Faltam professores capacitados no RS, aponta levantamento inédito

Um levantamento inédito demonstra que quase um em cada 10 professores não têm a formação mínima exigida para lecionar em escolas de Educação Básica nas zonas urbanas no Rio Grande do Sul. A situação é ainda pior na zona rural, onde a proporção de educadores em desacordo com o que recomenda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) chega a 18,7%.

Desde 1996, a LDB prega a formação em curso superior de licenciatura para os professores — embora, ainda hoje, seja tolerado o Magistério em nível Médio para quem trabalha com Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Mesmo assim, cerca de 10% do magistério gaúcho não apresenta o nível desejado nas áreas urbanas, conforme estudo da ONG Todos Pela Educação.

Na faixa da Educação Infantil até o 5º ano do Fundamental, 9,73% dos educadores não têm curso superior em licenciatura ou de Magistério em nível Médio, o que representa 4,8 mil profissionais. Do 6º ano até o final do Médio, quando se exige a formação universitária, 10,46% não ostentam nível superior ou não têm licenciatura — ou 5,5 mil professores.

— Uma formação adequada, com certeza, traria resultados melhores para os alunos. Em um curso superior, os professores estão em contato com conhecimento estruturado, em um ambiente que propicia reflexão — sustenta a gerente dos cursos de Licenciatura da Unisinos, Maria Cecília Bueno Fischer.

Embora concentre um número menor de professores, a zona rural ostenta os índices mais preocupantes — quase um quinto de quem dá aulas nas áreas mais longínquas do Estado, entre as séries finais do Ensino Fundamental e o final do Médio, precisaria aprimorar os próprios estudos antes de ensinar crianças e adolescentes.

O desempenho gaúcho, porém, ainda é melhor do que a média nacional: nas séries finais do Fundamental e no Médio, a inadequação atinge 14,8% do magistério nas áreas urbanas e 49,9% nas zonas rurais do país. Um dos fatores que dificultam o aprimoramento dos mestres distantes das grandes cidades é que também estão mais afastados das opções de curso superior.

Por isso, Sônia Marilda do Amaral Abreu, 53 anos, precisou abandonar a área rural de São José do Norte, no sul do Estado, para poder realizar o sonho de prestar uma faculdade.

— É uma interrupção parcial, viu? Eu quero mesmo é me formar e voltar a dar aulas, e pode ser mesmo na zona rural de novo — garante Sônia.

O Plano Nacional de Educação prevê, até 2020, que os professores da Educação Básica contem com formação em licenciatura. A Secretaria Estadual da Educação (SEC) informou que não havia disponibilidade para se manifestar sobre esse assunto hoje.

Fonte: clicrbs

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