Em 8 anos, soma de patrimônio de candidatos cai a quase metade

Declarações de renda desatualizadas é uma das explicações para a queda nos valores

Os dados das declarações de bens dos candidatos nas eleições estaduais e federais trazem uma aparente contradição. Ao mesmo tempo em que o número de candidatos aumenta a cada pleito, o patrimônio total declarado por eles diminui em ritmo bem maior.

Em 2006, primeiro ano para o qual o TSE divulga as informações em formato legível por máquina, foram 20,8 mil candidatos. Esse número passou para 22,6 mil em 2010 e chegou a 23,9 mil neste ano. O valor somado de todos os bens listado por eles, porém, caiu de R$ 21,8 bilhões em 2006 para R$ 18,5 bilhões em 2010 e, agora, representa apenas R$ 11,9 bilhões – quase metade do valor do total oito anos atrás, em valores atualizados pelo IPCA no período.

É impossível explicar essa suposta queda no patrimônio dos políticos em um contexto em que a renda média do brasileiro vem crescendo ano a ano sem mencionar as limitações dos dados. Várias declarações de bens dos candidatos estão desatualizadas – quem fez sua primeira declaração há muito tempo raramente atualiza os valores dos bens de uma eleição para outra.

Um exemplo disso é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Seu apartamento no Morumbi é declarado com o mesmo valor (R$ 323 mil) desde 2006. Isso significa que, no cálculo feito com a correção monetária, seu apartamento aparentemente desvalorizou no período, já que a inflação acumulada foi de 54% – o que provavelmente não é verdade, tendo em vista a valorização do mercado imobiliário paulistano na última década.

O cientista político Leôncio Rodrigues também aposta no afastamento da elite da política e um aumento do número de candidatos de classe média. “Hoje temos mais representantes de classes mais baixas Câmara do que antes, entre servidores públicos, bancários e professores, por exemplo.”

(Estadão)

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