Escolas de Tapera participam da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa

As escolas das redes municipal e estadual de Tapera, participaram da 3ª edição da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, cujo objetivo consiste em oportunizar aos alunos a reflexão, a leitura e a produção textual, para que sejam pessoas capazes de tornar melhor o lugar onde vivem, além de desenvolverem as competências linguísticas necessárias ao exercício da Cidadania.

Na fase escolar foram escolhidos os melhores textos e enviados à Comissão Municipal, que escolheu o melhor texto de cada categoria, enviando-os à Comissão Estadual, que fará a escolha de até 500 textos, por categoria. Na etapa regional serão premiados, no mês de novembro até 152 textos. Na Etapa Nacional, serão escolhidos até 20 textos (cinco por categoria), e acontecerá no mês de dezembro.

Confira a seguir os textos escolhidos na Comissão Municipal:

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA – 2012
Categoria: Artigo de opinião
Escola: EEEM Dionísio LothárioChassot
Turma: Ensino Médio
Nome: José Anildo Brum da Silva
Professora: Melita Inez Gatto

ONDE ESTÃO OS PROFESSORES?

Tapera é uma cidade localizada ao norte do rio Grande do Sul. Ergueu-se ao redor de uma indústria de couros, porém sua principal atividade econômicaé a agricultura. Com 57 anos de emancipação, conta com uma população de pouco mais de 12.000 habitantes. Marcada na região por ter dentre seus educandários uma escola Normalde 2º Grau que formou centenas de professores de séries iniciais vindos de diversos municípios vizinhos, uma das razões pela qual é chamada de Cidade Cultura. No entanto, atualmente as escolas sentem falta de professores, especialmente para as séries finais do ensino fundamental e ensino médio.

O que se sabe é quealunos que concluem o ensino médio, optam por diversos cursos superiores, ou de nível técnico sem demonstrar interesse por cursos de Licenciatura. É uma triste realidade e a preocupação que tenho como cidadão é a grave falta de professores, pois as escolas buscam esses profissionais em outros municípios para preencher seus quadros. Certamente um dos motivos que desestimulaesses profissionais diz respeito aos baixos salários. Sinto muito, pois o professor merece ser valorizado. Aeles, devemos nossa formação e conhecimento adquirido. Não podemos deixar a cidade cultura diminuir o seu ritmo de educaçãopois a base da instrução que crianças e jovens recebem será fundamental para toda a sua vida futura tanto no âmbito profissional quanto ao seu crescimento pessoal.

O que se pode dizer é que talvez esses educadores não queiram apenas aumento salarial e sim reconhecimento e respeito de toda uma sociedade por exercer umaprofissão tão linda que é o ato de ensinar, dessa forma contribuindo para o desenvolvimento intelectual das pessoas. Isso deveria fazer com que jovens capacitados fossem motivados a frequentar cursos de nível superior voltados à preparação para sala de aula, a fim de que o valor à educação fosse resgatado com maior estímulo por parte dos governos, das famílias e dos próprios alunos que hoje sentem a falta de profissionaisnas salas de aula.

Espera-se que, assim como nosso município tem grande desenvolvimento na agricultura que se moderniza, nos esportes que se destacam, nas indústrias quesão incentivadas a se estabelecerem aqui, também ocorra uma grande mobilização pela educação e assim novos profissionais possam se preparar para as salas de aula garantindo um futuro com possibilidades de aulas inovadoras e qualificadas às novas gerações.

Categoria: Crônica
Nome: Tainá Barbosa da Rosa
Turma: 8ª série
Escola: EMEF Presidente Costa e Silva
Professor: Vinicius Linné

UMA REFORMA PARA TAPERA

Moro em Tapera, um lugarzinho escondido no interior do Rio Grande do Sul. Minha cidade é conhecida como “Cidade Cultura”. Mas não é sempre isso que percebo à minha volta. Todos os dias eu vejo as pessoas jogando lixo nas ruas, largando entulhos em terrenos baldios, poluindo nossos campos, nossos rios.

Isso sem contar no que vejo as pessoas fazendo consigo mesmas. Crianças e adolescentes todos os dias acabam com uma partezinha mais de suas vidas, usando drogas e roubando para consegui-las. Jovens meninas se tornam mães sem preparo e, pior, sem amor.

Ah, pobre Tapera. Uma cidade que pode ser um bom lugar para se viver. As ruas são calmas, a cidade é pequena, tranquila. As pessoas se dão quase sempre bem. Mesmo assim, muito precisaria mudar.

E só juntos é que poderíamos renovar essa tapera. Pintar suas paredes com as tintas da conscientização, varrer desse chão a sujeira, as drogas, a falta de amor. Em um mutirão belíssimo poderíamos consertar nossas janelas quebradas, ter orgulho de olhar para fora. Poderíamos tirar o pó dos tapetes, limpar as cadeiras e receber todos com orgulho, servindo aqui um bom chimarrão.

Será reconfortante saber que somos muitos. E que caminhamos na mesma direção, que pensamos da mesma forma, que estamos engajados numa cultura de paz, almejando um mundo melhor para as nossas crianças.
Eu quero muito que isso aconteça, que Tapera, cujo nome significa “casa abandonada” possa assim se tornar uma mansão, onde convivam conosco, em harmonia, a cultura, a força, a união e o respeito.

Categoria: Memórias literárias
Nome: Ezequiel de Oliveira
Turma: 7º ano
Escola: EMEF Francisca Cerutti
Professor: Vinícius Linné

A VOLTA AO PARAÍSO

Eu me lembro, sei que me lembro, de quando tinha nove anos e morava em um lugar que chamava de Paraíso. Eu tomava banho de sanga, subia na em árvore comer pitanga, achava ninhos e pegava minhoca para tratar passarinhos. Nas tardes de mais calor, estendia uma rede entre as arvores e me embalava. Era só o canto das caturritas que me acordava.

Foi então que recebi uma noticia que ferio meu coração. Teria que abandonar aquela terra que era minha paixão. Minha mãe estava desempregada e não tinha como nos sustentar. Viemos para TAPERA, para a vida melhorar.
Quando voltei ao Paraíso a imagem que eu vi foi de chorar. Na minha sanga limpa o esgoto estava a misturar. Ao invés da pitangueira encontrei um poste em seu lugar. Pensei em ir embora, mas uma vos me chamou, era a natureza que me pedindo socorro gritou.

Percebi que aquele lugar poderia voltar a ser paraíso, se cada um sua parte fizesse. Reunimos mutirões, limpamos ruas que mais pareciam lixões ,plantamos arvores , libertamos aves, mas o principal foi conscientizar a população que lugar de lixo não era no chão.

Cada um passou a cuidar um pouquinho do meio ambiente e assim o Paraíso voltou a ser um lugar contente. Com árvores a embeleza, pássaros a cantarolar e gente por mim informada para do ambiente cuidar.

Afinal, se o planeta é nosso, ajudar a cuidar eu mesmo posso.

Categoria: Poema
Nome: Larissa de Mello Ferreira
Turma: 6º ano
Escola: EMEF João Batista Mocelin
Professora: Mariane Herberts

SOU ESPECIAL

Nasci em Espumoso,
na Vila Paz me criei,
lá sempre viverei
pois sei que lá
sempre vencerei.
Coisas boas já vivi
coisas ruins deixei pra trás
e dos meus objetivos
vou correr atrás.
Nos meus estudos
vou me dedicar
cada vez mais
melhorar o meu futuro
sei que sou capaz.
Na Vila Paz onde quero sempre estar
pois quero um bom casamento arrumar.
Minha vida é especial
não existe outra igual…

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