Ecstasy toma o lugar da cocaína no sul do país

A cocaína está cedendo espaço ao ecstasy nos três Estado do Sul, conforme dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad). Na semana passada, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgaram os números sobre o consumo de cocaína e crack, revelando que o Brasil é o maior mercado mundial da pedra e o segundo do pó.

A discrepância entre os dados nacionais e os dados do Sul, no entanto, chamou a atenção da coordenadora do levantamento, Clarice Sandi Madruga, oriunda de Porto Alegre. No Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, a proporção de entrevistados que havia consumido cocaína ou crack no ano anterior era muito inferior à verificada nas outras regiões, apesar de o consumo ao longo da vida não variar tanto.

A partir dessa constatação, Clarice cruzou dados e detectou que, ao mesmo tempo em que consumia menos cocaína do que o resto do país, o Sul usava o dobro de ecstasy. Ao longo do último ano, 0,2% dos brasileiros usaram a droga sintética. Nos três Estados meridionais, o índice foi de 0,4%.

— Essa é uma tendência observada na Europa e América do Norte, onde o consumo de cocaína está sendo substituído pelo consumo de drogas sintéticas como o ecstasy. O Sul do Brasil está apresentando esse fenômeno, e certamente é o Rio Grande do Sul que está encabeçando isso — afirma a pesquisadora.

Os dados reunidos por Clarice sugerem que a migração da escolha, no Sul, ocorre principalmente da cocaína aspirada para o ecstasy, principalmente entre os mais juvens. Enquanto no Brasil a cocaína foi aspirada por 2% dos adultos e dos adolescente, nos três Estados sulinos ela foi consumida por 0,8% dos adultos e apenas 0,1% dos adolescentes.

— Essa é uma tendência de classe média, com um contexto cultural que envolve festas e raves — diz Clarice.

O avanço do esctasy já foi identificado pelo Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico (Denarc). Conforme o delegado Joel Oliveira, diretor do órgão, as apreensões têm sido significativas desde o ano passado, motivando a abertura de investigações. Ele confirma que a droga está associada aos jovens de classe média, principalmente em festas.

— É muito nocivo e prejudicial à juventude — alerta.

Clicrbs

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