Efeito do El Niño ainda é uma incógnita, diz agrometeorologista

Nesta semana o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou uma previsão que indica que o Brasil será influenciado pelo fenômeno climático El Ninõ, com intensidade moderada nos meses de agosto, setembro e outubro. A partir de 15 de setembro, termina o período do vazio sanitário da soja em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo e no Paraná, e os produtores estão liberados pelo governo do Estado para iniciar o plantio da safra 2012/2013. No entanto, o modo como as lavouras recém semeadas serão afetadas pelo fenômeno climático ainda é uma incógnita, segundo o agrometeorologista da Embrapa Agropecuária Oeste, Cláudio Lazarotto.

“Está um pouco cedo para sabermos como vai estar caracterizado esse El Niño. Se for dentro dos padrões normais pode até ter consequências prejudiciais as lavouras, mas se for fora da normalidade, como foi o último, pode beneficiar. Acredito que somente quando já estivermos no primeiro terço do fenômeno, no começo da primeira [22 de setembro], iniciando o plantio é que teremos condições de identificar que tipo de efeitos ele pode causar. A previsão do Inmet disse em linhas gerais que vamos ser afetados, mas não sabemos ainda como”, explica.

Em razão dessa incerteza, Lazarotto recomendou que o produtor rural busque o maior número possível de informações para tentar minimizar os riscos que possam ocorrer em razão dos efeitos do El Niño. “Ele [produtor] precisa ter conhecimento para que faça uma boa escolha da sementes, plantando mais de uma variedade e o escalonamento correto da época de plantio”, comenta.

Prognóstico do Inmet
O prognóstico do Inmet, indica uma maior probabilidade de chuvas acima da média numa faixa que inclui o sul das regiões Centro-Oeste e Sudeste e os setores central e norte da região Sul em razão do fenômeno. A previsão do instituto diz ainda que deverão ocorrer precipitações abaixo da faixa normal no norte da região Norte e na faixa litorânea do Nordeste. Na grande área central, que abrange parte das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, fica mantida a previsão de padrão climatológico, ou seja, igual probabilidade de chuva para as três categorias (abaixo, normal e acima da normal climatológica).

“Vamos fazer avaliações mensais para poder municiar empresas de seguros, a assistência técnica e os produtores. Queremos potencializar esse tipo de informação e instrumentalizar os agricultores para o bom nível das lavouras”, disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Caio Rocha, durante a apresentação dos dados.

Na região Sul, por exemplo, o Inmet prevê que eventos de El Niño favorecem a produtividade em função da chuva acima da normal durante o ciclo da soja, principalmente no período de enchimento do grão, de janeiro a março. “Existe a possibilidade de um desvio positivo de 75% da produtividade da soja durante os anos de El Niño”, destacou o diretor do Inmet, Antonio Divino Moura.

Preços estimulam produtores
O consultor da Granos Corretora, em Campo Grande, Carlos Ronaldo Dávalos, acredita, entretanto, que a previsão climática não vai afetar as projeções de aumento da área de plantio de soja no próximo ciclo no País e consequentemente de incremento da produção.

Alavancado pelos altos preços nos mercados nacional e internacional, provocado pela quebra de safra 2011/2012 de soja na América do Sul e agora também nos Estados Unidos, Dávalos diz que as estimativas indicam que no próximo ciclo o Brasil deve saltar de uma produção de 66 milhões de toneladas no ciclo passado para cerca de 83 milhões de toneladas da oleaginosa, se as condições climáticas forem favoráveis.

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o consultor diz que as projeções indicam um aumento de aproximadamente 6% da área plantada em relação ao último ciclo, que foi de 1,813 milhão de hectares, e deve ter um incremento de aproximadamente 108 mil hectares. “Com esse aumento de área plantada, a produção deve passar de 4,6 milhões de toneladas para aproximadamente 6 milhões de toneladas”.

Agrodebate..

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