CRUZ ALTA – Ciclo de Oficinas em Direitos Humanos debateu lutas das minorias e classes sociais desfavorecidas

A Universidade de Cruz Alta promoveu ontem (21) o 1º Ciclo de Oficinas em Direitos Humanos. Atividade incluída dentro da programação do Fórum Permanente de Direitos Humanos da Instituição, o Ciclo promoveu a interação entre a Unicruz e a comunidade em geral para discutir identidade de gênero, inclusão social, preconceito étnico e outras questões vigentes na sociedade contemporânea, na perspectiva interdisciplinar.

Para abranger os diversos temas em diferentes perspectivas disciplinares, foram realizadas dez oficinas, divididas em sete áreas temáticas, ao longo do Ciclo. Na parte da tarde, a doutoranda em Direito da Unisinos, Clara Masiero, trouxe para discussão “Direitos humanos, questões de gênero e cultura patriarcal”. A roda de conversa buscou retratar questões de gênero, em especial as problemáticas ligadas homofobia e seu entendimento no ponto de vista do Direito: um debate sobre a criação de uma lei reguladora e o impacto na mídia sobre essa questão.

Já na segunda oficina, o ex-presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Edivan Souza, e o Bacharel em Direito e funcionário da Unicruz, Rubens Borges, abordaram “Direitos Humanos voltados para pessoas com deficiência”. A oficina discutiu questões que permeiam a comunidade, relacionadas aos direitos das pessoas com deficiência. Edivan demonstrou dados que ilustram um panorama da região do Alto Jacuí: em municípios como Panambi e Cruz Alta, os índices de pessoas com deficiência são em torno de 19% e 20% da população, respectivamente, sendo que Espumoso é o município da região com o índice mais alto, 29%. Segundo ele, os direitos das pessoas com deficiência precisam estar na agenda da sociedade de maneira mais abrangente. Assim, a Unicruz busca promover iniciativas acerca de temas como inclusão, igualdade, liberdade e cidadania na sua região de abrangência.

À noite, mais quatro oficinas inéditas foram realizadas, somadas às reedições das atividades da tarde. Os Direitos Humanos e questões étnico-raciais foi o tema do encontro ministrado por Denise Girardon, Cinara Dorneles e Ivonê Andrade. No público, estavam representantes da comunidade quilombolas de Salto do Jacuí que vieram à Unicruz para participar do Ciclo. Ivonê, que é egresso do curso de Direito da Instituição contextualizou o histórico dos negros no Brasil, que passaram pela escravidão e foram libertados, nas palavras dele, entre aspas. “A liberdade foi atirar os negros na água, para que eles pudessem nadar para longe”, refletiu o advogado.

Alunos do curso de Jornalismo puderam acompanhar a oficina sobre Gênero e raça/etnia na mídia, conduzida pela jornalista Sátira Machado. A ex-titular da Coordenadoria Estadual das Políticas de Igualdade Racial do RS (Copir) abordou exemplos que trazem à tona a misoginia e a homofobia em peças publicitárias e em veículos de comunicação. “O que alimenta essas práticas é a reprodução de estereótipos que não aceitam a diversidade”, observou Sátira, que demonstrou a situação através de um anúncio de bebida insinuando que a mulher mulata é distinguida apenas pelo corpo.

Dois encontros que estavam previstos na programação foram transformados em um, que resultou no tema Diferença de gênero e violência contra as mulheres e criminalização da homo e transfobia. Ana Paula Ruebenich, Rosângela Angelim, Clara Masiero e Leandro Dal Forno dividiram espaço para falar sobre misoginia e o preconceito contra o público LGBT. Leandro, que é jornalista formado na Universidade de Cruz Alta, resgatou a origem do movimento, que iniciou na década de 70 com os mesmos ideais do feminismo. “Primeiro, o movimento LGBT tinha foco na libertação sexual. Com o decorrer do tempo, várias pautas entraram em questão. Uma delas é a criminalização da homofobia, luta na qual estamos até hoje”.

O 1º Ciclo de Oficinas em Direitos Humanos da Unicruz integrou a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cuja temática deste ano é Desenvolvimento Social.

(Núcleo Integrado de Comunicação)

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