Em setembro, IBGE prevê safra de grãos 2,2% maior que safra de 2011

A produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas é da ordem de 163,7 milhões de toneladas, superior em 2,2% à obtida em 2011 (160,1 milhões de toneladas) e 0,5% menor que a estimativa de agosto (164,5 milhões de toneladas). É o que indica a nona estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) em 2012.

A área a ser colhida em 2012, de 49,2 milhões de hectares, apresenta acréscimo de 1,1%, frente à área colhida em 2011 e diminuição de 0,5% na comparação com a avaliação do mês anterior. As três principais culturas (o arroz, o milho e a soja), que somadas representam 91,1% do volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, respondem por 85,0% da área a ser colhida, registrando, em relação ao ano anterior, redução de 13,3% para o arroz e aumento de 9,9% e 3,4%,para milho e soja, respectivamente. Quanto à produção, houve acréscimo de 28,5% para o milho e decréscimos, para arroz e soja, nessa ordem, de 15,0% e 12,8%, na comparação com 2011.

Entre as grandes regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresenta a seguinte distribuição: Região Centro-Oeste, 70,7 milhões de toneladas; Sul, 56,5 milhões de toneladas; Sudeste, 19,3 milhões de toneladas; Nordeste, 12,7 milhões de toneladas e Norte, 4,5 milhões de toneladas. Comparativamente à safra passada, são constatados incrementos nas Regiões Norte de 3,6%, Sudeste de 12,0% e Centro-Oeste de 26,0% e decréscimos nas Regiões Sul de 16,7% e Nordeste de 13,0%.Estimativa de setembro em relação à produção obtida em 2011.Dentre os 26 produtos selecionados, 13 apresentam variação positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: amendoim em casca 1ª safra (25,6%), amendoim em casca 2ª safra (18,9%), aveia em grão (23,2%), batata-inglesa 3ª safra (14,4%), cacau em amêndoa (4,0%), café em grão – arábica (16,2%), café em grão – canephora (11,1%), cebola (5,1%), cevada em grão (8,4%), feijão em grão 2ª safra (5,7%), feijão em grão 3ª safra (5,6%), milho em grão 2ª safra (75,8%) e sorgo em grão (2,0%). Outros 13 produtos têm variação negativa: algodão herbáceo em caroço (1,3%), arroz em casca (15,0%), batata-inglesa 1ª safra (8,1%), batata-inglesa 2ª safra (18,8%), cana-de-açúcar (7,7%), feijão em grão 1ª safra (36,9%), laranja (4,0%), mamona em baga (62,3%), mandioca (3,8%), milho em grão 1ª safra (2,1%), soja em grão (12,8%), trigo em grão (7,1%) e triticale em grão (0,4%).

Estimativa de setembro em relação a agosto de 2012

Destacam-se as variações mensais nas estimativas de produção, comparativamente ao mês de agosto, de oito produtos: trigo em grão (+7,8%), café em grão canephora (+2,3%), milho em grão 2ª safra (+0,8%), soja em grão (-0,9%), milho em grão 1ª safra (-2,2%), sorgo em grão (-2,6%), laranja (-4,4%) e algodão herbáceo em caroço (-5,8%).

Destaques da avaliação:

ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A Região Centro-Oeste é responsável por 68,4% da produção nacional de algodão, este ano. No Mato Grosso, onde o regime de chuvas favoreceu a cultura, o plantio mais tardio, após a soja, resultou num aumento no rendimento médio de 9,1%. No Mato Grosso do Sul as chuvas também favoreceram o cultivo, e mesmo com o sistema adensado (menor rendimento médio), a produtividade aumentou 8,8%. Já, em Goiás, a produção foi 13,3% menor do que no ano anterior, o que se deve, principalmente, à redução na área cultivada (-11,3%) e no rendimento médio (-2,3%).

Na Região Nordeste a seca excessiva trouxe grande redução na produção (17,0%), frente a 2011. Na Bahia, onde ocorre a maior concentração da cultura da região, o rendimento médio foi inferior 16,2% ao de 2011, influenciado pela má distribuição das chuvas.

ARROZ (em casca) – A rizicultura brasileira sofreu redução de 13,3% na área colhida, 15,0% na produção e 2,0% no rendimento médio, no comparativo com a safra de 2011. Na Região Sul, que participa com 78,6% da produção nacional do arroz em casca, há redução de 11,1% na estimativa de produção. O principal produtor regional, o Rio Grande do Sul, reduziu sua área plantada em 11,0% em função dos baixos preços praticados e pela escassez de água dos reservatórios, na época da tomada de decisão pelo plantio. A estiagem também foi responsável pela redução nas estimativas de produção da Região Nordeste, com queda de 38,8% em relação à obtida em 2011. Nesta região foram registrados 18.653 hectares perdidos, na safra de 2012, contra 112 hectares registrados como perda total em 2011.

