Experimento detecta ondas gravitacionais e confirma previsão de Einstein

Postado em 15 fevereiro 2016 06:59 por jeacontece
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Fenômeno foi antecipado pela Teoria da Relatividade Geral

Pesquisadores do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (Ligo, da sigla em inglês) anunciaram nesta quinta-feira terem detectado ondas gravitacionais, fenômeno previsto por Albert Einstein há cem anos na Teoria Geral da Relatividade. A descoberta foi feita no dia 14 de setembro, nos Estados Unidos, e aceita para publicação na Physical Review Letters, de acordo com comunicado do instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech).

Os cientistas afirmaram terem detectado “distorções no espaço e no tempo”, que acreditam serem fruto da interação entre dois enormes buracos negros. De acordo com a Teoria Geral da Relatividade, existem objetos que convertem parte de sua massa em energia e se desprendem em forma de ondas que viajam na velocidade da luz e se deformam no seu espaço de tempo. A fonte de ondas gravitacionais é fusão de buracos negros supermassivos. Einstein advertiu que essas fusões ocorrem tão distantes que suas vibrações não são possíveis de serem detectadas desde a Terra.

Candidata ao Nobel

“É a primeira detecção direta das ondas gravitacionais e abre um novo capítulo na astronomia”, declarou o cientista italiano Fulvio Ricci, coordenador do projeto Virgo, colaborador das pesquisas do Ligo. Previstas há um século por Einstein, as ondas gravitacionais são ondulações no tecido do espaço-tempo provocadas por eventos cósmicos violentos, como quando se atira uma pedra em uma lagoa.

No caso das ondas descobertas pelo Ligo, a origem do fenômeno está na colisão entre dois buracos negros ocorrida 1 bilhão de anos atrás. Ou seja, para a física a novidade é duplamente surpreendente, já que também dá a primeira prova direta da própria existência dos buracos negros. “Observamos o primeiro evento em absoluto no qual uma colisão não produz dados observáveis, a não ser por meio das ondas gravitacionais. Durou uma fração de segundo, mas a energia emergida foi enorme, equivalente a três massas solares”, acrescentou Ricci.

Os dois buracos formavam um “casal”, ou seja, um sistema binário no qual um orbitava em torno do outro. “Tinham uma massa de 29 a 36 vezes superiores à do Sol. Se aproximaram a uma velocidade impressionante, próxima daquela da luz. Quanto mais se aproximavam, mais amplo e frequente ficava o sinal, como um zumbido agudo. Então ocorreu a colisão, um gigantesco choque no qual se formou um único buraco negro”, explicou o cientista italiano.

O primeiro sinal que confirma a existência das ondas gravitacionais foi detectado pelo Ligo em 14 de setembro de 2015, dentro de uma janela de apenas 10 milissegundos, na Europa, pelo italiano Marco Drago, enquanto se encontrava na cidade alemã de Hannover. A descoberta ocorre três meses depois do centenário da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, que revolucionou a compreensão do Universo. Desde já, a novidade é forte candidata e levar o prêmio Nobel de Física em 2016.

(Correio do Povo)

Postado em 15 fevereiro 2016 06:59 por jeacontece
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