Dois Irmãos das Missões está sem prefeito há quase dois meses

Os moradores do município de Dois Irmãos das Missões, no norte do Estado, estão divididos entre os sentimentos de admiração e desamparo há quase dois meses, desde que o prefeito Edilson Alencar Hermel (PP) deixou a cidade.

Considerado foragido da Justiça, Hermel foi afastado do cargo e teve prisão preventiva decretada no dia 15 de março, após decisão da 4ª Câmara do Tribunal de Justiça do Estado, como medida cautelar ao receber uma denúncia do Ministério Público (MP). Ele e outras sete pessoas – entre servidores e sócios de empresas – são acusados de envolvimento em fraudes a licitações. Conforme a denúncia, haveria o pagamento de comissões em vendas superfaturadas de medicamentos ao município.

A cidade de 2 mil habitantes, que fica a cerca de 400 quilômetros de Porto Alegre, é uma ilha de civilização entre centenas de hectares de plantações de soja e terra vermelha. O acesso ao município é por uma estrada de chão batido, com muita poeira e buracos. Nas ruas, os carros dividem espaço com as máquinas agrícolas, reflexo da principal atividade econômica de Dois Irmãos das Missões – a agricultura.

Emancipada há cerca de 16 anos, a cidade passou por muitas obras no mandato de Hermel, um dos motivos para a grande popularidade do gestor. São ruas asfaltadas, prédios da prefeitura e da Câmara de Vereadores novos e até uma praça com equipamentos de dar inveja a muita cidade grande.

As realizações do prefeito lhe renderam uma homenagem da Câmara dos Vereadores em abril, mesmo depois de ele ser considerado foragido. Entretanto, nem todos do legislativo municipal, composto pelos três partidos da Frente Única (PP, PMDB e PDT), ignoram as suspeitas sobre o prefeito. O vereador Antônio Gomes de Oliveira, um dissidente do PDT, tentou instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas não teve apoio.

Na casa de Hermel, assim como no resto da cidade, ninguém sabe do paradeiro do prefeito. Ele não aparece Dois Irmãos das Missões desde que teve a prisão decretada. Numa decisão unânime, 4ª Câmara do Tribunal de Justiça do Estado decidiu afastar o prefeito do cargo enquanto correr o período de instrução no processo, quando são ouvidas as testemunhas e produzidas as provas. A prisão foi decretada devido à denúncia de coação de testemunhas em outros processos que já estão em trâmite.

Acatando a decisão, o prefeito transmitiu o cargo para o vice-prefeito Ildo Bridi (PMDB), mas demorou mais de um mês para que ele realmente se afastasse do cargo. O gestor entrou em férias logo após o decreto e a troca no comando foi procedida somente após a Câmara de Vereadores comunicar a prefeitura.

Na tarde do dia 15, a polícia de Seberi tentou cumprir o mandado de prisão contra Hermel, mas ele não foi localizado. A situação se repetiu na manhã do dia 16, quando o delegado Cleomar Ferzolla Correia, acompanhado de dois policiais civis, esteve na prefeitura e na casa do prefeito.

O advogado de Hermel, Décio Itiberê, ingressou com pedido de habeas corpus, mas o pedido foi negado, em Caráter Liminar, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Procurada pela reportagem, a defesa se limitou a dizer que a denúncia do Ministério Público carece de provas e aguarda julgamento do mérito de um habeas corpus no STJ.

Zero Hora

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