Economista do JP Morgan não aposta em recessão no Brasil

Na última de suas visitas anuais ao Brasil, o economista-chefe da área de Private Banking do JP Morgan, Anthony Chan, transmitiu um cenário relativamente otimista aos clientes da instituição. Uma das percepções do economista que trabalha na sede do banco em Nova York é que o Brasil deve retomar o crescimento a partir do ano que vem. “A recessão não é o cenário base para o Brasil, considerando-se todo o estímulo monetário envolvido – e com tendência de aumento”, acredita. Nesta entrevista concedida ao Portal AMANHÃ, Chain faz algumas reflexões sobre a crise europeia e a recuperação da economia norte-americana. Confira:.

Qual sua opinião sobre o atual ambiente de negócios no Brasil?
O Brasil sofre com o colapso de suas exportações tanto para a zona do euro quanto para a China. E, embora as expectativas não indiquem uma grande recuperação em termos de crescimento na Europa em 2013, vemos uma possível melhoria no crescimento na China. Isso, juntamente com a política de estímulos administrada no Brasil ao longo deste ano, deve aumentar as perspectivas de crescimento brasileiro em 2013.
O Brasil, como outros BRICs, está crescendo menos. E o Brasil sempre foi, dos BRICs, o que menos cresce.

Há risco de haver recessão no Brasil?
A recessão não é o cenário base para o Brasil, considerando-se todo o estímulo monetário envolvido – e com tendência de aumento.

A China conseguirá fazer um pouso suave, desacelerando sua economia sem maiores consequências para o mundo?
Essa é outra economia que está começando a incluir políticas de estímulo tanto monetário quanto fiscal à sua economia. Se a situação europeia for contida e a China continuar nessa sequência de estímulos, acreditamos que o resultado mais lógico para a economia chinesa seja um pouso suave.

Qual deve ser a linha seguida por Obama, na política econômica americana, caso se reeleja?
Com as taxas de juros de curto prazo em baixa e o Sistema de Reservas Federais pronto para entrar em ação caso a economia recue, acreditamos que os Estados Unidos mantenham um crescimento econômico lento, mas positivo.

Caso vença o candidato republicano, o que deve mudar, significativamente, na condução da política econômica dos Estados Unidos?
Os dois partidos políticos querem que a expansão dos Estados Unidos continue. No entanto, se focarmos nas diferenças entre eles, os Republicanos afirmam que desejam incorporar políticas que incentivem as empresas a crescer mais rápido e a criar empregos. Os Democratas sugerem o mesmo, mas planejam alterar a estrutura fiscal para garantir que aqueles cujos rendimentos são mais elevados contribuam mais em termos de impostos do que aqueles que recebem menos.

Qual a principal diferença na estratégia republicana para recuperar a economia americana?
Os Republicanos acreditam que o caminho para um crescimento mais forte para os Estados Unidos possa ser amplamente influenciado por incentivos fiscais e pela redução das regulamentações governamentais.

Quantos anos a Europa levará até reencontrar o caminho do crescimento econômico?
Mesmo adotando as políticas certas, acreditamos que a Europa ainda precisará de um período de 5 a 10 anos para se refazer totalmente e ficar livre de muitos dos desequilíbrios existentes.

O euro é sustentável? A que custo?
O euro é sustentável, mas o custo de manter a moeda europeia viva é considerável – e deve crescer se os legisladores optarem por atrasar a implementação de estratégias que inspirem credibilidade e confiança para o futuro.

Um calote da dívida, como aconteceu na Argentina no passado, pode ser cogitada pelos países que fazem parte da zona do Euro?
Isso já aconteceu. A reestruturação da dívida grega já foi um calote.

Terra

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