Efeitos do ódio – DIÁLOGO ESPÍRITA

O Espírito Humberto de Campos pela psicografia de Chico Xavier nos trás o seguinte relato:
Não! Não te quero em meus braços! – dizia a jovem mãe, a quem a Lei do Senhor conferira a doce missão da maternidade, para o filho que lhe desabrochava do seio – não me furtarás a beleza! Significas trabalho, renúncia e sofrimento…
– Mãe, deixa-me viver!… Devo lutar e regenerar-me. Sorverei contigo a taça do suor e lágrimas procurando redimir-me… Completar-nos-emos.
– Não, expulsar-te-ei.
– Piedade, mãe! Não vês que procedemos de longe, alma com alma, coração a coração?
– Sou mulher e sou livre. Sufocar-te-ei antes do berço…
Dia a dia renovava-se o diálogo sem palavras, até que, quando a criança tentava vir à luz, foi provocado o aborto.
Duramente repelido, agarrou-se ao coração dela. Ambos, então, ao invés de continuarem na graça da vida, precipitaram-se no desempenhadeiro da morte.
Desprovidos do corpo físico, projetaram-se no Espaço, gritando acusações recíprocas.
Achavam-se, porém, imanados um ao outro, pelas cadeias magnéticas de pesados compromissos, arrastando-se por muito tempo, detestando-se e recriminando-se mutuamente…
E a seara do ódio lhes impunha nefasto desequilíbrio.
Após muito tempo, um Espírito de mulher recordou-se deles em preces de carinho e piedade, reencarnando e aceitando ambos como filhos.
Quando despertaram na Terra, traziam o estigma de clamoroso débito em que se haviam reunido, renascendo e disputando o mesmo vaso físico, no triste fenômeno de um corpo único, sustentando duas cabeças.

Sociedade Espírita Raios de Luz

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