Desafios no caminho da oração

Em nosso caminho de oração enfrentamos desafios. Ouvimos que orar não vale a pena. Não ganhamos nada com isso. Não contamos com nenhuma retribuição. Até, não falta quem ache “ridículo” e perca de tempo. Não está na agenda do dia, seja para quem atua nas pastorais, seja para quem é um católico batizado. Há, também, os que pensam que o caminho da oração se dá somente no encontro semanal com Cristo e a comunidade, na Eucaristia. Porém, não valoriza o testemunho cotidiano do encontro com Ele, que antes de tudo, devemos ser ouvintes de sua Palavra. Temos certeza que o caminho dos cristãos é belo e nos conduz ao amor pelos irmãos e irmãs. Somente quem consegue de maneira cotidiana elevar seu olhar para o Senhor, está apto a viver como cristão. O primeiro grande desafio é superar a “inutilidade” deste caminho cotidiano de oração. Nunca tirar os olhos dele, o olhar fixo em Jesus Cristo, todos os dias!

Sabemos que o grande critério para vivermos a vida eterna em Deus, o “vinde a mim” que Jesus pronuncia (cf. Mt 25), é a vivência da caridade, a misericórdia. De fato, a fé, que nos salva, se torna concreta e operosa nas suas obras, no bem que faz. Porém, somente a oração, o olhar contemplativo de Jesus Cristo pode nos ajudar a ver no irmão e irmã uma imagem de Deus, nossa “única família”. Não faltam os que julgam que ao sabermos muito de Deus, da Bíblia, já é caminho suficiente para a salvação. O muito saber não nos salva, o que nos faz bons cristãos é o agir, que é decorrência cotidiana da oração. Pode acontecer, também, que alguém seja uma pessoa muito ocupada, de muitas ações, até ações de misericórdia. E não tem tempo para orar! Os momentos de oração devem ser sagrados, sempre. Devem estar na agenda de cada dia.

Nem sempre as orações cotidianas tem toda a sua alegria e consolação. Não importa, o que vale é deixar que todas as orações sejam para o fim para o qual existem: formar-nos para vivermos o seguimento de Jesus Cristo, a sua cruz. Se o Senhor quiser conceder alegrias e consolações, acolha com humildade. O fato de não termos todos os dias presença e consolação, é sinal de que nós estamos ainda a caminho, não plenos, ainda desejosos. Faz-nos recordar que sempre caminhamos para um dia que o vermos “face a face” (cf. 1Cor 13,12). O fato de não sentirmos sempre a presença de Deus na nossa oração cotidiana, também tem seu valor, pois alimenta o desejo humano de dialogar com Ele. Ela nos recorda sempre que “minha alma tem sede de vós” (Sl 62,2).

Talvez, alguns conselhos possam ajudar a vencer as tentações da oração. Em primeiro lugar, é importante não “dialogar” com a mesma, mas apressar-se em realizar algum ato contrário de virtude. Em segundo lugar, sempre trazer a dificuldade para a luz. Falar dela ao diretor espiritual, abrir o coração. Em terceiro lugar, ir a Cristo e conversar com Ele, na sua cruz. Este caminho pode ser de todos os dias e nos ajudará a vencermos as dificuldades.

Enfim, evoco a experiência de Santa Terezinha do Menino Jesus, que entendeu que o amor de Jesus atinge nossa vida e nos possibilita a amar como Ele nos ama. Diz assim: “Vi que eu não as amava com Deus as ama. […] Já não é uma questão de amar o próximo como a si mesmo, mas de amá-lo como Ele Jesus, o amou, e o amará até a consumação dos tempos. […] Sim, eu o sinto: quando sou caridosa, é apenas Jesus que está agindo em mim, e quanto mais unida estou a Ele, mais também amo minhas Irmãs” (História de uma alma, c.10).

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta

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