Estudo: Brasil é 46º em ranking de capacitação profissional feminina

As mulheres brasileiras são mais capacitadas para o mercado de trabalho do que a média mundial, mas o País ainda impõe diversos desafios para o crescimento profissional feminino, segundo o levantamento “The Tird Billion”, da consultoria Booz & Co, divulgado nesta segunda-feira.

Em um ranking com 128 nações, o Brasil ocupa a 46ª posição, atrás de países como Mongólia, Moldávia e Ucrânia, além dos latino-americanos Argentina, Uruguai, Panamá e México. A lista é liderada pela Austrália, seguida, respectivamente, por três nações escandinavas (Noruega, Suécia e Finlândia) e pela Nova Zelândia. A pior avaliação foi a do Iêmen, seguido por Paquistão, Sudão, Chade e Síria. Entre os Brics, o Brasil ficou atrás de África do Sul e Rússia, mas à frente de China e Índia.

O nome da pesquisa está relacionado à expectativa de que 3 bilhões de mulheres atuem no mercado de trabalho na próxima década, embora em condições considerada insatisfatórias. Foram levados em conta seis principais fatores: educação e preparo para o mercado; igualdade salarial entre os gêneros; não-discriminação no acesso ao trabalho; relacionamento com os empregadores; nível de ocupação e direitos oferecidos às mulheres nas empresas e participação total feminina na economia de cada país.

Cruzando as estatísticas, o Brasil obteve um índice 53,7, intermediário entre a Austrália (70,6) e o Iêmen (26,1). No item em que foi melhor avaliado (acesso das mulheres ao mercado), o País conseguiu o 29ª lugar. No pior (igualdade de pagamento), a colocação foi a 65ª.

Com uma diferença média de 38,5% entre o salário dos homens e das mulheres (segundo números de 2007 e 2008), o Brasil ficou entre os piores avaliados na América Latina no quesito. Além disso, o desemprego feminino é maior do que o dos homens (9% ante 6%) e a maioria das empregadas exerce trabalhos informais, com destaque para a função de empregada doméstica.

Outro problema de destaque apontado pelo estudo é precariedade do acesso à educação, especialmente entre as famílias mais pobres, mesmo com o crescimento da classe média. Valores culturais também foram considerados prejudiciais: segundo a consultoria, no Brasil é pouco aceito que mulheres casadas recebam mais do que os maridos, o que inibe a ambição feminina. Sem especificar números, a pesquisa diz que grande parte das mulheres se declararam conformadas em não confrontar homens nos ambientes de trabalho com receio de não serem compreendidas.

Apesar das críticas, foram ressaltados avanços brasileiros, sobretudo na possibilidade de mulheres abrirem um negócio próprio. Dilma Rousseff, primeira mulher presidente do País, foi classificada como uma “inspiração”.

Por fim, a Booz & Co sugere que o governo reduza impostos de mães solteiras e grandes empresas treinem suas funcionárias para ocuparem cargos de chefia.

Terra

Compartilhe: