Deputados eleitos gastaram 17 vezes mais do que os derrotados no RS

Veja quanto foi a despesa, a arrecadação e quem financiou os candidatos a uma vaga na Câmara pelo Estado

O número de votos é o fator decisivo para garantir uma vaga na Câmara, mas a prestação de contas dos candidatos a deputado federal pelo Rio Grande do Sul mostra que ter muito dinheiro faz diferença. Em média, cada concorrente eleito gastou 17 vezes mais na sua campanha do que os adversários que perderam a disputa.

Enquanto o desembolso médio dos 31 candidatos vitoriosos ficou em R$ 1.234 milhão para cada um, outros 230 que foram derrotados e apresentaram suas contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disseram ter investido, na média, R$ 72,3 mil. A diferença de orçamento chega a 1.600%. No total, foram investidos R$ 54,9 milhões na campanha para deputado federal no Estado.

O valor de R$ 1,164 milhão foi a cifra mágica da eleição. Todos os candidatos que gastaram acima desse patamar garantiram presença em Brasília. Relacionando-se o montante investido com a votação obtida, José Otávio Germano (PP) teve o maior custo por voto entre os eleitos (R$ 35,50desembolsados para cada eleitor conquistado), e Márcio Biolchi (PMDB), o menor, com R$ 0,94 de investimento por voto.

Entre os derrotados, Miriam Riedel (PMN) teve o maior gasto proporcional, com R$ 121,64 aplicados para cada um de seus 261 eleitores, enquanto Maria de Fátima (PPS) e Paulinho Motorista (PSB), no outro extremo, gastaram o equivalente a R$ 0,38 por eleitor para fazer, respectivamente, 530 e 7.578 votos. A média geral de todos os postulantes a uma vaga na Câmara foi de R$ 10 para cada voto registrado.

Para a cientista política e professora da Universidade Federal de São Carlos (SP) Maria do Socorro Sousa Braga, o abismo financeiro entre eleitos e não eleitos tem duas explicações complementares: ter muito dinheiro ajuda a vencer a disputa, e quem já larga como favorito atrai muito mais investimento do que os azarões.

— Os candidatos bons de voto, que eu chamo de supercandidatos por terem histórico de boa participação em eleições, atraem o apoio financeiro das grandes empresas e grupos de interesse para suas campanhas. Uma hipótese para isso é que essas empresas tenham alguma expectativa de se beneficiar depois, mas é algo difícil de comprovar — argumenta Maria do Socorro.

Ela acredita, ainda, que a distorção orçamentária vem se aprofundando:
— Trabalhos acadêmicos mostram que nem sempre ter mais dinheiro é determinante para se eleger, mas dados como esse do Rio Grande do Sul sugerem que a grande diferença de recursos entre os candidatos que se elegem e os demais é uma tendência.

(Clicrbs)

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