Escola Dionísio completa 75 anos de história

A história da Escola Estadual de Ensino Médio Dionísio Lothário Chassot de Tapera, confunde-se com a própria história da Educação de Tapera porque sua formação incorporou o Grupo Escolar Barão de Caçapava, o Ginásio Taperense e, durante algum tempo a Escola de Aplicação, anexa à Escola Normal de Tapera, hoje Instituto Imaculada. Para entender toda a história é preciso especificar a fusão destas escolas, a qual reescrevemos através de registros deixados pelas pessoas que aqui passaram e as quais lembramos com imenso carinho por fazerem parte do atual momento que estamos festejando: os 75 anos desta instituição.

Consta que na década de 30, havia em funcionamento na Vila Tapera, a Escola das Irmãs designada Escola Nossa Senhora Imaculada e a Escola do Professor Joaquim Fernandes do Pillar. Com o crescimento da economia, surgiram os moinhos, ferrarias e uma indústria que marcou definitivamente a história de Tapera: a firma Mombelli & Cia. O surgimento desta indústria de couro, pioneira na região, foi fonte de desenvolvimento, de trabalho e de crescimento da cidade. Com ela também surgiram casas comerciais, oficinas, padarias, etc. A população até então voltada à cultura agrícola, era composta unicamente por alemães e italianos. E a população cresceu significativamente com grande número de operários.

A comunidade começou a lutar por um ensino público gratuito, pois o Colégio das Irmãs atendia uma parcela da população que podia pagar os custos do ensino. Conforme consta no livro “Afinal, quem é Lydia?”, da autora Déa Mombelli Bicocchi, a questão da vinda do Grupo Escolar para Tapera, atribui-se à Lydia e seu pai Guido Mombelli.

Em 1937, essa reivindicação foi atendida e surgiu o Grupo Escolar Barão de Caçapava. Inicialmente, o Grupo Escolar funcionou no local onde está a expedição da antiga firma Mombelli & Cia, hoje Curtume Tapera. Para concretizar esse sonho, Guido Mombelli doou o terreno para a construção do Grupo, local onde hoje funciona o CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) e o Centro de Convivência do Idoso. Com o tempo, a Escola do Professor Pillar se incorporou ao Grupo. Inicialmente houve certa rivalidade entre alunos da Escola das Irmãs e do Grupo, pois a Escola pública era do povo, dos pobres, sem muita ênfase no cunho religioso. Já o colégio das irmãs era da elite, havia a ênfase na religião e havia uma mensalidade fixa.

Esta situação começou a melhorar quando o Grupo Escolar passou a ter professores da localidade que se integravam mais com a comunidade, pois eram mais conhecidos, o que incentivou sua valorização. Por sua vez, o Colégio das Irmãs, necessitou da colaboração de leigos para lecionar. O ensino no Barão de Caçapava ia até o 5º ano. O aluno que quisesse continuar os estudos tinha que se deslocar de Tapera e era considerado privilegiado.

O primeiro passo para a fundação do Ginásio Taperense foi a criação da Sociedade Cultural Taperense, em 16 de junho de 1957, cujo presidente era o prefeito, na época, Dionísio Lothário Chassot. Como consequência natural do anseio de uma comunidade que lutou pela escola pública nas séries iniciais, o Ginásio Taperense veio trazer a continuidade de estudos tão sonhada pelos taperenses.

O Ginásio começou a funcionar em caráter precário no prédio do Grupo Escolar, à noite, em 1958. Todo taperense quis estudar e alunos que há muito haviam deixado os bancos escolares voltaram aos estudos. Para tanto, era necessário prestar exames de admissão ao Ginásio, bastante concorridos, pois as vagas eram limitadas. Também foi nesta época que foi fundada a Biblioteca Escolar Barão do Rio Branco, que em 2012 completa 50 anos de existência.

Com o passar do tempo, o Ginásio, melhor estruturado, passou a ter dependências físicas adequadas ao seu funcionamento. Em 1962 a Sociedade Cultural Taperense construiu o 1º bloco de alvenaria, onde hoje é a Escola Dionísio Lothário Chassot. Era uma construção com seis salas de aula e secretaria. Com a clientela de alunos em idade regular aumentando, o Ginásio passou a funcionar com a 1ª e 2ª séries ginasiais no turno da manhã e à tarde, completa de 1ª a 4ª série no turno da noite.

O Ginásio era particular. O aluno pagava mensalidade à Sociedade Cultural Taperense que por sua vez mantinha o prédio e pagava os professores.

Com o passar dos anos, a Sociedade Cultural Taperense enfrentou problemas para o pagamento de seu quadro de professores e encargos sociais. Os professores, por sua vez, solicitavam contratos estaduais para outras escolas da região, visto que a remuneração era melhor. Grande parte dos alunos considerava as mensalidades muito elevadas. Por todos esses motivos, passou-se a reivindicar uma escola estadual. O Ginásio Taperense funcionou até 1971 e nos anos seguintes gradativamente cessou suas atividades e fundiu-se com o Grupo Escolar Barão de Caçapava.

