CRUZ ALTA – Entrevista: pró-reitora de Graduação detalha a adequação da Unicruz para receber os novos cursos

Pouco mais de uma semana após a aprovação da criação dos cursos de Engenharia Civil e Ciências Aeronáuticas na Universidade de Cruz Alta, a notícia segue repercutindo em veículos de comunicação especializados em educação e de abrangência estadual e nacional. Alguns dos exemplos são o Diário de Santa Maria e o VestibulandoWeb, que deram ênfase ao curso direcionado para a aviação civil. Como os dois cursos demandam uma estrutura muito específica para proporcionar o máximo de seu potencial de ensino, laboratórios serão instalados, novos professores serão contratados e até mesmo a rotina da região mudará, uma vez que os cursos devem potencializar o crescimento dos municípios situados na regiões Alto Jacuí e Noroeste. A pró-reitora de Graduação da Unicruz, professora Solange Billig Garces, responde algumas questões pertinentes à adequação da Instituição para oferecer os novos cursos.

A Unicruz vai instalar novos laboratórios para os cursos aprovados? Há previsão de início e término das adequações?

A Universidade de Cruz Alta, ao planejar os cursos novos, também já fez o planejamento orçamentário incluindo a infraestrutura necessária. Nesse sentido, reunimos os cursos da área de Engenharia já existente na Unicruz para otimização de laboratórios e equipamentos. Dessa forma os custos foram diluídos entre os cursos e há uma previsão orçamentária de custos a curto, médio e longo prazo já previstas no orçamento de cada curso. Para a área de Ciências Aeronáuticas, adequamos o Núcleo de Ensino de Línguas (NEL), já existente no Campus, que passa a ser o Laboratório de Fraseologia Aeronáutica, disciplina que será estudada em português e inglês. Também, neste mesmo espaço, instalaremos equipamentos para voo simulado visual e por instrumentos, e, ainda estamos organizando o Laboratório de Peças Aeronáuticas, todos com características multidisciplinares e interação entre teoria e prática.

Na visão de muitas pessoas, Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo são áreas semelhantes. Qual é o perfil do engenheiro civil e qual é o perfil do arquiteto e urbanista?

A formação do arquiteto está ligada à relação do homem e o espaço, ou seja, a criação do espaço dentro do contexto humano. Para que este profissional possa desenvolver seu trabalho, ele precisa basicamente ter conhecimento de história, tecnologia e fundamentalmente muita criatividade, podendo atuar assim, desde o “macro”, projetando uma cidade, por exemplo no urbanismo, ao “micro”, projetando um simples mobiliário, mas sempre relacionado ao mesmo tema: o homem e o espaço. Os arquitetos têm como base a formação de criador e os engenheiros, com conhecimentos específicos, formação para desenvolver projetos direcionados para executar a criação como hidráulica, estrutura, fundações, elétrica, entre outros na área de engenharia e tecnologia.

O arquiteto é o profissional encarregado da estética do projeto, sempre visando a funcionalidade e o conforto do mesmo. Ele desenvolve a planta, escolhe os materiais, o mobiliário, os revestimentos e junto do engenheiro civil, acompanha o desenvolvimento da obra e os custos dos materiais. Também atua no urbanismo, por meio do planejamento das cidades. Ambos trabalham na execução de edifícios e em suas instalações, porém o engenheiro trabalha mais em obras de infraestrutura. Nestas, o arquiteto não possui habilitação legal, bem como o engenheiro civil não é habilitado para projetos de urbanismo, restauração arquitetônica e arquitetura de interiores, por exemplo. Embora o engenheiro civil não tenha em seu currículo uma carga horária adequada em projeto de arquitetura, historicamente ele ficou habilitado, por uma falha na legislação mesmo.

O arquiteto cria, os engenheiros desenvolvem e ambos dirigem a execução. Resumidamente o arquiteto, dentro de seu conceito profissional, deve ter a visão e o conhecimento do mundo como um todo e os especialistas, no caso da engenharia e tecnologia, o conhecimento do todo, dentro do seu mundo específico.

Mesmo com essa distinção, o curso de Engenharia Civil terá disciplinas integradas com o curso de Arquitetura e Urbanismo?

Quando pensamos o curso de Engenharia Civil para a Unicruz, pelo fato de já termos o curso de Arquitetura e Urbanismo, percebemos que seria necessário pensá-lo dentro de um projeto de integração profissional e ao mesmo tempo em um processo de planejamento concorrente aos planos de cada grupo e de seus interesses específicos, com possibilidades, dificuldades, vantagens e desvantagens, que refletem a dinâmica das relações.

Em nosso entendimento, os cursos de ambas as áreas, em geral, não são planejados nesta ótica e este é um de nossos diferenciais. Desta maneira, acreditamos ofertar ao mercado de trabalho, profissionais preparados para lidar com as interfaces de arquitetura e estrutura, visto que estamos propondo minimizar o distanciamento das estruturas disciplinares acadêmicas dos cursos de arquitetura e engenharia civil ao longo dos anos. Ficamos atentos a essa realidade, mesmo porque o mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, está a exigir novas formas de organização que privilegiem a comunicação e a intensa interação entre estes profissionais, resguardando a individualidade de cada um destes profissionais. Portanto, há uma intencionalidade para que o curso de Arquitetura e Urbanismo e o curso de Engenharia Civil tenham uma interdisciplinaridade, onde seja possível inter- relação entre conhecimentos, competências e habilidades do arquiteto com o do engenheiro civil.

