Dia sem carne é considerado absurdo por Federação da Agricultura do RS

Postado em 22 julho 2019 06:13 por JEAcontece
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Projeto de Lei de deputado estadual quer que, uma vez por semana, o cardápio para alunos da rede pública de ensino seja oferecido sem carne e seus derivados

Tramita na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul o Projeto de Lei 17/2019, que institui o Programa “Um dia sem carne” para a rede pública de ensino. De autoria do deputado Dirceu Franciscon (PTB), a intenção é implementar o programa, uma vez por semana, no cardápio das refeições oferecidas aos alunos da rede pública de ensino estadual de educação (as refeições deverão ser feitas sem carne e seus derivados). A justificativa do PL aponta que “está comprovado através de estudos que a produção animal é um dos principais contribuintes para a mudança climática, desmatamento, poluição e uso da água. Além disso, a maioria dos animais criados para alimentação passa seus dias em fazendas industriais onde seu tratamento e condições de vida são em grande parte desumanos. Vivemos um período de extrema crise ambiental que vai do aquecimento global à perda da biodiversidade, incluindo as mudanças climáticas e as diversas doenças que afligem a população humana”. Por fim, o autor ainda destaca que o “Projeto de Lei tem por escopo contribuir para melhoria da qualidade de vida das futuras gerações”.

Porém, para a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul – Farsul, o projeto é incoerente. “Querer interferir na alimentação das pessoas através de leis nos parece algo completamente equivocado. As pessoas têm que ter a opção de se alimentarem da maneira que quiserem, com os produtos que quiserem, no dia que quiserem. Somos representantes dos produtores rurais e, considerando o tamanho que o agronegócio adquiriu no Brasil nos últimos 40 anos, nos parece absurdo qualquer interferência deste tipo”, afirmou Gedeão Pereira, presidente da Farsul.

Ainda segundo Pereira, a Federação faz o acompanhamento permanente, através de assessoria, de projetos de leis estaduais e federais, em todo tipo de legislação que tem foco nas necessidades e interesses do agronegócio. “Seguidamente, nosso corpo técnico está na Assembleia Legislativa, colocando o ponto de vista do produtor rural, que é quem defendemos”, pontuou.

Atualmente, o PL 17/2019 aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do RS.

Entenda
O Projeto de Lei nº 17 /2019, do deputado Dirceu Franciscon, institui o Programa “Um dia sem carne”, a ser implementado na rede pública de ensino do Estado do Rio Grande do Sul, e dá outras providências. Os objetivos do Programa são:
I – A conscientização dos benefícios obtidos a partir do consumo de alimentos sem proteína de origem animal;

II – O compromisso com as gerações futuras em relação ao impacto ambiental causado pela produção em larga escala de animais para consumo humano;

III – O estímulo à formação de outros hábitos alimentares alternativos à carne.

Em sua justificativa, o PL relata que “Um dia sem carne” surgiu nos Estados Unidos, em 2003, propondo novas opções para hábitos alimentares e comportamentais. Segundo o texto, “foi uma maneira do governo americano iniciar também o debate sobre obesidade infanto-juvenil. Estudos científicos avaliaram o impacto do maior consumo de carne sobre o risco de câncer de intestino grosso (cólon e reto). Foi demonstrado que o aumento de 100 gramas de carne (de qualquer tipo) ingerida diariamente está associado ao aumento de 12% a 17% do risco de câncer de cólon e reto. O aumento diário de ingestão de apenas 25 gramas de carne processada (embutidos) está associado ao aumento de 49% do risco de câncer de cólon e reto. Dados sobre o impacto do consumo de carnes associados às doenças cardiovasculares são marcantes. Populações que não as consomem têm redução de 14% a 35% nos níveis de colesterol sanguíneo e a mortalidade por essas doenças é de 20% a 24% menor. Em estudos comparativos com essas populações, a hipertensão arterial acomete 42% da população geral, enquanto acomete apenas 13% das que não a utilizam. A redução do consumo de carne reduz os níveis de pressão arterial e a alimentação saudável à base de vegetais pode ajudar a prevenir doenças crônicas, como obesidade e doenças cardíacas. Não menos importante é a relação do consumo de carne com diabetes, pois nas populações que não a consomem, a prevalência dessa doença é reduzida pela metade. Para cada porção de carne vermelha ingerida, o risco de diabetes aumenta 25% e quando o consumo é feito por embutidos, o risco aumenta de 38% a 73%”.

Em legislatura anterior, o assunto também foi tema do Projeto de Lei n.º 87/2018, de autoria da Deputada Regina Becker Fortunati. O PL foi arquivado em janeiro deste ano.

– “Nos parece absurdo qualquer interferência deste tipo”, afirmou Gedeão Pereira, presidente da Farsul

Diário da Manhã

Postado em 22 julho 2019 06:13 por JEAcontece
15.292.411/0001-75
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