Em 1971 ocorreu uma grande mudança nas leis do ensino. Foram implantadas novas diretrizes para o ensino de 1º e 2º graus. O antigo primário (1ª a 5ª série) e o Ginásio (1ª a 4ª série) deixaram de existir, dando lugar ao ensino de 1º grau (1ª a 8ª série), sem exame de admissão ginasial. A Lei 5692/71 foi implantada após muito treinamento e divulgação, empreendendo profundas mudanças na Educação e com ênfase à obrigatoriedade do ensino de 1º Grau, dos 7 aos 14 anos. Dadas às características da época, e, em decorrências dessa Lei, a prioridade no ensino era dada à profissionalização a fim de promover o ingresso dos jovens no mercado de trabalho.

Grande parte da população não tinha condições financeiras para pagar o Ginásio, nem o ensino do 2º grau. O Grupo Escolar necessitava de prédio novo, pois já estava funcionando em condições precárias. Por várias vezes, a comunidade taperense havia solicitado ao Governo do Estado a encampação do Ginásio. Novamente a comunidade voltou à luta, solicitando uma escola estadual. Em 24 de abril de 1972 essa reivindicação foi atendida, tendo sido firmado um Termo de Comodato entre a Sociedade Cultural Taperense o Governo do Estado, criando a Escola Fundamental Estadual Taperense.

A Escola Fundamental passou a funcionar no prédio do Ginásio Taperense que foi cedido pela Sociedade Taperense ao Estado e congregava os alunos das três escolas. Os professores do Grupo passaram a atuar na nova escola e os professores do Ginásio e Escola de Aplicação, desde que preenchessem os requisitos legais, foram contratados pelo Estado, bem como direção e coordenação pedagógica.

O prédio do Grupo Escolar Barão de Caçapava, pelo termo de comodato, seria utilizado para instalação de oficinas, o que não ocorreu pelo péssimo estado de conservação do mesmo. Mais tarde foi reconstruído pelo CPM junto às demais instalações da Escola.

Foi uma tarefa árdua unir três escolas com filosofia de trabalho, metodologia e área de atuação diferente, numa só escola. Mesmo assim, considerando-se a nova realidade, o momento educacional vigente e as exigências impostas pela mantenedora, no caso, o Estado, todo esse processo foi realizado.

A Escola se tornou grande, com grande número de alunos e funcionando nos três turnos. A implantação da reforma de ensino foi gradativa até se extinguirem as últimas séries do Ginásio.

Em 1974 a Escola Fundamental Estadual Taperense deparou-se com uma dificuldade técnica: a Escola não tinha ato legal de funcionamento e, por pareceres legais, não podia funcionar com esse nome.

Para resolver essa situação, a dependência administrativa estadual foi mantida. A Escola continuou a atender no mesmo local somente passou a funcionar como se fossem três escolas, isto é, o Grupo Barão de Caçapava, o Ginásio Taperense e a Escola de Aplicação.

Existia sempre o problema do espaço físico, pois a matrícula aumentava e o espaço físico era o mesmo. Ainda outro fato veio agravar ainda mais esta situação: o encerramento das atividades da Escola Particular Nossa Senhora Imaculada, de Pré a 5ª série e os alunos dessa escola foram incorporados ao Grupo Escolar Barão de Caçapava. Muitos alunos estudaram em salas improvisadas.

O Estado decidiu locar o prédio de propriedade das Irmãs e para lá foi transferida a Escola de 2º Grau e a Escola de Aplicação. O problema do espaço físico foi amenizado, porém não teve solução, pois aqui se chegou atender 54% dos alunos de 1º grau de todo o município.

Em 1976, foi construído o 3º bloco da Escola, em dois pisos, num total de 800m2, dotando a escola de salas para administração, além de amplas e arejadas salas de aula.

Com a implantação da Reforma de Ensino, a Escola se reestruturou e surgiu a necessidade de alteração do nome para Escola Estadual de 1º Grau Dionísio Lothário Chassot. Essa designação foi decidida porque Dionísio Lothário Chassot muito representa para a comunidade taperense, por ser batalhador incansável da educação, conseguindo a criação do Ginásio, e ter sido fundador e o 1º presidente da Sociedade Cultural Taperense.

O período de 1972 a 1976 foi de organização da Escola, decorrente da junção das três instituições, implantação da Lei 5692/71, passagem para a dependência administrativa estadual, entre outras. À professora Lucy Lurdes Werlang Rotta coube realizar com sua equipe este trabalho.

Nesse período, o processo educativo que envolveu direção, professores, pais e comunidade, estava concentrado no aluno sendo norteado por uma filosofia fundamentada no homem e o conceito de que cada pessoa humana nasce com possibilidades a desenvolver, como de pensar, julgar, decidir e agir.

No ano de 1977 a professora Maria Delfina Cerutti assumiu a direção da Escola, ficando na função até julho de 1983. A Escola manteve três turnos em funcionamento. Como a Escola já havia vencido a fase de estruturação, passou a se preocupar muito com a determinação da filosofia, partindo da afirmação de que o conceito de homem em que se acredita um homem capaz de agir, ser de potencialidades, capaz de amar, que busca a vida, ser social e um ser em constante crescimento. Na época houve a composição do Conselho Administrativo e Pedagógico (CAP) da Escola, formado pela direção, SOE, coordenação pedagógica e professores, que veio substituir o CTA (Conselho Técnico Administrativo), por força do regimento.