CAFÉ ARÁBICA (em grão) – O acréscimo, em setembro, de 0,1% na estimativa nacional de produção da safra 2012, é creditado ao Estado de São Paulo, cuja variação, isoladamente, é de 13,3% em relação ao mês anterior. Já na Bahia (-22,6%) e no Ceará (-18,3%), os decréscimos observados são justificados pela seca que assola a Região Nordeste este ano. O Espírito Santo, também produtor de café arábica, apresenta uma redução de 2,9%. Minas Gerais, maior produtor brasileiro, não apresenta variações expressivas.

A safra nacional de café arábica para 2012, apesar dos atrasos na colheita, aproxima-se do final e está estimada em 38,1 milhões de sacas de 60 kg, equivalentes a 2.284.439 toneladas, 16,2% maior que em 2011. A área de colheita apresenta acréscimo de 1,0% em relação à safra passada, totalizando 1.590.975 hectares. A área total ocupada com a cultura é de 1.776.320 hectares, 1,4% maior que a de 2011. O acréscimo estimado no rendimento médio (15,1%) deve-se à particularidade que apresenta o arábica de alternar anos de altos e baixos rendimentos.

Minas Gerais, o maior produtor brasileiro de arábica, informa que, além de 2012 ser um ano de “safra cheia”, as condições do mercado em 2011 estimularam produtores a investirem na cultura, gerando aumento na produção de 17,6% em 2012. A partir da segunda semana de janeiro até o início do mês de março, as chuvas escassas comprometeram o enchimento de grãos em algumas regiões de Minas Gerais. Os cafeicultores mineiros enfrentaram atrasos na colheita, em função de chuvas incomuns no inverno, e perdas na qualidade do produto, em parte colhido no chão.

CAFÉ CANEPHORA (em grão) – O país, com a colheita próxima do final, deverá produzir 769.305 toneladas (12,8 milhões de sacas de 60 kg), 2,3% maior que a divulgação de agosto, representando aumento de 11,1% em relação a 2011. Em setembro, o Espírito Santo, primeiro produtor nacional de conilon, com 77,3% de participação no total da produção brasileira, aumentou sua estimativa para a safra em 2,3%. O estado detém o maior rendimento do País para esta espécie de café (média de 1.999 kg ou 33,3 sacas/hectare). Outros estados produtores de conilon também observaram aumentos em setembro, a saber: Bahia (9,2%) e Minas Gerais (0,9%). Foi um ano favorável à produção.

LARANJA – A produção nacional de laranja para 2012 está estimada em 19.032.285 toneladas (466,5 milhões de caixas de 40,8 kg), 4,4% inferior à avaliação de agosto e 4,0% inferior aos números da safra anterior. A área total ocupada com a cultura no País está menor 1,6% e a área destinada à colheita, maior em 3,4%, nesta comparação com a informação mensal. O rendimento médio nacional é de 23.537 kg/hectare.

São Paulo, o maior produtor do País com 76,1% de participação na produção nacional, faz sua primeira estimativa para a safra de 2012. A produção, de 14.483.398 toneladas (355,0 milhões de caixas), é inferior a de 2011 (menos 5,5%), não tendo sofrido variações durante o ano, uma vez que não houve outras estimativas durante a safra. Persistem os problemas fitossanitários como CVC (Clorose Variegada dos Citros), a pinta-preta, a leprose, o cancro cítrico e o “greening”, gravíssima doença bacteriana que vem exigindo medidas extremas por parte do governo do estado e que trouxe grandes problemas à citricultura chinesa. O ano de 2012 caracterizou-se, entretanto, pelas imensas perdas na citricultura paulista. O excesso de estoques nas indústrias impediu a comercialização das frutas, que, em alguns casos, apodreceram nos pomares. A crise no Mercado Europeu e as sanções comerciais impostas pelos EUA, grandes compradores do suco brasileiro, são apontadas como responsáveis pelos prejuízos à citricultura nacional.

A Bahia, segundo maior produtor, estima sua produção em 1.012.327 toneladas (24,9 milhões de caixas.), 1,2% inferior ao avaliado em agosto. Minas Gerais também reduz sua estimativa este mês em 0,1%, produzindo 865.928 toneladas (21,2 milhões de caixas.). Sergipe não apresenta variações este mês, mantendo 832.040 toneladas (20,4 milhões de caixas.). O Paraná, também importante polo citrícola, não apresenta novas estimativas.

MILHO (em grão) – A produção nacional de milho em grão, prevista em 72.314.597 toneladas, é menor 0,6% que a avaliação de agosto. A 1ª safra diminuiu 2,2% e a 2ª safra aumentou 0,8%, comparadas à informação do mês anterior.

