Detran aponta que motorista infrator no RS tem 13 anos de experiência

Comportamentos de alto risco no trânsito são flagrados diariamente pelas câmeras da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) no Rio Grande do Sul. São motoristas que dirigem e falam ao celular, não respeitam a faixa de pedestres, andam sem combustível, entre tantos outros erros. Um levantamento do Detran-RS traçou o perfil do motorista gaúcho infrator e surpreendeu ao concluir que ele é um homem com pelo menos 13 anos de habilitação.

Somente em 2011, 2,1 milhões de multas foram registradas no Rio Grande do Sul. O número caracteriza um aumento de 11% se comparado a 2010. “Todas as infrações foram feitas com consciência. As pessoas fizeram sabendo que estavam cometendo a infração, sabendo do risco que estavam correndo”, afirma Tarciso Kasper, gerente de fiscalização da EPTC. O infrator padrão, segundo a instituição, tem entre 31 e 50 anos de idade e é um motorista experiente.

Ildo Mário Szinvelski, diretor técnico do Detran-RS, acredita que pela maturidade estas pessoas deveriam ter um grau de responsabilidade, solidariedade e respeito maior com os demais participantes do trânsito. “Eles precisam passar por um processo de aperfeiçoamento. Um processo de reciclagem do condutor para que possam ocupar o espaço público de uma maneira mais cordata, educada e solidária”, reflete Szinvelski.

Para a psicóloga Amanda Balbinot, responsável por uma pesquisa que avalia o perfil dos condutores de risco, estas pessoas, sejam homens, mulheres ou jovens, não admitem o próprio comportamento. “As pessoas nem sempre dizem o que fazem”, fala Amanda, que desenvolveu um jogo para comprovar cientificamente sua tese. Após responder perguntas sobre assuntos que incluem respeito à sinalização e às leis de trânsito, a reação a essas regras é testada no computador. No questionário, 64% dos condutores diziam não ter comportamento de risco, embora na prática 59% cometeram infrações graves ou médias quando submetidos a testes.

A partir do estudo, Amanda descobriu que o simples barulho do celular faz com que o motorista aumente a velocidade em 46%. “Muitos estudos ou as pessoas mesmo falam que não é só porque você está atendendo que você está comprometendo a sua forma de dirigir. Mas isto vai muito além. O celular compromete a tua carga cognitiva com mais distrações”, diz a psicóloga, que criou o teste para servir como instrumento de preparo e avaliação de novos motoristas. Ela acredita que confrontar a teoria com a prática aumenta a conscientização.

G1RS

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