FAO: Brasil é referência mundial no combate à miséria

Postado em 06 fevereiro 2014 07:10 por jeacontece
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O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, disse ontem (04/02/14) que os avanços brasileiros em políticas sociais e de combate à fome “não passaram desapercebidos para o resto do mundo”. “Esse conjunto de políticas mudou o rosto do Brasil. Hoje, [o país] é referência mundial no combate à fome e à miséria. E o Brasil não tem se negado à responsabilidade de compartilhar seu conhecimento”, disse.

Graziano, que é brasileiro, deu as declarações em vídeo enviado para um seminário organizado para marcar os dez anos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), criado em 2003, por meio do qual a produção de pequenos agricultores é adquirida para a merenda escolar.

Representantes de países que usaram a experiência brasileira comentaram a implementação de suas próprias versões do programa. Entre outras iniciativas, o PAA inspirou o Purchase from Africans for Africa (PAA Africa), que reúne a FAO, o Departamento do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional e especialistas brasileiros. O PAA Africa atende a cinco países em caráter experimental: Moçambique, Senegal, Nigéria, Malauí e Etiópia. Além de compras locais para merenda escolar, os agricultores podem vender o excedente ao Programa Mundial de Alimentos (PMA) da FAO.

Segundo o ministro Milton Rondó, coordenador de Ações de Combate à Fome do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil, 5.187 agricultores, 125 mil estudantes e 434 escolas são beneficiadas pelo programa na África. “Tem se desenvolvido de forma diferente em cada país, de acordo com suas especificidades. Mas, nos cinco, a FAO organiza os produtores. É bom lembrar que parte da alimentação escolar [no Brasil] era feita pelo PMA até o início dos anos 1990. É um salto que os países também podem dar”, disse Rondó.

Alexandrer Wykeham Ellis, embaixador e representante do Ministério do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional, afirma que o país europeu investe no PAA Africa porque o programa funciona. “Meu país é capaz de aprender e não só ensinar. Posso ver uma coisa muito bem feita no Brasil e aprender como podemos fazer isso nos outros países”, disse.

Segundo Guidione Ezequiel Elias, da Associação Agropecuária Tilimbique, de Moçambique, o programa é útil em questões como a regularização e organização dos produtores, além de estrutura física e qualidade da produção. “Estamos na fase inicial, mas está nos ajudando muito. As associações [de produtores] não estavam bem legalizadas. Para vendermos nossos produtos, também era preciso ter bons armazéns. Construímos celeiros e, no fim de tudo, conseguimos vender o nosso produto de boa qualidade”, declarou, em participação no seminário.

Mulheres ampliam participação no PAA

Uma família de agricultores recebe um pedaço de terra em um assentamento rural no interior de Alagoas. A terra seca e até então pouco produtiva se transforma em oásis para o sustento da família de Luciene Maria da Silva Santos. “Eu olhava para os quatro cantos e dizia: e agora, meu Deus? Meu marido só sabia plantar inhame e tanger boi”.

A partir do inhame, no entanto, Luciene Maria da Silva Santos teve a ideia de fazer o pão, agregando valor à produção familiar. Hoje, além de fornecer alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), ainda sobra para vender na comunidade e nos estabelecimentos de Viçosa (AL), onde se localiza seu lote. “Eu levava os meus produtos para a rua, oferecia nos mercados, até conhecer o articulador do PAA no município, conhecer o sistema e desenvolver a panificação”, conta a agricultora.

Luciene é uma das muitas mulheres que tomaram a frente da produção familiar e que hoje representam 37% dos fornecedores do PAA. Segundo o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Arnoldo de Campos, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), a atual participação das mulheres é muito significativa. “É o resultado de uma ação objetiva, de dialogar com a sociedade, com as organizações da agricultura e priorizar a inclusão das mulheres”.

As experiências desse programa foram apresentadas ontem (04/02/14) durante o seminário internacional PAA Aquisição de Alimentos no Ano Internacional da Agricultura Familiar, em comemoração aos dez anos de implantação do programa, que possibilita aos agricultores familiares de todo o país a venda de produtos para o governo. Alimentos destinados a hospitais, creches, escolas, asilos e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Segundo a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, o PAA é referência mundial, pois conseguiu aliar o fortalecimento da agricultura familiar à produção de alimentos saudáveis e levar alimentação para pessoas em situação de insegurança alimentar. “Mais de 3 mil tipos de itens vêm sendo comprados pelo setor público, ajudando a construir a cadeia produtiva no Brasil e servindo de exemplo para outros programas, como o Pnae”.

Para o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Toledo (PR), José Augusto de Souza, que apresentou no seminário a experiência da sua cidade, se não fossem as mulheres, não haveria PAA. “Quem acreditou primeiro no programa foram as mulheres dos agricultores. Para nós, a mulher foi fundamental, e queria destacar isso. Se não fosse a visão feminina de produzir a bolacha, o pão, o macarrão, não teríamos esse sucesso”, disse.

Arnoldo de Campos disse ainda que o PAA é uma porta de entrada para o agricultor se inserir também no mercado geral. “A experiência de vender para o governo, que não é simples, serve de aprendizado e reflete na capacidade de lidar com o mercado privado, de participar de feiras e rodadas de negócio”.

Esse aprendizado, certamente, foi uma porta aberta para Luciene. “Com um programa desse à frente, não podia deixar passar a oportunidade, eu tinha a matéria-prima e tudo a meu favor. Coloquei o inhame no fogo, peguei a massa, fui fazendo para ver no que dava”, disse ela. Para a agricultora, o reconhecimento também é muito importante. “Não é só dinheiro em si, mas ver o nosso trabalho ser reconhecido, isso está me maravilhando”.

(Agência Brasil)

Postado em 06 fevereiro 2014 07:10 por jeacontece
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