A 1ª safra de milho se encontra encerrada, mas houve reajuste negativo de 2,2% na produção, e de 2,5% na área colhida. Em Santa Catarina, parte da produção foi destinada ao corte de planta inteira para alimentação animal, deixando de ser informada como milho em grão. Reavaliações negativas da produção em relação à informação de agosto também foram observadas em mais 12 estados.

Com a produção estimada em 2,1% menor que a de 2011, apesar do aumento da área plantada em 1,1%, a área colhida diminuiu 4,8%, na comparação anual. Estes números refletem os danos causados pela seca na safra de verão nas Regiões Sul e Nordeste. No Sul, o rendimento diminuiu 21,7%, e a produção 19,1%, correspondendo a uma perda de quase 3,0 milhões de toneladas em relação ao produzido no mesmo período do ano anterior. A Região Nordeste, uma das mais afetadas pela seca, apresentou grandes reduções de área plantada (13,2%), da área colhida (27,6%) e de produção (15,3%) na média dos estados. Entretanto, o Sudeste aumentou 12,9% a produção, 4,4% a área colhida e 8,1% o rendimento. A Região Centro Oeste estima aumento de produção 42,3% maior que a do ano anterior devido ao aumento de área colhida de 26,6% e de rendimento em 12,4%.Para a 2ª safra de milho a produção esperada é de 38.866.378 toneladas, num aumento de 0,8% em relação a agosto. Este aumento é devido à reavaliação de área e rendimento, que resultaram acréscimos de 0,4% e 0,5%, respectivamente, comparados com o mês anterior. Mato Grosso do Sul foi o estado que mais influenciou esta variação de setembro, apresentando acréscimo na produção de 312.317 toneladas (5,5%). São Paulo (8,2%), Mato Grosso (0,3%) e Minas Gerais (1,7%) também influenciaram positivamente a estimativa de produção.

A 2ª safra de milho em 2012 superou a 1ª safra em mais de 5,4 milhões de toneladas. A produção foi 75,8% maior que a mesma safra de 2011, com 38.866.378 toneladas do grão (16.761.605 toneladas a mais, em uma área plantada de 7.396.316 ha). Este é o primeiro ano em que a 2ª safra ultrapassa, em volume da produção, a primeira. O aumento se deve principalmente aos estados da Região Centro Oeste e ao Paraná. Mato Grosso é o maior produtor deste segundo período de plantio (38,8% de participação), com previsão de produção 103,1% maior que a de 2011, em uma área colhida de 2.646.966 hectares. O Estado do Paraná prevê aumento de produção em 60,9%. Vale também destacar a variação positiva na produção dos Estados de Mato Grosso do Sul (81,4%), Goiás (52,4%), São Paulo (62,9%) e Minas Gerais (59,8%), em relação a 2011.

SOJA (em grão) – Cultura de verão com colheita encerrada, sofreu alterações negativas de 0,3% na área destinada à colheita, 0,9% na produção e 0,6% no rendimento médio. Os reajustes em relação ao mês anterior que determinaram o decréscimo na produção foram observados em Goiás (3,1%), Bahia (6,8%), Rio Grande do Sul (1,0%) e São Paulo (1,9%).

SORGO (em grão) – A informação de setembro apresenta uma queda na estimativa de produção de 2,6% frente a agosto, resultado do reajuste de área colhida, que caiu 4,7% na média nacional, apesar do aumento de 2,2% no rendimento médio. A queda reflete o fraco desempenho do sorgo na Bahia, que reduziu sua estimativa para este mês em 57.437 toneladas (59,8%), em função da redução na área colhida (38,8%) e no rendimento médio (34,3%). As áreas produtoras deste estado têm sofrido com a estiagem, que, além de impedir os plantios normais por falta de umidade no solo, traz prejuízos ao desenvolvimento das plantas, reduzindo sua produtividade. Outras Unidades da Federação também mostram decréscimo na estimativa de produção em relação a agosto: Mato Grosso (0,9%), São Paulo (4,8%) e Rio Grande do Sul (0,6%). O sorgo é considerado uma cultura de segunda safra, normalmente cultivada após a colheita das safras de verão. Este ano, as lavouras foram beneficiadas pelo clima mais chuvoso no Centro-Oeste/Sudeste, tendo os produtores incrementado os investimentos em tecnologia, uma vez que o preço de comercialização subiu, acompanhando o aumento do milho. Somente no Mato Grosso, a produção cresceu 110,6% em relação ao ano anterior.

TRIGO (em grão) – No comparativo mensal, em nível nacional, a produção esperada, a área plantada e o rendimento médio, quando comparados a agosto, estão maiores, respectivamente, em 7,8%, 1,4% e 6,3%. Salienta-se que os Estados do Rio Grande do Sul (51,1%) e Paraná (40,3%) são responsáveis por 91,4% da produção nacional.

IBGE

Compartilhe: