Desperdício com alimentos chega a US$ 750 bi por ano

Levantamento da FAO considera perdas em toda a cadeia produtiva e inclui também o consumidor final

Curitiba – Os desperdícios com alimentos no mundo podem causar cerca de US$ 750 bilhões em prejuízos por ano. O dado faz parte de um estudo publicado em Roma (Itália) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O relatório mostrou ainda que 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçadas por ano também provocam estragos no solo e no meio ambiente.

O levantamento considera perdas em toda a cadeia produtiva e inclui também o consumidor final. “Temos que fazer mudanças em todos os elos da cadeia alimentar humana para impedir que ocorra o desperdício de alimentos, em seguida temos que promover a reutilização e a reciclagem”, disse o diretor-geral da FAO, José Graziano de Silva.

Pelo relatório, 54% dos resíduos dos alimentos no mundo ocorrem na fase inicial da produção, na manipulação, após a colheita e na armazenagem. Os restantes 46% de prejuízos ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo de alimentos.

De acordo com o professor de Economia do Centro Universitário FAE e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eugenio Stefanelo, somando colheita, transporte e armazenagem, as perdas são, em média, de 5% do volume de produção de grãos no Brasil, mas há situações em que este percentual pode atingir 10%. Em hortaliças e frutas, entre colheita, transporte e armazenagem, a média de perdas no Brasil é de 30%.

Segundo ele, em grãos, o normal seria a perda de uma saca de 60 kg/hectare por produto. Mas, se o maquinário utilizado na produção está com a correta regulagem, esta perda pode cair para 20 kg a 25 kg hectare. Além das perdas na produção, Stefanelo disse que há prejuízos na armazenagem, com problemas como umidade e incidência de carunchos. Também há desperdício no transporte em caminhões, quando caem grãos no acostamento das estradas porque as carrocerias não são completamente vedadas. “A logística tem sido vital nas perdas”, declarou.

De acordo com ele, no Paraná, já há programas para redução de perdas na colheita, que eram de até duas sacas por hectare e cairam para 20 kg a 25 kg por hectare.

Para o assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, as perdas já começam no plantio, no espaçamento e nas linhas entre as plantas. “O plantio incorreto começa na escolha da variedade da semente”, disse.

Além disso, há perdas por questões climáticas, pragas e doenças. Camargo lembrou que também influenciam no processo máquinas que não estão corretamente reguladas e operadas de maneira incorreta. Destacou ainda que há perdas no transporte por caminhões, na colocação nas moegas dos armazéns, nas correias e nos elevadores que levam os produtos até os silos e no armazenamento.

Segundo ele, a média de idade dos caminhões no Brasil é de 16 anos. Com a carroceria velha, há perdas nas estradas. Além disso, há desperdícios para descarregar nos portos. “A cada movimentação dos produtos há perdas e os problemas logísticos contribuem para isso”, disse.

Para reduzir as perdas na produção, ele recomenda produzir com mais eficiência, com variedades adequadas, na época certa, com solo correto, com o uso mais perfeito possível da tecnologia, e seguindo as recomendações técnicas na parte de controle de pragas e doenças. (Com agências)

Folha Web

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