grande do Sul”, enfatiza Branco. A FDRH investe mais de R$ 250.000,00 para a realização de 32 seminários sobre ambos os temas.

O Secretário Adjunto da Justiça e Direitos Humanos, Miguel Velasquez, fala sobre a eficácia da ação. “É importantíssimo preparar os servidores para que atendam toda e qualquer demanda. Uma das mais efetivas formas de combater o preconceito é trabalharmos com formação. Para mim, preconceito também é violação dos direitos humanos.”

O encontro pretende oportunizar aos gestores espaços de reflexão e discussão das questões de identidade de gênero, orientação sexual, homofobia e direitos humanos e faz parte do programa de formação continuada Gestão de Políticas Públicas para os Direitos Humanos com ênfase em Diversidade Geracional e Sexual desenvolvido em parceria com a Unicruz.

A reitora da Universidade de Cruz Alta, Elizabeth Fontoura Dorneles, destacou o papel da academia. “Precisamos ir ao encontro das demandas, buscar os temas para dentro da universidade, trabalhar com nossos pesquisadores e devolver à sociedade.”

Temas

As mesas de discussão abordam questões como: O Disque Direitos Humanos e as Perspectivas no Acompanhamento de Denúncias de Violência Homofóbica (Miguel Velasquez e Fábulo Nascimento Rosa); O Papel do Gestor Público LGBT e a Importância de uma Rede de Proteção de Direitos LGBT (Leonardo Bastos/Fórum Nacional de Gestores LGBT); O Papel do Educador na Construção da Escola sem Homofobia (Marina Reidel/Mestranda em Educação); Como Construir uma Rede de Proteção de Direitos LGBT Fortalecida e com Fluxo?(trabalhos em grupo) e O Mapa da Epidemia DST/AIDS no RS (Ricardo Charão e Alessandra Alberti/Secretaria da Saúde).
Precursora pela luta dos direitos homoafetivos participa da atividade

A desembargadora Maria Berenice Dias, precursora das conquistas de relações homoafetivas no âmbito do Judiciário, esteve presente ao encontro. “Precisamos criar uma mentalidade de cidadania, de igualdade. Somos tão cientes dos nossos direitos. Mas temos, também, de ir atrás dos direitos dos outros”, enfatizou. Maria Berenice é advogada especializada em Direito Homoafetivo e presidenta da Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB. Lidera um movimento nacional para criação de Comissões da Diversidade Sexual ligadas à OAB e que estão sendo criadas em todo Brasil. Além disso, lidera um abaixo-assinado a favor da aprovação do Estatuto da Diversidade Sexual. A campanha pretende conseguir um 1,4 milhão de assinaturas. Para assinar eletronicamente, acesse http://www.direitohomoafetivo.com.br/index.php.
Participantes

Entre o público, há representantes das prefeituras ou de organizações não-governamentais de Canoas, Esteio, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Candiota, Guaíba, sapucaia do Sul, Uruguaiana, entre outras. Entre as ONGs presentes, está a Outra Visão, criada em 1999 a fim de promover a cidadania e os direitos humanos para a população LGBT. Para a representante da organização, Priscila Leote, houve grandes avanços sobre o tema nos últimos dois anos. “Cada pequeno passo é importante. Criamos as nossas crianças cheias de preconceitos. Os meninos para serem servidos e as meninas para servir. Isso é resultado da educação. Então, trabalharmos a educação em todos os níveis é fundamental”, destaca.

Texto: Daiane Evangelista/ Assessoria FDRH

 

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