Será uma possibilidade de qualificação profissional de uma área exata e tecnológica, neste caso Engenharia Civil, de forma mais humanizada com essa articulação com a Arquitetura e Urbanismo. Pensamos em desenvolver no curso de Engenharia Civil práticas inovadoras, com afloramento de novas ideias e espírito crítico, rompendo com o paradigma de um perfil tradicional de engenheiro civil. Além disso, organizou-se um currículo que forme um engenheiro civil com um perfil com bastante experiência prática e conscientização de eco-sustentabilidade.

Além do recém-criado pela Unicruz, existem apenas 12 cursos de Ciências Aeronáuticas no Brasil, todos em capitais ou grandes centros. Como é o mercado de trabalho para a aviação civil?

A profissão de piloto de aeronaves abre muitas possibilidades, como de trabalho em grandes empresas de transporte aéreo regular (inicialmente como co-piloto) transportando passageiros e cargas, e também como comandante ou co-piloto em empresas de táxi aéreo, em aviões executivos, na aviação geral. Além disso, poderá desempenhar atividades de gestão na empresa onde trabalhar, poderá supervisionar ações relativas à manutenção de aeronaves, atuar como docente, trabalhar em aeroclubes e escolas de aviação civil, prestar consultoria e assessoria aeronáutica, gerenciar processos referentes à segurança de voo, gerenciar equipes, trabalhar com a logística do transporte aéreo, prestar concurso público em entidades como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), trabalhar em indústrias e no comércio de componentes aeronáuticos, em empresas de serviço aéreo especializado, dentre outras atividades relacionadas com a aviação.

Nos últimos anos, a aviação civil tem crescido muito e demandado um maior número de profissionais neste setor e há uma tendência maior das empresas exigirem curso superior e formação de excelência na área para a contratação de colaboradores. Outro aspecto relevante são os estudos e projeções feitas pelos principais fabricantes de aeronaves do mundo, como Boeing e Airbus, de apontam o crescimento do setor aéreo no Brasil como constante, e que durará muitos anos. Neste mesmo sentido, está por ser aprovado no Brasil um programa do governo federal de incentivo à Aviação Regional que sem dúvidas irá gerar um grande número de empregos diretos e indiretos no setor aeronáutico em nosso país. Não podemos esquecer que vivemos em um país de dimensões continentais e que nos últimos anos o brasileiro das mais diversas classes sociais está utilizando o transporte aéreo, seja para turismo, lazer, negócios, enfim, o brasileiro está aprendendo a voar, e esta mudança de comportamento traz consigo incremento na demanda de voos e as empresas aéreas necessitam mais mão de obra e, preferencialmente qualificada.

Quando pensamos em Engenharia Civil e Ciências Aeronáuticas, a imagem que vem à cabeça é de uma concepção urbana, talvez de metrópole. A intenção dos cursos é, portanto, formar profissionais que atuem em grandes centros ou transformar a região em um polo de construção civil e aeronáutico?

Os cursos de Engenharia Civil e Ciências Aeronáuticas seguramente difundirão o nome de Cruz Alta e da Unicruz em nível nacional. O curso de Ciências Aeronáuticas tem a característica de atrair e receber alunos das mais diversas regiões do Brasil. Em um futuro próximo esperamos que o setor aeronáutico local e regional se destaque no cenário nacional. A cidade de Cruz Alta é extremamente relevante para receber o curso de Ciências Aeronáuticas porque possui condições privilegiadas para a atividade aérea, uma vez que está localizada próxima de aeroportos modernos que atendem a necessidade tanto de voos visuais, voos noturnos e voos por instrumentos, pois são equipados com VOR, ILS, NDB, área terminal, controle de tráfego aéreo, torre de controle. Além disso, a região apresenta condições meteorológicas que  proporcionam ótimas condições para o voo, pois é bastante estável, além de ser uma cidade onde o trânsito na cidade proporciona fácil deslocamento para o aluno ir até o local de seus voos, e onde o custo de vida é mais barato do que se comparado a grandes centros urbanos.

Outro destaque é que a Unicruz firmou parceria com aeroclubes que reúnem todas as condições para atender as necessidades dos alunos no que se refere a aviões, simuladores de voo, manutenção rigorosa de seus aviões e demais equipamentos, alojamento para alunos com toda a estrutura necessária. Entendemos que a demanda para esse curso não será local, mas regional, nacional e internacional. Portanto, a empregabilidade atenderá também a essas demandas específicas de cada região, como por exemplo, demanda por pilotos de aviação agrícola, pilotos comerciais.

Já em relação à área da Engenharia Civil, Cruz Alta é uma cidade-polo na construção civil e apresenta um crescimento nas últimas décadas, com insuficiência de mão de obra qualificada, como engenheiros. Em levantamento feito pela Comissão de Organização dos Cursos, com a presença de membros do Conselho Curador, em relação às regiões que têm cursos de Graduação em Engenharia Civil, se verificou que a região do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Alto Jacuí é carente de cursos na área, o que reforça a justificativa a oferta do mesmo pela Unicruz.

(Núcleo Integrado de Comunicação da Unicruz)

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