Na seqüência a Escola foi dirigida pela professora Arlete Ignês Henrich, no período de 1983 a 1991 Com dinamismo e garra deu continuidade aos trabalhos iniciados pela gestão anterior.

Entre os trabalhos destacados, o incentivo a leitura com a instalação de uma Sala de Leitura e sob orientação do Projeto Mundo da Leitura na UPF, em Passo Fundo, o Projeto Protetores da Natureza e a Campanha do Papel. Também nesse período foi construído o prédio da Educação Infantil e aquisição de diversos recursos audiovisuais para apoio ao trabalho pedagógico.

Já para Soili Catarina Pasinato, que dirigiu a Escola no período de 1992 a 1994 o desafio foi avançar na qualidade do trabalho até então oferecido pela Escola. Continuavam os estudos para aprimorar a filosofia do educandário e neste processo a preocupação com o ser humano e as competências interpessoais. Para a ocasião foi principiado um trabalho com a psicóloga Rozane Sgary Szlagui, o qual dava ênfase às mudanças e transição para o novo milênio. Foi também iniciado um trabalho com a comunidade escolar para a construção do Projeto Educativo e o início da informatização na escola

Com o compromisso de continuar com a qualidade do ensino e a valorização do estudo, Yeda Krindges Gregory, assumiu a direção da Escola (1995-1997).

Foi período de estudo e todas as suas realizações tiveram como objetivo principal o crescimento do aluno, priorizado o trabalho participativo na construção do crescimento, conjugado esforço na promoção da pessoa humana para a vivência da cidadania. Entre os fatos importantes, destaca-se: o concurso da bandeira da escola, na oportunidade dos 60 anos, comemorado em grande estilo, com jantar festivo no Clube Aliança; a homenagem aos 40 anos de Tapera com um abraço na praça municipal; Semana do Meio Ambiente; Projeto de Orientação Afetiva Sexual, entre outros.

Posteriormente, mudanças ocorreram para a indicação do (a) diretor (a) da escola e foram instituídas as Eleições Democráticas para a escolha do mesmo por toda a comunidade escolar. Foi no ano de 1997 que ocorreu a primeira eleição direta e foi eleito para ocupar o cargo, o professor João Nirto Cerutti (1998 a 2001).

Cada vez mais, a comunidade escolar era chamada para participar do processo político pedagógico da instituição e assim, definir metas e prioridades para a educação. O regimento outorgado foi substituído por regimento próprio, seguindo, no entanto as diretrizes do Conselho Nacional de Educação. As escolas ganharam autonomia e construíram seu Projeto Político Pedagógico e os Planos de Estudos para nortearem o processo educativo. Várias atividades podem ser destacadas neste período, a continuidade dos projetos pedagógicos voltados para formação de leitores e a preservação do meio ambiente. Destaca-se o início da construção do ginásio de esportes da escola.

Em 2002, foi eleito o professor Gilberto Beutler e está à frente dos trabalhos até os dias atuais. Com o compromisso de seguir melhorando o nível de ensino foi instituído o Plano da Gestão Democrática, como compromisso de baixar o nível de repetência, a evasão escolar e aumentar o índice da qualidade do ensino.

Em 2004 a escola é credenciada através do Parecer 356/2004 e passa a ofertar o ensino médio na Escola e a mesma passa a denominar-se Escola Estadual de Ensino Médio Dionísio Lothário Chassot. Este era anseio da comunidade escolar, pois transformá-la em escola de ensino médio valorizava o espaço escolar, seus professores e os alunos, oportunizando a conclusão do ensino básico em uma única instituição.

Um dos marcos desse período assinala a conquista do 11º lugar no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em nível de Rio Grande do Sul, no ano de 2006.

Também são destacadas as participações dos alunos em atividades, tais como, Mostra de Trabalhos Escolares, PEIES, Enem, Olimpíadas de Matemática e Português Sarau Literário, Noite Artístico Cultural, JERGS, Viagens de Estudo e Lazer, participação em feiras, entre outras.

Atualmente a Escola conta hoje com 512 alunos, 50 professores e 9 funcionários.

Neste momento que comemoramos os 75 anos de história, várias recordações nos vem a memória. Pessoas, acontecimentos, conquistas, dificuldades, alegrias e decepções. O tempo passou… deixou marcas e provocou transformações. O prédio mudou, o nome mudou. alunos e professores aqui chegaram e aqui passaram. Inúmeras pessoas assinalaram sua passagem pela escola. A intensidade com que cada um viveu sua história ficará para sempre registrado na memória de cada um.

Com este objetivo queremos relembrar e homenagear a todos que fizeram parte da história desta Escola. Agradecer a Deus que nos permite dar continuidade ao trabalho iniciado em 1937 e em especial a todos os que hoje fazem parte da grande família da Escola Dionísio.

Compartilhe: