Em agosto, IBGE prevê safra de grãos 2,8% maior que a safra obtida em 2011

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas indica produção da ordem de 164,5 milhões de toneladas, superior em 2,8% à obtida em 2011 (160,1 milhões de toneladas) e 0,7% maior que a estimativa de julho (163,3 milhões de toneladas). É o que indica a oitava estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) em 2012.

A área a ser colhida em 2012, de 49,5 milhões de hectares, apresenta acréscimo de 1,6%, frente à área colhida em 2011 e aumento de 0,2% na comparação com a avaliação do mês anterior. As três principais culturas (o arroz, o milho e a soja), que somadas representam 91,3% do volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, respondem por 85,1% da área a ser colhida: em relação ao ano anterior, o arroz teve sua área reduzida em 13,4%, enquanto o milho e a soja tiveram um acréscimo de área de 11,1% e 3,8%, respectivamente. Quanto à produção, a do milho aumentou em 29,3%, mas a de arroz e de soja sofreram decréscimos respectivos de 14,9% e 12,0%, na comparação com 2011.

A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa.

Entre as grandes regiões, esse volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresenta a seguinte distribuição: região Centro-Oeste, 70,8 milhões de toneladas; Sul, 56,8 milhões de toneladas; Sudeste, 19,2 milhões de toneladas; Nordeste, 13,2 milhões de toneladas e Norte, 4,5 milhões de toneladas. Comparativamente à safra anterior, são constatados incrementos nas regiões Norte, 3,0%, Sudeste, 11,4% e Centro-Oeste, 26,2% e decréscimos nas regiões Sul, 16,2% e Nordeste, 9,3%. Na atual avaliação, a liderança na produção nacional de grãos é de Mato Grosso, com participação de 24,6%, seguido pelo Paraná, com 18,9% e Rio Grande do Sul, com 12,0%. Estes três estados, somados, representam 55,5% do total nacional.

Estimativa de agosto de 2012 em relação a 2011

Dentre os 26 produtos selecionados, 14 apresentam variação positiva na estimativa de produção em relação ao ano anterior: algodão herbáceo em caroço (4,9%), amendoim em casca 1ª safra (25,6%), aveia em grão (12,8%), batata-inglesa 3ª safra (1,3%), café em grão – arábica (16,1%), café em grão – canephora (8,5%), cebola (2,3%), cevada em grão (8,0%), feijão em grão 2ª. safra (6,7%), feijão em grão 3ª. safra (5,6%), laranja (0,3%), milho em grão 1ª. safra (0,1%), milho em grão 2ª. safra (74,4%) e sorgo em grão (4,8%). Com variação negativa, há 12 produtos: amendoim em casca 2ª. safra (29,8%), arroz em casca (14,9%), batata inglesa 1ª. safra (7,8%), batata-inglesa 2ª safra (20,2%), cacau em amêndoa (4,0%), cana-de-açúcar (8,1%), feijão em grão 1ª. safra (36,7%), mamona em baga (61,5%), mandioca (2,6%), soja em grão (12,0%), trigo em grão (13,8%) e triticale em grão (7,6%).

Destaques na estimativa de agosto em relação a julho

CAFÉ ARÁBICA (em grão) – A safra esperada – já próxima do final e apesar dos atrasos na colheita – está estimada em 38,0 milhões de sacas de 60 kg, equivalentes a 2.281.673 t, 16,1% maior do que em 2011. Em relação a julho, a safra para 2012 apresenta, em agosto, decréscimo de 0,1% na estimativa nacional de produção, creditado aos estados de Pernambuco e Paraná. No primeiro, a cultura foi fortemente prejudicada pela prolongada estiagem que atingiu grande parte do Nordeste e teve sua expectativa de produção novamente reduzida, agora em 1,3%. No Paraná, onde a cafeicultura vem decrescendo em importância, todas as variáveis pesquisadas apresentam reduções em relação a julho, a saber: área total e área colhida (ambas com -2,0%); produção, -2,4% e rendimento médio, -0,4%. O motivo principal, em 2012, foi a estiagem, que obrigou a uma revisão dos números levantados para a cafeicultura paranaense.

CAFÉ CANEPHORA (em grão) – A safra nacional para 2012, de 751.700t (12,5 milhões de sacas), representa aumento de 8,5% em relação a 2011. As condições climáticas favoráveis, os tratos culturais adequados e a irrigação favoreceram os bons resultados do Espírito Santo, 1º produtor nacional de conilon, com 77,4% de participação no total Brasil, que não modificou suas estimativas realizadas em julho. O estado detém o maior rendimento do País para esta espécie de café (média de 1.955 kg ou 32,6 sc/ha).

CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Para as lavouras de inverno, cujos cultivos concentram-se, predominantemente, nos estados do sul do país, verificam-se decréscimos de produção para aveia (0,6%), cevada (6,6%), centeio (1,8%), trigo (6,4%) e triticale (10,8%), quando comparados ao mês anterior.

Destaca-se, neste período de plantio, o trigo (em grão), de que o Rio Grande do Sul deverá ser o maior produtor nesta safra, aguardando uma produção de 2.343.100 toneladas, menor 14,5% que a obtida na safra anterior, numa área plantada de 976.000 hectares. Apesar da área plantada ser 4,7% maior, as condições climáticas desfavoráveis reduzem a expectativa de rendimento médio em 18,4%, na comparação com o obtido na safra anterior. Por outro lado, o Paraná, segundo produtor nacional de trigo, registra decréscimo de 12,5% na estimativa de produção, quando comparada à safra anterior. Esse fato deve-se ao baixo preço do produto praticado na safra anterior, bem como às dificuldades de comercialização e à competitividade do trigo argentino, que entra no país com preço bem menor. Devido aos fatos, muitos produtores optaram pelo plantio do milho na segunda safra, cuja área plantada nesta safra foi a maior de todos os tempos, não liberando a área para o plantio do trigo. A cultura encontra-se totalmente plantada e estima-se que, até o momento, cerca de 7,0%, já estejam colhidos. A previsão de produção para o estado é de 2.123.805 toneladas, numa área plantada de 760.319 hectares e um rendimento médio de 2.793 kg/ha.

FEIJÃO (em grão) – A área plantada, considerando as três safras, está avaliada em 3.157.345 hectares, inferior 18,9% a do ano anterior.

A produção nacional de feijão em grão, estimada em 2.883.794 t, indica acréscimo de 0,6% frente à informação de julho, reflexo da variação positiva observada na 2ª e 3ª safra do produto. Este volume de produção é distribuído em 42,9% para a 1ª safra (1.236.627 t), 41,2% para a 2ª safra (1.187.272 t) e 15,9% para a 3ª safra de feijão (459.895 t).

A 1ª safra de feijão registra uma produção de 1.236.627 toneladas, 0,7% menor que o sétimo levantamento. A região Sul, maior produtora desta safra com uma produção de 500.144 toneladas, apresenta decréscimo de 0,9%, influenciado pela queda de 1,2% na estimativa de produção do Paraná.

Para o feijão 2ª safra, a área plantada sofreu redução de 1,0% e o rendimento médio aumentou 2,4%, contribuindo para o acréscimo na produção esperada de 0,2% frente à estimativa de julho. Reavaliações positivas na comparação com a informação anterior para: Mato Grosso (11,0%), Pernambuco (11,1%), Paraná (0,8%), Distrito Federal (251,1%), Minas Gerais (0,2%) e Rio Grande do Norte (25,4%).

O feijão 3ª safra experimenta um aumento de 5,6% na estimativa de produção em relação ao levantamento de julho. Goiás foi o principal responsável pelo crescimento na produção nesta nova avaliação, com aumento na área plantada de 20,8% e de 21,0% na produção esperada, em relação ao último levantamento. Contribuíram também para esta avaliação positiva acréscimos na estimativa de produção do Paraná (24,9%) e do Mato Grosso (2,5%).

MILHO (em grão) – De acordo com as avaliações de agosto, a produção nacional recorde de milho em grão está estimada em 72.750.724 toneladas, maior 1,8% que a avaliação de julho. Dentro deste contexto, a 1ª safra aumentou 2,2% e a 2ª safra aumentou 1,5% comparando com a informação anterior.

A 1ª safra de milho participa com 47,0% do volume total da produção estimada em 34.208.291 t. A variação se deve principalmente por reavaliações positivas em: Santa Catarina (13,2%), Goiás (3,8%), Maranhão (19,0%), Paraná (0,7%), Distrito Federal (10,2%), Pará (0,4%) e Rio Grande do Norte (3,1%).

A 2ª safra de milho em grão, com 53,0% da produção nacional, é avaliada em 38.542.433 toneladas em agosto, num aumento de 1,5% na comparação com a informação anterior. Entretanto a área a ser colhida diminuiu em 0,3%, compensada pelo aumento no rendimento em 1,7%. A região Nordeste continuou diminuindo as previsões de safra, devido à seca, previsão de redução de plantio de 4,6% e de 11,6% a menos na área a ser colhida, resultando em uma produção 5,5% menor que a estimada no mês de julho. O rendimento, entretanto, aumento 7,0%, atenuando um pouco a perda de produção. A região Centro Oeste, maior produtora do milho, na 2ª safra (25.497.374 t), com 66,2% da produção nacional, apresentou variação positiva de 2,6% na produção e de 2,2% no rendimento médio. Esta variação ocorreu devido à atualização dos dados do Mato Grosso do Sul, que aumentou sua estimativa de produção e rendimento médio em 10,2%. Goiás e Distrito Federal também aumentaram as estimativas de produção para o milho 2ª safra em 2,3% e 24,1%, respectivamente.

SORGO (em grão) – A estimativa da safra de sorgo em 2012 (2.000.370 toneladas) é 5,5% maior que a anterior. Em Minas Gerais – estado que responde por 21,3% da produção nacional de sorgo -, embora a área colhida esteja aumentando somente 0,3%, o aumento da produção é de 5,7%, reflexo do rendimento médio que subiu 5,3%. Mato Grosso do Sul também reavaliou positivamente sua safra de sorgo, que deve aumentar 8,0% em relação à de julho. Contudo, Goiás é quem mais está influenciando a produção do sorgo este mês, já que o estado, com 39,7% do total nacional, é o maior produtor do cereal, e sua produção está crescendo 9,2% em relação à informação anterior. A área plantada com sorgo foi reavaliada, aumentando 2,3%, enquanto o rendimento médio aumentou 6,8%, como reflexo das boas condições do clima e do aumento dos investimentos em tecnologia e adubação. O sorgo é considerado uma cultura de segunda safra, normalmente cultivada após a colheita da safra de verão.

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, cujas informações são obtidas por intermédio das Comissões Municipais (COMEA) e/ou Regionais (COREA); consolidadas em nível estadual pelos Grupos de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA) e posteriormente, avaliadas, em nível nacional, pela Comissão Especial de Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias (CEPAGRO) constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA).

Em atenção a demandas dos usuários de informação de safra, os levantamentos para Cereais, Leguminosas e Oleaginosas (caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale) foram realizados em estreita colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), continuando um processo de harmonização das estimativas oficiais de safra, iniciado em outubro de 2007, para as principais lavouras brasileiras.

IBGE

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