Em apenas 20 dias quatro policiais foram mortos em confronto com bandidos no Rio Grande do Sul

Postado em 19 julho 2019 14:15 por JEAcontece
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No dia 26 de junho Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó, morreram durante uma abordagem de rotina em um beco na Zona Leste de Porto Alegre. Já no dia 10, também em Porto Alegre o soldado da Brigada Militar Gustavo de Azevedo Barbosa Junior, de 26 anos, morreu após ser atingido por um tiro na cabeça depois de confrontar com bandidos em um veículo roubado próximo à Avenida Teresópolis, na zona sul da Capital. Na última terça-feira foi a vez do policial civil Edler Gomes dos Santos, 54 anos, que morreu durante uma operação em Montenegro, no Vale do Caí.

A situação aponta para uma realidade cruel: a falta de investimentos na segurança pública mediante a falência do Estado.

Diante da situação a reportagem da Rádio Uirapuru procurou ouvir especialistas que apontam medidas para o setor da segurança pública.

O que dizem os especialistas
Para o Delegado de Polícia Regional de Carazinho, Edson Tadeu Cezimbra a principal medida deve ser o investimento na área da Segurança Pública envolvendo a Polícia Civil, Brigada Militar, SUSEPE e IGP, contemplando essencialmente a questão do efetivo. “A defasagem de pessoal é histórica, e a reposição das aposentadorias nunca ocorreu da forma necessária.

Para Cezimbra além de efetivo, as Polícias Civil e Militar devem estar equipadas adequadamente para o combate à criminalidade. O delegado destacou ainda que mudanças nas leis penais, processuais penais e da própria Lei de Execuções Penais, que são da década de 40 contribuiriam para essa mudança.

A pena de um homicídio e outros crimes graves, como roubos, tráfico de drogas, estupros, etc., deveria ser cumprida integralmente no regime fechado, sem direito à progressão. A polícia está sempre prendendo criminosos que ou estão no semiaberto ou, até, que deveriam estar com tornozeleiras ou em prisão domiciliar” concluiu.

Para o delegado responsável pela 2 Delegacia de Polícia de Passo Fundo, Claudio Belcamino a área da segurança pública é uma das mais complexas e preocupantes, para a sociedade atualmente. “Acredito que somente com um conjunto de medidas preventivas e repressivas, poderemos melhorar a situação. Entre as principais, refiro um maior investimento nas instituições policiais, nos aspectos materiais e humanos”.

Os efetivos estão muito aquém das necessidades e, ainda, desmotivados pela situação salarial, há quatro anos, recebendo parcelado e atrasado”, apontou Belcamino.

Para o delegado outra providência importante é um grande investimento no sistema prisional, criando vagas e dando condições de receber a demanda.

Já para a delegada de Polícia Carolina Goulart, responsável pela delegacia de polícia de pronto atendimento de Passo Fundo as medidas que podem mudar a realidade da segurança pública é a valorização do policial com o pagamento em dia dos seus salários, e a questão da aposentadoria.

Que sejamos vistos como uma carreira de risco que não merece cair na vala comum da aposentadoria”.

Para a delegada o policial merece uma aposentadoria especial pelo trabalho de risco desenvolvido em defesa da sociedade. “Em segundo é o policiamento ostensivo com mais policiais nas ruas, com estratégia de abordagens, com inteligência nos locais que mais ocorrem furtos e roubos. Policial na rua é o que dá o maior impacto na diminuição dos índices de criminalidade”.

Para o advogado criminalista e professor universitário Gabriel Ferreira, a segurança pública deve ser trabalhada de dentro das casas prisionais para fora.

Ainda há uma insistência de uma política pública de encarceramento, que quanto mais pessoas estiverem dentro do cárcere, maior é a nossa sensação de segurança, e portanto parece ser mais exitosa a política de segurança pública, quando na verdade é o contrário”.

O professor disse ainda que o Brasil é uma das poucas experiências no mundo onde as organizações criminosas foram criadas dentro do sistema prisional.

O exemplo clássico disso é o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), além da Falange Gaúcha que depois deu origem aos Manos e aos Bala na Cara. Precisamos fazer gestão para que o Estado verdadeiramente comande as cadeias”.

Gabriel Ferreira diz ainda que quanto mais pessoas estão dentro do cárcere, maior é o recrutamento de mão de obra jovem para a criminalidade.

Para o professor e advogado criminalista, outro aspecto que não se vê investimentos na qualidade diz respeito a polícia científica que no Estado é conhecida como os peritos do IGP. “Quanto mais agregarmos tecnologia e cienticifidade, a elucidação dos crimes será muito mais efetiva e isso também torna um ingrediente a mais na dificuldade das pessoas no cometimento de um ilícito penal”. Gabriel diz ainda que é necessário que o processo criminal seja mais rápido e efetivo precisando uma reforma aos moldes das reformas do código de processo penal que foram feitas na América Latina.

Rádio Uirapuru

Postado em 19 julho 2019 14:15 por JEAcontece
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